terça-feira, 27 de junho de 2017

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (39)


“NÃO NEGOCIO E NEM ABAIXO O PREÇO, PREFIRO MANTER FECHADO” – A LÓGICA NADA (I)LÓGICA DO CAPITALISMO
Como era gostoso estar nessa banca...

A burrice do negócio capitalista é aquilo do inconcebível do ser humano. Conheço inúmeras situações se repetindo diante dos atônitos olhos de todos e quantos imóveis fechados por tempo indeterminado e pelo simples fato do seu proprietário não aceitar negociar o preço, preferindo mantê-lo com as portas abaixadas a alugado. Conto só uma história para ilustrar bem a situação. Coisa de um ano e pouco atrás, o jornaleiro Cláudio e seu filho Gustavo tocavam uma movimentada banca de jornais lá na Duque de Caxias, entre a Gustavo e a Araújo, um point de muito bate papo. Foram, acredito, mais de dez anos no mesmo lugar. A situação apertou para o segmento de revistas, ele diversificou, tentou inovar, variar e, diante da tal crise, tendo mais duas bancas, uma junto ao Paulistão da Nações e outra na frente do Confiança da Falcão, não viu outra situação, propor uma redução do aluguel ou o inevitável fechar as portas. Foi até o proprietário e esse irredutível, não arredou nem um centavo do preço. Resultado, a banca fechou e o público que ali consumia se diluiu entre as outras duas do Cláudio. Hoje passo lá pela Duque e ainda vejo o imóvel fechado, com a desbotada placa da banca ainda no alto do imóvel, tudo abandonado e em estado de plena desolação. Deixo a pergunta: não teria sido melhor abaixar o preço e mantê-lo alugado até hoje? Que lógica é essa do capitalismo impondo que, o braço não pode ser dobrado e tudo levado até as últimas consequências. O mesmo se dá com muitos imóveis fechados na cidade e em muitos ocorreu também uma tentativa de renegociar o aluguel e nada foi conseguido. Outros tantos, como exemplos vivos das dificuldades permanecem fechados e sem interessados em alugar. Em tempos de crise, de debacle financeira, será que o melhor mesmo é manter o imóvel fechado? Enfim, a linguagem do capitalismo é mesmo essa da intransigência, inflexibilidade e indiferença diante do problema do outro? Como você encara tudo isso?
Obs.: Numa velha foto, algo da então movimentada banca do Cláudio lá na Duque.

A BRIGA NA FEIRA

Foi domingo passado e não identifico nenhum dos protagonistas, mas traço umas breves considerações sobre isso de armar o barraco no meio da rua e no meio de muita gente, as tais provas testemunhais da contenda. Vamos aos fatos. Linha limítrofe entre a Feira do Rolo e a Feira Dominical da Gustavo, domingo passado e por ali uma cena, dessas que acontecem, para os envolvidos, constrangedora. Um casal passeava tranquilamente pela feira, quando surge diante dos olhos uma terceira pessoa, uma enfurecida mulher e diante do casal, passa em primeira instância a agredir o varão com palavrões e na sequência, com socos, alguns de intensidade acima das ditas moderadas. Ele não reage, sendo passivamente socado em alto e bom som. Se o local já era de grande aglomeração, juntou mais ainda, pois curioso nessas horas não faltam, aliás, surgem aos borbotões. Presenciar a desgraça alheia é algo rendendo uma boa conversa pro resto do domingo. O cara era socado e permanecia ali, sem falar nada. O assunto é comentado numa roda de amigos e um declara dos motivos: “Pro homem não adianta fazer nada. A mulher pode agredi-lo de todas as maneiras, verbalmente e fisicamente, mas a partir do momento em que reage e desfere um único soco, pronto, Lei Maria da Penha nos costados”. Será? Depois ficamos sabendo de poucos detalhes lá da briga. O casal era recém formado e a furiosa é a ex, que não aceitando o novo relacionamento, partiu para as vias de fato. E ela pode? Sei lá, deve poder, pois o gajo não reagiu.
Nessa o bicho pegou...

