terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Memória Oral (221)

Como uma comunidade rural italiana resolve parte de seus problemas

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Bouquinistes na beirada do Sena

domingo, 18 de fevereiro de 2018

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (152)


A FOTO QUE MAIS ME TOCA DA DESCIDA DO BLOCO DO TOMATE EM 2018
Essa foto me intriga. Digo dos motivos. Praticamente todos os anos, quando da descida do bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o BAURU SEM TOMATE É MIXTO pelo Calçadão da rua Batista de Carvalho, no sábado da folia, se juntam aos foliões vários personagens do centro bauruense. Adoramos quando acontece essa integração e a cada ano uma personagem nova é vista toda feliz da vida bailando junto de nós. Nesse ano foi essa simpática moça da foto e como tirei a foto, conto algo mais de como a fiz.

Eu a vi toda pimpona, alegre da vida, dançando conosco e já a havia visto nas ruas bauruenses, mas precisamente nas imediações da Baixada do Silvino. Fui tirar uma foto dela e ela se mostrou séria. Tirei e fui conversar, disse que todos estávamos muito felizes dela estar ali. Ela me deu um baita sorriso e disse se podia pular conosco. Dei um abraço nela e disse: "Claro, a rua é nossa". Ela sorriu e seguiu conosco até quase o fim do desfile, quando não mais a vi.

No dia seguinte, seguindo de carro pela avenida Nuno de Assis, quase perto do cruzamento com a Nações UNidas, paro no sinal e quem vem no meu vidro, a moça. OLho para ela e me assusto: "Você". Ela não entende nada e lhe digo: "Você pulou Carnaval ontem conosco lá no Calçadão. Gostou?". Ela se lembrou de mim, disse que morava ali perto, debaixo da ponte, mas estava tendo problemas. Eu vi os tais problemas dias atrás quando a Polícia Militar retirou moradores de rua debaixo da ponte e os expulsou do lugar, a parte coberta debaixo da ponte. Momentos depois, como todos voltaram, os mesmos policiais, percebendo ter bastado eles terem virado a esquina para todos voltarem pra debaixo da ponte, atiraram bombas de efeito moral no lugar. Foi uma correria. Assim dispersaram os sem teto do lugar.

Agora sei, dentre eles, a tal moça, que não tem moradia fixa. Mora como pode e a ponte era um desses lugares. Sua imagem não me sai da cabeça. São tantos na mesma situação, sem eira nem beira, sem abrigo, sem ter um lugar para chamar de seu e nem para poder encostar o corpo e descansar. Cada vez que olho para sua expressão, forte, resoluta, brava, dessas que nem um pouco resignadas, o coração fica apertado. O Brasil nunca vai dar certo enquanto tanta gente continuar morando nas ruas e sem esperanças de sair dessa vida.

Eu não mais a vi. Toda vez que passo por ali, olho pra debaixo da tal ponte, mas nada dela. Se foi impedida de ali permanecer, deve ter buscado outro lugar. Nem sei o que poderei fazer por um deles, quando vejo tantos, mais e mais gente pelas ruas, todos em andrajos, gente que poderia ter outro destino. Eu a queria ver feliz como naquele dia da descida do bloco de carnaval, mas sei que sua vida deve ser das mais duras e aquele foi um rompante, raro momento em que sorriu alegre. A moça que embelezou nosso desfile está sumida, perambulando pela aí, sabe-se lá onde. Como ser totalmente feliz diante da repetição de cenas como essas, cada vez mais comuns em países como o nosso, reinado capitalista? A gente tenta ser feliz e mesmo se considerando privilegiado, impossível o ser totalmente. Em cada esquina trombo com alguém na mesma situação, daí, o coração segue apertado.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (110)


O QUER FAZER DIANTE DE UMA ENCRUZILHADA?
Decisões são mais do que importantes na vida, pois derivam dela quase tudo o que ficará da gente para a posteridade. Estar em dúvida diante delas, algo mais natural deste mundo, ainda mais quando interesses dos mais conflitantes estão em jogo. Dar aquela parada para pensar, refletir e ver onde o próximo passo deverá ser dado é algo a envolver todo o futuro. Guardião, o super-herói bauruense escreve nesta semana sobre o impasse que o prefeito bauruense Clodoaldo Gazzetta está metido desde o começo de sua administração. Vejam sua fala:

"Por quais interesses o prefeito Clodoaldo Gazzetta foi eleito? Isso demonstra muito bem os passos dados até o presente momento. Se ele pende para o lado dos interesses opostos aos da população, talvez entendamos com isso, quais outros interesses ele tem em jogo e pesando na balança, o fazem não abandonar o barco daqueles que o fizeram chegar ao Palácio das Cerejeiras. Tudo bem que, por detrás de sua campanha e de seu primeiro ano de Governo, fez quase tudo o que lhe impôs os que bancaram e bancam sua governabilidade, mas ele não pode esquecer que, além deles, quem o elegeu de fato foram as camadas populares e virando as costas para seus interesses, poderá estar caminhando rumo ao precipício", alfineta Guardião.

