domingo, 22 de abril de 2018

FRASES DE UM LIVRO LIDO (126)


ONTEM FOI DIA DE REVER RENATO BUENO POETAR DEBAIXO DO VIADUTO – ALGO DE SEU LIVRO “PALAVRA OCULPADA”

Sábado foi dia de mais um SARAU DO VIADUTO, aquele instigante evento ocorrendo ali debaixo do viaduto da Nações Unidas com a Duque de Caxias. Por ali já passaram nomes dos mais conhecidos no cenário do hip hop local, regional e mesmo nacional, além de expoentes da literatura dita como marginal, mas na verdade, uma juventude pulsando o que ocorre nas ruas e quebradas deste insólito país. Impossível não olhar para este evento e não se lembrar de um dos seus idealizadores na cidade, RENATO BUENO. Esse jovem bauruense criado no Geisel, estudante de Letras na USC, está todo sábado nas ruas do Calçadão da Batista na Biblioteca Móvel Quinto Elemento e hoje, com certeza, estará em mais um dos saraus. No Ato Pró-Defesa de Lula ocorrido domingo passado, 15/4, na praça Rui Barbosa, abrindo o leque dos convidados, antes de poetar, começou sua fala com um contundente: “Falar aqui não é um convite, pois quando é luta e causa a gente está aí” (https://www.facebook.com/henrique.perazzideaquino/videos/2074602422569756/). Renato faz poesia com a linguagem das ruas, pulsante e impulsante, sentida e cheia de um sentimento latente, o das lutas passadas, vividas e por vir. Meses atrás lançou um livro, o seu primeiro de poesias, o ‘PALAVRA OCULPADA’, edição do autor vendida de mão em mãos. Neste mesmo dia do ato na praça, ao vê-lo, pouco antes da sua fala digo estar chateado, pois até a presente data não havia tido a oportunidade de comprar sua obra. Não se fez de rogado, abriu a matula e me sacou um, com dedicatória e tudo (R$ 20 reais muito bem empregados). Dele extraio algumas poucas frases, poesia recortada por mim e aqui exposta para ajudar a divulgar este mais que belo livro, algo não só de lindo projeto gráfico, mas algo a encher este velho lobo do mar de esperanças, pois Renato está pronto e acabado para a contendas todas pela frente, desde as literárias até as libertárias. Sintam a força de sua verve:

- “O que coube em mim ocuLpou a palavra”.
- “Cachaça é um/ poema preso num gole/ soluçando poesia/ escrito em letras/ garrafais/ enquanto a vida/ aguardente”.
- “Viaduto é o teto/ salarial de quem só tem o mínimo”.
- “Sou mais o caminho/ que a chegada/ quem chega/ acaba/ só”.
- “Não tem Dorflex/ quando o músculo que dó/ é o coração”.
- “Lá fora o mundo conspira aqui dentro/ a gente transpira”.
- “Uns pregam amor/ outros só pregos”.
- “Pés perdidos – a gente troca os chinelos/ mas o problema é o caminho”.
- “Pra Uns lençol de fino linho/ Pra outros infelizmente é o fim da linha”.
- “Quem se alimenta de ódio não pode querer/ amor/ de sobremesa”.
-“Conheça teus índios/ e saberá quem tu és/ Conheça teus negros/ e saberá quem somos”.
- “Importante não é a cor dos dentes/ mas os motivos do sorriso”.
-“Enquanto o sinal da fábrica/ soar igual ao sinal da escola/ não será um bom sinal”.
- “Privatizam os lucros/ Estatizam as perdas”.
- “O que não couber na palavra/ Caberá num abraço”.


OUTRA COISA
QUERIDO
"Son miles cada día, bolsas y bolsas que cansan a los carteros y asombran a los empleados de la Superintendencia de la Policía Federal de Curitiba, en el estado brasileño de Paraná. Luiz Inácio Lula da Silva, detenido bajo acusaciones de corrupción, recibe cada día un correo masivo. Las cartas invariablemente comienzan con la frase “Querido presidente Lula”. La catarata postal fue idea de la ex presidenta Dilma Rousseff, que difundió la dirección de Lula: Rúa Professora Sandália Monzon, 210 - Santa Cândida, Curitiba/PR, CEP (código postal) 82640-040, Brasil", nota publicada hoje no melhor jornal diário da América Latina, o argentino Página 12.

sábado, 21 de abril de 2018

RELATOS PORTENHOS / LATINOS (50)


CONVERSANDO COMIGO MESMO – CONSIDERAÇÕES E ACHAMENTOS

Hoje é sábado, rola aqui na vitrolinha um Miles Davis e logo mais a noite terei o inenarrável prazer de assistir mais um show da cantante e encantante Cida Moreira, no SESC Bauru. A vida rola, não tão solta como dantes, pois estamos vivendo, mesmo os canarinhos desdizendo do assunto, tempos sombrios, perversos, cruéis e de evidente retrocesso. Temo pelo meu filho, 24 anos e querendo cursar mais algo pra ver se chega em algum lugar. Eu mesmo, do alto dos meus 57 anos (rodo mais um ano em junho) não quero chegar em mais nada a não ser fazer o que estiver ao me alcance para reverter essa bosta onde esses malditos golpistas nos enfiaram. Que mais posso querer? Ainda ouço a música que gosto, isolado aqui neste bunker mafuento, beirada do rio pestento denominado Bauru, vivo no meio de papéis, livros e memória. E como ela dói.