O tema tem história. Lembro-me de uma história a mim contada tempos atrás e acredito que já relatada num texto anterior. O cara saiu com outra e essa foi até a matriz, contou ter recebido a visita do seu marido: “Ele veio até mim e pagou minha conta de água”. Impávida, eis a resposta: “Se espera que arme um barraco com ele, não lhe darei esse prazer. Primeiro se pagou sua conta e foram para a cama, está paga, não tem do que reclamar e se recebeu, pois bem, estão quites. Preço combinado, preço pago. Só lhe digo que aqui em casa ele paga a luz, água, telefone, gás, aluguel, escola das crianças e tudo o mais”. Virou as costas e foi se acertar ao seu jeito, na encolha com o seu cara metade. Pelo que me diz quem me contou a h(e)istória estão juntos até hoje. Relatos como esse existem aos montes e por fim, na tal conversa que tive com amigos sobre a da feira, regada a cerveja e churrasco, minha resposta foi essa: “Nunca aconteceu comigo, mas acredito não saberia como solucionar o imbróglio ali diante de mim e sendo espancado. Não teria outra alternativa, sairia correndo e sumiria dali o mais rápido possível”. Isso é coisa de cagão?
OBS.: A foto é meramente ilustrativa e foi tirada numa contenda em uma micareta, algo de muito maior vulto do que o ocorrido na feira bauruense.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (115)


UM LANCE ASSIM DE ‘QUASE’ RACISMO NO FEIRÃO DOS IMÓVEIS BAURU
Essa cidade, estado e país não são mesmo nada racistas. Tudo invenção da mente de gente pervertida e despirocada, desses que não tem nada mais o que fazer. Mera ilusão de ótica (ou de foco). Sábado á tarde, eu e a sogra vamos perambular pela badalada FEIRA DOS IMÓVEIS DE BAURU, no recinto do estacionamento do Bauru Shopping. Eu com uma vistosa camiseta tendo o Che Guevara na estampa central e ela, negra retinta no alto dos seus 80 anos e empurrada por mim numa cadeira de rodas. Somos intrepidamente ignorados, enfim, pudera, o que uma dupla dentro de envergadura desta natureza poderia vir a querer numa feira voltada para aquisição de imóveis? Enfim, socialista e guevarista pode querer comprar imóvel? E negra? Assim mesmo tentamos. Por fim, escolhemos um incauto e foi-lhe dito sobre o que a motivava ali naquele lugar: informações sobre um apartamento de 3 quartos, na Zona Sul da cidade e com mais de 100 metros quadrados de área. Espanto e uma espécie de constrangimento na face do imodesto corretor, diria, uma sonora engasgada. Ele, constato, não sabia ao certo o que fazer, como agir, se dava uma sonora risada ou nos atendia tentando manter as aparências. Por fim, saiu-se com algo sobre um provável valor, bem inferior ao mínimo possível para algo da natureza do proposto. Quando lhe dissemos ser baixo demais, daí o espanto se generalizou, pois deve ter achado que estávamos, o branquelo e a velhusca negra, a tirar sarro com sua cara (de tacho) de bonachão. Não conseguíamos avançar na conversa, pois havia uma trava, um empecilho maior, um impedimento, uma barreira, um muro, uma separação sepulcral entre as partes. Um velado e intransponível pisar em ovos. Percebemos, por fim, que a feira era só e tão somente para novas aquisições e para imóveis de metragem menor. Desistimos da pesquisa dela ver preços para ter algo só seu por aqui. Fomos para uma loja de acabamento, mas não fomos sequer notados. Sabe o que fizemos? Batemos em retirada. Hoje, terça, ela visita alguns imóveis tendo como parceira uma linda corretora, negra como ela, atenciosa como poucas, bem mais atenta, dessas compreendendo que a cor não é sinal de resistência e de desconfianças. Ela procura imóvel, mas ainda não sabe ao certo se por aqui deve também fazer uma pesquisa entre os demais moradores do lugar, uma espécie de tentar evitar problemas, onde iria se certificar de que, sendo esse novo morador negro, poderia ousar querer morar junto deles, os brancos, sem nenhum tipo de problema.