O comentário ocorre numa semana decisiva para o prefeito, quando ele é retratado pelo bloco carnavalesco Bauru Sem Tomate é MiXto como algo parecido como um "bonecão de Olinda", muito pelo seu tamanho, jeito meio desengonçado e pro claudicar, momento querendo ir para um lado, momentos seguindo para outro. "O prefeito precisa decidir para quem veio ou sua popularidade que já não é alta, vai despencar. A saraivada de críticas é pertinente e deve prosseguir. No caso da aprovação das OSs - Organizações Sociais, não pegou nada bem ele bancar o acordo com o Governo estadual e fazer ouvido mouco para o que virá pela frente, algo impagável para os cofres municipais. Quem o empurra nesse sentido? Está na hora de abrir o jogo do que o governador lhe propôs de tão interessante, que não queira ser demovido da ideia nem com reza brava. O triste dessa história toda é que, infelizmente, ele vai demonstrando o seu lado preferencial quando das decisões. Tudo bem, é sabido das pressões das tais "forças vivas", as que impõem como deve ser a conduta de um prefeito, mas fugir disso e atender os anseios populares é muito mais salutar, pois esses decidirão seu futuro", diz nosso super-herói.

A encruzilhada é a melhor forma de demonstrar a dúvida do momento. "Estaria mesmo ele com alguma dúvida ou sua opção preferncial pelos mais abastados já está mais do que escancarada? É o que veremos no próximo capítulo desta intrigante novela. Ele não está com o pé em duas canoas, como querem alguns, pois até a presente data não disse uma única vez sonoro NÃO para os que lhe dão sustentação. Só que, do tamanho que se apresenta, pode perder o equilíbrio e se bater um vento mais forte, não vai ter onde se segurar e poder tombar. A decisão é dele e dos seus. Com ela ficará marcado para todo sempre", conclui o intrépido capa e espada bauruense.

OBS.: Guardião é obra da verve e traço de Leandro Gonçalez, com intercorrências e maledicências escrevinhativas de um tal mafuento HPA.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

COMENTÁRIO QUALQUER (172)


SEMPRE EXISTIRÁ SAÍDA PARA QUEM GOSTA DA VERDADE DOS FATOS – EM BAURU EIS O “JORNAL DOIS”
Ela nunca vai ser só por uma via, mas hoje com os jornalões em descrédito, algo novo pinta nas paradas de sucesso e cai nas graças de quem gosta de ler algo dentro da verdade factual dos fatos. Quando os ditos órgão da imprensa tradicional deixam de investigar e publicar algo sobre os desmandos dos poderosos (o fizeram um dia?), nada como observar se não existe algo alternativo cumprindo esse papel. Sempre tem um ou outro resistindo, algo coletivo ou mesmo pessoal. Boas lembranças tenho do portal Participi (https://www.facebook.com/participi), cria de dois jovens universitários, cheios de ideal e juntando força para produzir informação qualificada. Minguaram os anunciantes e eles não resistiram mais do que um ano. Cada um seguiu seu caminho. Outras iniciativas surgiram, cito uma.

Quem ocupa esse espaço neste momento é o JORNAL DOIS, também oriundo de uma iniciativa universitária. Eis o link deles para constatar algo do que já é feito: https://medium.com/jornaldois e também a página no facebook: https://www.facebook.com/jornaldoisbauru/. Nesse exato momento, alguns dos títulos demonstram como é a pauta do que fazem, bem diferente do jornalismo tradicional: “Por trás do desfile: samba, suor e labuta no carnaval bauruense”, “Em Bauru, não tem como viver de drag”: conheça Danielly Angell, Rainha da Diversidade do carnaval” e “Quem paga a folia de carnaval?”. Textos gostosos de ler e mostrando uma versão com uma pegada perdida pelo jornalismo tradicional, o de escarafunchar o que está por detrás de tudo, mas com a ótica do oprimido, do povão, seu lado B, o que labuta, o do ultrajado trabalhador.