OBS.: A foto é meramente ilustrativa e não representa o local visitado e palco do acontecimento aqui narrado.

domingo, 25 de junho de 2017

FRASES (157)


HISTÓRIAS COM OS COBRADORES E VENDEDORES DE TELEMARKETING
Eles são a ponta mais fraca desse cruel e insano sistema de cobrança existente para ditos devedores dentro do sistema capitalista. Liam em sua casa durante as horas mais insólitas do dia (e também da noite, até aos sábados). Tenho paciência com todos, mas não me furto a usar de ironia na resposta para incisivas cobranças feitas via telemarketing. Os que ligam, se não o fazem, não estariam empregados e, tenho plena certeza, estão a exercer um serviço do qual devem não gostar nem um pouco, mas é o que lhes resta nesse mundo onde cada vez mais e mais empregos inexistem. Vejam casos insólitos de amigos (as) resolvendo a questão das ligações.

1 - A cantora Denise Amaral e o "Tudo resolvido" – Essa ela me contou ontem e rimos muito. Gostei tanto que passo adiante como a primeira das respostas, a mais dentro do espírito da coisa. O cobrador te liga e pergunta por um nome de alguém conhecido ali daquele número e cujas prestações estão em atraso. Denise diz resolver de forma clássica, respondendo que: “meu caro, fique tranquilo, por aqui tudo resolvido”. Diante da surpresa e da pergunta: “Mas resolvido como se o pagamento ainda não foi feito”. Ela, com a maior fleuma deste mundo, acrescido de calma responde impávida: “Resolvemos não pagar”.

2 - O baterista Luiz Manaia e o Opala nos trinques – O sujeito liga para a casa do Ralinho, ele cansado de tantas ligações e para pessoas pelas quais nem imagina quem sejam, ouve o motivo da ligação e retruca oferecendo algo em troca: “Eu tenho a solução para resolver isso tudo. Tenho aqui na garagem um Opala nos trinques, desses que são raridades, preciso vender, mas a coisa não está fácil, já oferecei, dei desconto e nada. Você me parece a pessoa ideal para vender o danado e se conseguir vamos quitar essa pendência, o motivo de tantas ligações”. E não deixa o cara falar mais nada, despeja os dados do seu Opala numa sequência para endoidecer gente sã. O Opala existe de verdade, mas na verdade, ele não vende, trata-se de pra preciosa em sua garagem.

3 - A secretária do lar que trabalho aqui em casa e a ida para Cuba. Trabalhou aqui em casa faz anos e deve ter deixado o fone fixo daqui como referência. Já faz mais de um ano que não trabalha mais por aqui, mas as ligações continuam, tem dia que recebo umas três. Radicalizei e num contato com ela, decidimos dar a devida resposta para os que não conseguem esperar ela ter a quantia para poder quitar uma velha pendência. Desde então ligam e respondo: “Sim, claro que a conheço, trabalhou aqui, mas se foi, quando lhe acertamos o valor, recebeu um convite irrecusável e foi pra Cuba. Foi e pelo que sei gostou muito, nunca mais voltou, dizem estar feliz por lá”. A pessoa responde: “Cuba? O senhor pode dar um recado para ela?”. Respondo assim: “Eu não. Ligue você e se quiser te passo o telefone, mas te adianto lá não aceitam ligações a cobrar”. Teve um que me perguntou como faz para também ir pra Cuba. Eu também quero ir.

4 - Eu, o HPA e o "obrigado, não quero ficar doente" – Aqui em casa a história é outra. Muitas cobranças, claro, ninguém honesto escapa delas. Mas tem uma gente que descobre que não tenho no meu plano de TV a cabo esse monte de canais e ligam assim: “meu senhor, verificamos que o senhor tem poucos canais disponíveis e estamos lhe oferecendo um com 500 canais e por um preço que não vai acreditar, filmes de toda espécie, futebol e tudo o mais”. Responso com a maior calma: “Não quero e por um simples motivo, eu sou rueiro e se comprar um negócio desses, deve ser uma delícia, não vou mais querer sair de casa e rueiro como sou vou acabar ficando doente. Quero continuar quase sem canal, com pouca TV, muitos livros e muita rua. Obrigado”. Muitos me respondem assim: “Gostaria muito de ser como o senhor. Parabéns”.

sábado, 24 de junho de 2017

DICAS (161)


SOLIDÁRIOS SINAIS DAS RUAS: A BANCA DA ILDA*
A BANCA HOJE PELA MANHÃ


* Deve sair em breve também na Tribuna do Leitor, do Jornal da Cidade:

A solidariedade se apresenta de forma deslumbrante aos nossos olhos. Os dos andares de baixo da escala social e seus exemplos para todos os demais são o que de mais intenso essa vida possui. A forma como conseguem resolver os percalços, as adversidades, as tais pedras no caminho é a mais límpida demonstração de que, nem tudo está definitivamente perdido. Quando o mundo se mostra de uma crueldade insana e doentia, exemplos pipocam entre os mais simples e renovam a esperança da solução estar tão perto de nossos olhos e nem assim muitos insistem em não tomar conhecimento.


Os exemplos existem aos borbotões. Cito somente um, fazendo com que tudo, todas e todos reflitam sobre como as ruas continuam sendo o grande e melhor reflexo das mais sábias decisões para com o destino dos claudicantes humanos sob a face da Terra. Pois bem, Ilda Viegas é jornaleira, tem duas bancas na cidade e uma delas, encravada no coração da Zona Sul, num dos lugares mais bucólicos desta Bauru Sem Limites, aos pés do seu bucólico e sempre único aeroporto, lá nos altos da avenida Pinheiro Brizola.
ESPEVITADA ILDA


Ali, a concretização da real possibilidade do congraçamento humano. Local de muito bate papo, um ainda possível debate de ideias e pensamentos variados e múltiplos. Vejo de tudo acontecendo nas beiradas desta banca. Sabiamente Ilda observa tudo ao seu modo e jeito. Uma danada, espevitada, lúcida, impávida e, também, calada e contida. Ela mais ouve que fala, mas quando fala, sempre ponderada, diz o necessário, o justo. Aquilo tudo propiciado por ela é simplesmente, numa simples comparação, um oásis dentro do caos de qualquer cidade. Transborda sinceridade e originalidade, algo tão em falta nos dias de hoje. É o que é e exatamente por causa disso, causa comoção no entorno.

É hoje uma espécie de mascote de tudo, todas e todos. Caiu nas graças dos remanescentes frequentadores de bancas de jornais e tudo o mais ainda pelas ruas. Os que não param para o papo e o diário cumprimento, buzinam, acenam, fazem sinais de fumaça. Pois bem, Ilda operou desses males acometendo mulheres maduras e está ausente de sua banca. O tempo mínimo de ausência é de um mês e sua preocupação era em não fechar as portas, pois suas contas continuam vencendo. Especulou das possibilidades e o resultado é o fruto de tudo o que plantou. Os amigos ali do dia a dia assumiram tudo e estão tentando manter o mesmo clima alegre e envolvente da proprietária.
DRI, A GERENTE


Ilda se recupera bem e inquieta, tenta se cuidar ao lado de seus cães. Na banca a gerente de tudo, outra alto astral, a Dri, abrindo a banca e indo para a outra, ao lado do Confiança Max. Na sequência chegam os amigos. De segunda a sexta, o bancário aposentado Roberto Maldonado fica nas manhãs e a tarde quem assume é a japonesa Elisa. Aos sábados e domingos, tudo fica a cargo do casal, Flávio, consultor de empresas na capital e sua noiva, Fabíola, trabalhando ali ao lado, na Cherry Signs. Na vigilância, os taxistas Dutra e Sidnei, espécie de cães de guarda do lugar. Na assessoria e área de comunicação a vizinha, quase parede meia com a banca, a artista plástica Viviane Mendes e na necessária assistência banheiristica, o Ico do Bar Aeroporto.

Todos cuidam de tudo, até do gato que mora embaixo da banca e de todos os cães de rua que ela alimenta. Ninguém pensa em receber nada, mas todos vicejam estampados nas faces, a alegria e algo do ensinamento plantado por essa periférica Ilda, que veio lá de longe, para plantar uma raizinha profunda de "paz e amor" bem no meio da região mais abastada da cidade, a da solidariedade humana. Só mesmo alguém como Ilda para juntar isso tudo e expor esse lado tão necessário de todos nós nos dias de hoje, a do compartilhar e do ser companheiro para ser feliz. Se alguém merece um título de Cidadã Bauruense esse alguém hoje é Ilda Viegas. Eu me derreto todo diante dela, do que faz, como faz, com quem faz e dos motivos de seu fazer.
OS NOIVOS FLÁVIO E FABÍOLA AOS FINAIS SEMANA
EU E ROBERTO MALDONADO SENDO ENTREVISTADOS DIANTE DA BANCA

sexta-feira, 23 de junho de 2017

DROS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (143)