No QUEM SOMOS do site algo sobre a formação do grupo: “Princípios editoriais - O JORNAL DOIS surge com a proposta de ampliar o debate em Bauru. Somos um grupo de jornalistas, designers, colunistas que pretende apresentar a informação de um jeito diferente: o da mídia radical. Mídia, um meio que dá suporte à produção e compartilhamento de conteúdo. Radical, que procura chegar à raiz dos problemas. Acreditamos que a diversidade de informação é fundamental para um jornalismo mais justo e democrático. Isso significa que estamos do lado que coloca em xeque as notícias dos grandes jornais, TVs e rádios. Muitas vezes, esse tipo de mídia trata dos assuntos com vista grossa e prezam mais por interesses econômicos do que pela responsabilidade com o público”.

Iniciativas dessa natureza oxigenam o jornalismo em qualquer cidade e diante de faculdades de Jornalismo na cidade, nada mais justo do que algo ser devolvido para a comunidade na forma de um jornalismo saudável, até para que o tradicional se toque. Tenho comigo que, não vamos mudar algo jornalístico que foi criado desde a concepção para defender os interesses da minoria privilegiada. Quem veio, surgiu com essa finalidade, sempre atuará dessa forma, daí não dá para esperar nada de diferente vindo deles. Quando surge no ar algo como esse JORNAL DOIS, uma luz no final do túnel e uma esperança renovada de que o jornalismo de verdade não morre nunca. Incentivar essa molecada (sangue novo, disposição na ponta dos cascos) a transgredir mais e mais o sistemão carcomido pelos vícios jornalísticos é algo mais do que necessário. Viva o Jornal Dois! Conheçam a proposta deles e os incentivem a não desistir da boa ideia.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

ALGO DA INTERNET (137)


NÃO VAMOS DEIXAR ALGO TOMAR CONTA DE NOSSAS VIDAS

Abominar quem faz apologia ao racismo, ao machismo, ao fascismo, ao neoliberalismo, à pedofilia e tantos outros ismos é uma coisa, mas exagerar é outra. Vamos tomar cuidado para não atacar quem não seja de fato merecedor, pois esse treco de denúncias resvala em algo ainda pior. Não é o caso do que vejo ocorrer nesse caso, mas hoje existe uma turba procurando encontrar deslizes em tudo o que fazemos e daí, dá-lhe porrada. Menos, gente!!! O mundo está tão descabido, tão de pernas pro ar que, a partir de algo inexpressivo, tem início homéricas campanhas contra a pessoa e ela pode ser destruída e sem culpa formal. Peguemos mais leve, vamos consultar, se informar mais. O que vejo ocorrer com a Cristiane Ludgerio, a comandante do Carnaval do Bloco Estação Primavera, lá do Redentor é algo servindo para um repensar. Uma denúncia totalmente infundada e certamente vinda por desconhecimento. Bastava ler o enredo e se certificar do que ali constava, mas poucos fazem isso hoje em dia. O facebook é propício para exatamente isso, o "eu acho e sento a lenha". Não devemos crucificar quem fez a infundada denúncia, pois o fez por desconhecimento de causa, mas que isso sirva de alerta. Eu mesmo já comentei em muitos posts crendo que aquilo era verdadeiro e quando fui ver, baita vergonha, não o era. Envergonhado, pedi desculpas e fui enfiar a cabeça num buraco. O post da amiga Cris, seu desabafo diante da agressão sofrida é ótimo pra gente iniciar um amplo debate sobre os excessos e exageros facebookianos e de denúncias de apologias.O que for de fato apologia, pau nele, mas que só vicejem com conhecimento de causa.

O texto da Cristiane: “E em plena comemoração ao título... Leigos resolvem atacar da forma mais baixa que um ser humano pode atacar!
Insinuar que fiz apologia ao racismo... Logo eu?
Amor.. o estudo é uma virtude... Pesquise sobre os Farricocos, uma cultura linda Brasileira, logo ali em Goiás.
Não menospreza minha inteligência, colocando em dúvidas a minha intelectualidade e capacidade de profissionalismo.
Eu jamais cometeria tamanha agressão.
Segue postagem.....”
, carnavalesca da Estação Primavera Cristiane Ludgero.