ANA E A UNIMED: A CRISE NA SAÚDE NÃO É SÓ PÚBLICA – EIS A PROVA...*
* O texto é longo, mas vale a pena. Uma história mais do que pessoal, uma reclamação sendo também encaminhada para a Ouvidoria do referido hospital: ouvidoria@beneficenciabauru.com.br

Eis como tudo começou. Noite de quinta, Ana Bia tropeça em uma fiação na sala de seu apartamento. Ao cair, apoia violentamente o cotovelo no chão e, pronto, ploft, muita dor e contratempos. Prefere não buscar atendimento médico durante a noite e o fazemos no dia seguinte. Por volta das 15h estávamos, eu e ela, no guichê de atendimento da Beneficência Portuguesa de Bauru, ali na Rua Rio Branco. Poucas pessoas na sala de espera, mas um atendimento se arrastando. Pegamos a senha, aguardamos a chamada, preenchemos a ficha e esperamos. O plano da Ana na Unimed é o da universidade onde é funcionária, nele incluído dois dependentes. Ela se sente indisposta, mal posso me aproximar do seu lado esquerdo. Senta num dos cantos da sala e dorme sentada, encostada num pilar. Eu tenho que permanecer acordado, por se também dormir, talvez possam chamar seu nome e perdermos a vez.

Chamam para a triagem e ao entrarmos, medem sua pressão e temperatura. O atencioso plantonista nos diz, para esperar na sala do lado de fora, pois seremos chamados pelo nome, mas adianta: “Vai demorar, o médico do turno foi atender uma emergência e não tem hora para voltar”. Nem ouso perguntar se o médico não fica disponível somente para atender os atendimentos do plano de saúde, mas também sobe para os quartos dos pacientes internados em caso de algo mais urgente, pois é o que está mais do que claro, evidente. Antes de voltar para a espera, espio na sala do médico, vazia. Querendo dizer algo, Ana me puxa e voltamos para onde pacientemente outros tantos esperam o retorno do dito doutor.

Converso com outros ao meu lado, trocamos opiniões sobre os motivos da demora. Um deles me conta que ali perto, menos de 100 metros, a Unimed está prestes a terminar um imenso prédio para disponibilizar ali muitos consultórios. Uma imensidão, denominada por ele de “Castelo da Saúde”. Enquanto o Castelo é erguido, na boqueta de entrada do mais antigo hospital privado de Bauru, a demora é injustificável. Ela dorme só num dos cantos, pois tem receio de que em algum momento eu posso encostar em seu braço. O tempo passa e, para minha sorte, não saio sem algo para ler, assim termino a edição inteira da revista Piauí deste mês, algo que, acredito não teria tempo para fazê-lo em qualquer outra oportunidade (devo concluir ter sido vantajosa a espera?). Por volta das 17h20 chamam pelo nome de Ana, rapidamente a acordo e vamos para o atendimento.

Inacreditável. Ficamos mais de duas horas numa sala de espera com poucos pacientes, por volta de uma meia dúzia e ao explicar o motivo de sua estada, o médico, um clínico geral, decide pelo óbvio: “A senhora vai ter que tirar um RX”. Não demorou mais que um minuto para fazer o que esperávamos. Permanecemos plantados ali esperando um baita de um desnecessário tempo. Por mais que tentem me explicar, sendo um plano particular e não dos de baixo custo (e mesmo se o fosse, o tempo de espera é injustificável), lá fomos nós para o tal RX. Do tal médico, nenhuma reclamação, fez o que tinha que fazer e da forma mais adequada possível. No RX, quando lá chegamos, por volta das 17h40, tudo normal, atendimento rápido e eficiente. A senhora do balcão nos diz que, o dia não foi todo assim de calmaria e a fila de espera durante o expediente foi de 20 pessoas.

De lá, voltamos ao médico, que olhou a chapa pelo sistema deles, via computador e nos disse: “Vocês vão ter que aguardar lá fora, pelo que vejo deve ter trincado, mas só o ortopedista me dirá o que fazer”. Tudo bem, entendemos. Ele iria ligar para o especialista, atender outro tanto de pacientes, pois depois das 18h, o fluxo de pessoas que saem do horário de expediente de trabalho cresce e depois nos avisaria ali fora. Sentamos e aguardamos. Quando pouco antes das 19h, somos novamente chamados, a decisão é por colocar uma tala de gesso em seu braço e voltar amanhã após 8h, para o ortopedista decidir o que de fato será feito. Vamos para a Ortopedia e somos atendidos por um funcionário dos mais dedicados, desses com tarimba, gente que sabe o que faz e vale a pena citar seu nome, pois resolve, José Carlos Correa. Rápido e preciso, pede para voltarmos ao atendimento médico, pois com certeza, Ana iria sentir dor à noite e seria melhor tomar analgésicos. Aqui deixo a pergunta: Imaginem o tempo ganho se tivéssemos sido encaminhados de cara para as mãos deste profissional e se lá tivesse um médico especializado para nos atender? Reclamam do atendimento público, mas no privado a coisa se repete.

Voltamos ao plantão médico e somos atendidos por outro médico, um que acabara de entrar a partir das 19h. Somos um dos primeiros a ser atendidos e ao voltarmos do RX, já o fizemos pela parte interna, sem passar pelo pessoal aguardando na sala de espera, essa hora, já bastante movimentado. Ana toma dois analgésicos nas nádegas, reclama um pouco e pelo tempo que ali estávamos, desde 15h, decidimos dar uma passada na Padaria Copacabana na quadra de cima, pouco mais de cem metros do hospital. Um lanche e para nossa surpresa, quem lá estava? O médico, o que havia acabado de entrar no seu turno de trabalho. Eu e Ana simplesmente nos olhamos, enfim, ele, assim como nós, devia estar com fome, necessidades do corpo humano. Na volta para casa relembro com Ana uma história de quando desloquei o ombro e me cansei do atendimento da UNIMED, demoras intermináveis até ser atendido, algo não resolvido até hoje, tanto ali como no hospital deles lá na rodovia e fui achincalhado por ela, por ter ido procurar buscar resolver nos plantões lá no Posto de Saúde do Mary Dota. Pois lá, naquele dia, fui atendido mais rápido do que Ana o foi hoje, pelo seu plano Top na UNIMED. Voltamos calados.

Ela dorme mal, mas consegue encontrar posição e a deixo esticar o sono até perto das 9h30. A acordo e hoje, antes das 10h estávamos na Ortopedia da Beneficência. Lá ficamos sabendo que o atendimento ocorre diariamente até 10h30. Ufa! Estávamos dentro do horário. Aguardamos quase nada e ao adentrarmos a sala, um médico muito atencioso, Francisco Marques Bueno. Explica em detalhes o ocorrido, um osso fora do lugar, um tal de OLÉGRAMO e a musculatura comprometida. Se engessar pode ser que, em 30 dias, tenha que assim mesmo operar, pois pode calcificar fora do lugar. Recomenda uma cirurgia no tal osso, com um arame especial, para fixar as partes separadas. Pergunta se ela estava em jejum, pois queria fazer hoje à tarde. Ana estava, mas recua e ele fica de ligar e ver se pode fazer amanhã, sábado ou segunda.

Por fim, fará segunda. Hoje saímos de lá, sem nenhum tipo de reclamação. Ela na tipoia até segunda e com a cirurgia, deve pernoitar no hospital um dia, saindo no seguinte. Voltamos para casa. A reclamação, a mesma de todos os Postos de Saúde da rede Municipal desta Bauru: uma demora incrível entre o momento da chegada do paciente no hospital e seu atendimento e nem sempre, o profissional adequado para resolver de uma só vez o procedimento correto. Algo precisa ser feito e o será com denúncias como essa, mais e mais, tanto para esferas privadas, como as feitas via e-mail por mim, como para as públicas. Algo pode, deve e necessita ser melhorado. Algo poderia ser iniciado pelo primeiro atendimento, o da recepção, do encaminhamento na chegada. Ah, se tivessem nos orientado para encaminharmos diretamente para a Ortopedia, com certeza, não estaria aqui a reclamar e seria só elogios, mas...

Complementando as informações, Ana passa bem e está sob os cuidados até segunda-feira deste prestativo HPA.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (102)


SILÊNCIO, VEREADORES PENSANDO SE APÓIAM REDUÇÃO DE CARGOS COMISSIONADOS.