Fiz esse comentário no texto anterior e o reproduzo aqui: "A Cristiane consultou a mim e a outras pessoas antes de decidir levar para avenida algo com o Farricoco de Goiás. Com umaa pesquisa simples com esse nome no google tudo se soluciona. Vejam isso: http://folclorevertentes.blogspot.com.br/.../farricoco.html. Hoje existe algo meio fora de controle nessas denúncias de que tudo pode estar sendo feito fazendo apologia para isso e aquilo. Existe um exagero nisso tudo e aqui algo nesse sentido. Exageros demonstram algo que não deveria permear o mundo do Carnaval e distanciar pessoas, servir para produzir inimizades, enquanto poderíamos todos estar unidos até pela preservação da festa. Nesse caso, o que Cristiane produziu não tem nenhum pingo de racismo".


Ou damos todos uma repensada coletiva nisso tudo ou amanhã será um tal de perseguir o outro por qualquer peido em sala de jantar. Ou nem peidar podemos mais? Patrulha também tem limite...

CARTAS (185)


“TOMATE É A TUIUTI DE BAURU”*
* Uma carta da lavra e responsabilidade deste HPA para o Jornal da Cidade, Bauru SP, Tribuna do Leitor, com solicitação de publicação:
O título está entre aspas, pois foi desta forma que um amigo nos denominou. O bloco farsesco, burlesco e algumas vezes carnavalesco, o Bauru Sem Tomate é Mixto sente-se lisonjeado com a lembrança. Produzimos algo inusitado no Calçadão da Batista, sempre ao meio dia do sábado de Carnaval e além da festa, escancaramos algo do ocorrido nas hostes bauruenses no ano passado. Retratamos algo, considerado por nós, como nada recomendável para os padrões do benfazejo em prol da aldeia bauruense e assim, homenageamos negativamente os que pisaram na bola e no tomate (ui!). Alguns desses fazem ouvidos moucos, outros não se aguentam e reagem, daí entramos em estado de puro êxtase, com a absoluta certeza do dever cumprido. Quando a carapuça serve é sinal do acerto na escolha. Na letra da marchinha deste ano, “Na cidade dos Bruzundangas: De bordel a quartel, em cada esquina um coronel” ou nas homenagens do Prêmio Desatenção, a folia ocorre com mais galhardia, picardia e galhofa quando os incomodados se remexem na tumba.

E além da galhofa este ano estamos sendo comparados com o que a Paraíso do Tuiuti apresentou no carnaval carioca e levantou não só a massa, como o troféu de vice-campeã (já é a campeã absoluta na aceitação popular). Estamos lisonjeados, mesmo cientes de que as escolas de samba cariocas não são bons exemplos de retidão, pois comandadas por rufiões e contraventores. Enfim, nada diferente do mundo empresarial de sucesso no capitalismo, todos campeões em sonegação e inocência (sic). O enredo da Tuiuti é pra lá de ótimo e se até eles, com todos os deslizes cometidos já cansaram das mazelas deste país e estão na vibe, atacando o golpe e seus nefastos efeitos é porque a coisa degringolou de vez. Para conserto, sabemos, não são mais possíveis simples chacoalhões ou acordos entre as partes e sim, uma ampla, geral e irrestrita virada de mesa com tudo o que estiver em cima.

O Tomate propaga isso já há seis anos e neste teve até entrevista cancelada sob a alegação de que na dita TV, não se “misturava carnaval com política”. Outro fez a entrevista, mas pediu delicadamente para não darmos no ar nomes aos bois, ou seja, a citação dos agraciados com a premiação pela desatenção (Pedro Tobias, Clodoaldo Gazzetta e coronel vereador Meira). O Tomate resiste e fica todo cheio de jubilo e contentamento com a comparação, pois entende o sentido dado, o da persistência, resistência e luta, ideal inquebrantável. Promete seguir na mesma trilha, sempre pelas vicinais, rebarbas e desvios, cutucando os que se apequenam diante da defesa dos interesses dos trabalhadores, tudo para atender interesses dos ditos donos do poder, os tais manipuladores de massas. A gente vai levando, sem lenço e sem documento, sem medo de ser feliz, de abrir a boca e gritar bem alto. E mais, a gente não se borra com intimidações baratas e levianas. Enfim, a gente só queria que esses tais não desmerecessem o nome de Bauru pela aí. E se o fizerem, a tomatada com certeza ao atingirá em cheio.

Henrique Perazzi de Aquino – pelo Bauru Sem Tomate é MiXto