Não se fala em outra coisa na cidade nesses últimos dias, a Prefeitura Municipal de Bauru está encurralada e necessitando promover uma drástica, enorme, dantesca, pitoresca e peremptória REDUÇÃO NOS CARGOS COMISSIONADOS, aqueles que oneram e pouco produzem. Tudo devido a novas normas a que ela tem que submeter de não contratar desvairadamente e fora dos padrões estabelecidos. Saindo publicado hoje no Diário Oficial do município o ACEITE do prefeito, ou seja, se enquadra ou fenece. Demonstra estar sendo obrigado ao enquadramento. Guardião, o super-herói bauruense entra no circuito e dá o seu pitaco sobre contundente assunto: “O tema é para ampla discussão, mas me reservo a uma questão, a do posicionamento da Câmara dos Vereadores, nossos ilustres edis, pois pelo que vi, li e ouvi estão de pleno acordo, desde que não cortem nada na própria pele, claro, a das benesses concedidas a alguns deles. Ou seja, apoio da boca pra fora, mas que ninguém venha propor ceifar os muitos cargos comissionados que alguns desses mantém dentro da estrutura municipal. O mais sensato, poderia me perguntar: ‘Mas vereador não é pago para fiscalizar? E se o é, como pode querer fiscalizar com gente sua atuando nas hostes da Prefeitura?’. Sim, mas tudo tem dois lados, responderia assim de bate pronto”.

Evidente que em tudo é impossível a generalização, pois existem vereadores não se beneficiando dessa forma de apoio, o do toma lá dá cá, ou seja, eu emprego seus amigos e você me apoia. Esses, para não serem colocados no mesmo balaio, precisam vir a público e demonstrar não compactuar com a esbórnia. “Na sessão da última segunda, o espetáculo teatral continuou a pleno pulmões, falatório dos mais impactantes, com muitos desdizendo da Prefeitura ou se fazendo de bobos com o tema passando longe de sua fala. A ação desses é aquilo que se denomina ali nas rodas de conversa da praça D. Pedro, ali defronte o prédio da Câmara em, JOGAR PARA A TORCIDA. A estratégia é das mais simples, eu finjo participar e você, claro, finge que vai cortar. Até corta, mas nada meu, estamos combinados?”, conclui Guardião.

Nos próximos capítulos, com a corda no pescoço, o prefeito precisa se posicionar e esclarecer se, vai mesmo chacoalhar a roseira, ou seja, levar a sério a reestruturação, pois do contrário, algo de mais sério pode vir a acontecer. Guardião encerra a conversa falando disso: “Circulam boatos de que, do jeito que está, talvez em poucos meses a Prefeitura não tenha nem mais caixa suficiente para continuar bancando os salários, quanto mais outros compromissos. Isso já pode ser constatado nos postos de saúde praticamente prontos, porém fechados e aguardando o gasto final, gente ali trabalhando. A grana anda muito curta. Aguardo ansioso a próxima sessão da Câmara e as próximas canetadas do prefeito para ver se ele leva isso mesmo a sério ou vai jogar pra torcida e contemporizar. E aguardo também o pronunciamento dos vereadores não participantes desse toma lá, dá cá, encurralando seus pares para dar fim na esbórnia. Nos próximos capítulos, veremos se o prefeito quer de fato começar a governar essa cidade ou tudo vai continuar como dantes no quartel de Abrantes. Na roda de apostas ali na praça Rui Barbosa, entre os que jogam dominó, as apostas estão cada dia mais altas. Preciso dizer pra que lado pendem a maioria delas?”. E dá por encerrado o assunto, saindo para sobrevoar a cidade, preocupado com assuntos outros.

OBS.: Guardião é criação do artista Leandro Gonçalez com pitacos deste mafuento HPA.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (121)


COMO A PREFEITURA TRATA A “REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA” – UMA PAUTA MAIS QUE JORNALÍSTICA
O plenário do Senado aprovou na semanas atrás, por 47 votos a 12, por meio de mais uma MP – Medida Provisória, a de número 759, essa tratando da regularização fundiária, promovendo alterações estruturais em legislações do campo e da cidade. A medida segue agora para aval de Temer, que pode sancionar o texto na íntegra ou apenas trechos dele. Como tudo segue sendo aprovado nos costados do povo, o certo é que, deve estar adentrando a área e com grande possibilidade de mais um gol contra os interesses populares. Explico.

Para entender o assunto se faz necessário dar uma acompanhada no que já foi publicado a respeito na imprensa:
1 - http://www.jcnet.com.br/…/bauru-aval-para-ter-areas-da-unia…
2 - https://www.nexojornal.com.br/…/A-MP-da-regulariza%C3%A7%C3…
3 - http://justificando.cartacapital.com.br/…/senado-aprova-mp…/
4 - https://www.brasildefato.com.br/…/oposicao-sai-do-congress…/

Resumindo tudo em poucas linhas, se trata disso: “Em vez de ser dada uma concessão para que a terra seja utilizada de acordo com sua função social e de forma hereditária, como se dá hoje, o governo passa a dar uma titulação. A nova modalidade, entre outras coisas, permite que o lote seja vendido a terceiros. A proposta também concede anistia a desmatadores e grileiros e faculta a vistoria que precisa ser feita para a comprovação do cumprimento das obrigações por parte do posseiro. Já na área urbana, a medida flexibiliza a regularização de loteamentos e condomínios fechados de alto padrão e extingue o licenciamento ambiental diferenciado para áreas consideradas de interesse social. Também revoga os dispositivos que obrigam loteadores irregulares de terras públicas a adotarem medidas corretivas, repassando essa competência ao poder público, que fica impedido de ser ressarcido pelo dano”.

Sou procurado pela estudante de Jornalismo Caroline Mazzer de Souza Polito com essa pauta nas mãos e com essa proposta a ser seguida, pedindo minha resposta por escrito.: “Evidenciar os prós e contras da aprovação dessa medida. Mostrar que, se por um lado ela promete facilitar a concessão de títulos de terras públicas ocupadas irregularmente, por outro, a proposta também facilitaria a regularização de terras, sem a devida comprovação de que a pessoa ocupa o terreno, o que poderia incentivar a prática de grilagem. A proposta geral é evidenciar os possíveis interesses envolvidos na aprovação dessa medida, e qual a repercussão para movimentos como o MST, que aguardam a reforma agrária. O tema é de nível nacional, mas para facilitar a contextualização regional e o acesso as fontes, se abordará em nível da cidade de Bauru”.

Respondo ao questionamento da seguinte forma:
Meu interesse nesse momento é acompanhar como a Prefeitura Municipal de Bauru, através da SEPLAN – Secretaria Municipal de Planejamento, na pessoa do prefeito Clodoaldo Gazzetta e da secretária da pasta Letícia Rocco Kirchner estão pensando em tratar o assunto. O atual Governo Federal tem claro liberar tudo para a especulação imobiliária, ou seja, a realização de negócios favorecendo grupos econômicos, tudo em detrimento do trabalhador. Não espero nada, mas nada mesmo de bom vindo deste Governo a favorecer a classe trabalhadora e os movimentos sociais. O alerta deve estar mais do que ligado e todos os envolvidos nas questões relacionadas com a reforma agrária já estão se movimentando para impedir que o pior aconteça. Quanto a Bauru, muito simples, o prefeito tem uma batata quente nas mãos, pois selou compromisso com mais de 800 famílias assentadas em área praticamente urbana e tem prazo para resolver o problema. Ficou de arrumar local para abrigar todos e sofre enorme pressão para atender interesses dos especuladores, esses sempre muito atuantes na cidade. Algo que, deveria em princípio atender interesses populares pode estar sendo desviado e atenderá o interesse de uns poucos. Acompanhar cada detalhe, não permitindo que isso ocorra é papel de todos os interessados na solução dos graves problemas sociais que o país atravessa. Como existe pressão de todos os lados e nos dias atuais, sem ela, tudo se perde, creio que essas terras, quando repassadas ao município só chegarão às mãos dos menos favorecidos com muita luta. Mas muita luta mesmo.

Como sei que ela já deve estar finalizando sua matéria, com certeza já procurou ter outros interessados no assunto, para responder de que forma a MP irá facilitar o recebimento de terras da União pelo município e também se essa medida prejudicará o processo de assentamento de terras.