Ontem a noite mais uma das certezas destes tempos. Fui tentar ser agradável com um bestial, deases cegamente endossando tudo o ocorre, contente da vida com as transformações para pior. Ele na casa dos 65 anos, nos cruzamos no caixa de um bar e lhe disse querendo ser agradável, pois mesmo na baita adversidade da linha de pensamento e ação, havia até então um respeito: “Quem lhe mandou um recado e disse queria muito conversar contigo foi o ______”. E lhe declinei o nome. Sua fisionomia se transformou: “Mande aquele comunista pra PQP. Não quero mais papo com gente assim”. Fechou questão. Deu para entender? Acabou visceralmente a cordialidade até então existente. Essa trégua de décadas permitindo um diálogo entre os de opiniões divergentes, hoje já não é mais possível. Os tais de verde-amarelo nas ruas fecharam questão e as portas. Se antes, ainda conversavam, hoje não mais. Hoje já são muito agressivos, amanhã sei lá o que farão conosco se nada fizermos já para dar um breque na bestialidade ululante.

Quer outro exemplo da profunda desilusão com o ser humano, esses mesmo aqui já citados, os canarinhos. Li isso ontem num comentário nas redes sociais. O sujeito postou algo mentiroso contra o ex-presidente Lula e foi chamado a atenção: “O que você está espalhando é mentira e sei que sabes disso. Te conheço, seu grau de instrução, seus conhecimentos, me diga, como pode espalhar mentira nesse momento de tanta incerteza?”. Sua resposta, de forma curta e grossa é o exemplo de como caminham as coisas: “Eu sei que o que reproduzi é mentira, mas isso faz parte do jogo”. Entenderam? Faz parte do jogo mentir descaradamente, tudo para atingir mais rapidamente objetivo dos mais sórdidos. Minha conclusão: Não existe mais ética, verdade, sensatez e muito menos amor ao próximo, dignidade e possibilidade de entendimento entre as partes.



Eu reajo, ainda me permitem escrever. Alguns sinais me tocam profundamente. Num sinal ontem um jovem nipônico me vendo estacionar o carro, pede se pode fotografar o adesivo no vidro do meu carro (Lá está: "Yes, nós somos bananas - Fora Golpistas"). Permito e ele sorri: “Queria ter a tua coragem e colocar um desses aqui no meu estabelecimento, mas...”. No bar noturno, uma senhora se aproxima: “É o sr Aquino?”. Na afirmativa me enche de orgulho: “Sou mãe de um grande amigo do seu filho. Leio o que escreve e acompanhei o desenvolvimento intelectual do seu filho, hoje um ser pensante, liberto, livre, cabeça consolidada. Sei que isso tem a sua cara”. E me disse mais, naqueles momentos em que você se vê sem chão, orgulhoso de si mesmo, todo pimpão. Mas de que vale isto diante deste doentio momento do país? Vale que, talvez, por ter dado a educação adequada ao filho o tenha exposto demais, pois pensando e não agindo como manada, vai dizer o que pensa e isso sempre causa problemas, ainda mais diante de um regime de exceção como as amostras sugerem estarmos adentrando. 

O CD do Miles Davis termina na vitrolinha, o cão Charles deitado ao meu lado de barriga para cima se alvoroça quando levanto para mudar a música. Volto no tempo e saco um do selo Revivendo, “Mário Lago – 90 Anos”. Se soubessem ter sido ele a vida toda comunista, muitos não mais vão querer ouvir mais nada de sua lavra. Cá estou neste feriado de Tiradentes na capital da Terra Branca, reduto hoje de coxinhas múltiplos e variados, aumentando o som e indo lavar meu cão neste sol que se alevanta lá fora. Em Bauru, além do Sarau do Viaduto e do show da Cida Moreira, nada mais a movimentar a modorrenta vida. Ah, como queria estar lá no Acampamento de Curitiba em solidariedade ao ex-presidente Lula e vivenciar ao vivo e a cores algo dessa resistência ainda possível. Sendo lá que as coisas hoje acontecem, em pensamento me transporto para lá enquanto o Lago canta uma velha música do Francisco Alves, “Fracasso”. Que feriado de bosta esse!


VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA - POR ERIC NEPOMUCEMO
Um ótimo texto, publicado hoje no melhor jornal diário do nosso continente, o argentino Página 12 e pela pena de um dos melhores jornalistas brasileiros, mais lúcido que nunca nestes sombrios tempos:
https://www.pagina12.com.ar/109617-verguenza-verguenza-verguenza

sexta-feira, 20 de abril de 2018

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (114)


ANÁLISE CONCEITUAL EM CIMA DE UMA FOTO
A foto é essa publicada hoje no único jornal que restou da mídia massiva bauruense, o Jornal da Cidade e estampa uma matéria sobre os desdobramento de repasses financeiros e sobre os procedimentos averiguativos do dia a dia da Funprev pelo vereadores. Primeiro o link da tal matéria: https://www.jcnet.com.br/…/funprev-tera-novo-aporte-so-em-2….


Eu viajo na maionese e sei que o faço. A Funprev administra hoje um caixa de inestimável desejo. Tem quem sonhe em ganhar na loteria e tem quem sonhe em ter um saldo daqueles em sua conta pessoal. Nós já tivemos em administrações anteriores gente da Câmara chegando a dizer que aquilo tudo era muita grana para ser administrada por um simples servidor municipal. Queria ele dar um jeito de aconselhar, ser uma espécie de mentor, cuidador ou mesmo o aplicador de algo de tamanha envergadura. Por sorte o cara não está mais na Câmara e hoje, tudo por lá é menos ousado.

Não venho aqui para discutir os repasses de dinheiro obrigatórios da Prefeitura, recolhidos dos funcionários e entregues ou não no caixa de quem um dia lhe garantirá a aposentadoria. Essa é outra história e tem tantos meandros que, num primeiro momento, diante de um caixa ainda muito alto, pelo que vejo os reajustes brecaram. Mas o que existe em caixa hoje, ainda é algo incomensurável diante de caixas tão baixos em instâncias outras do poder público (do das pessoas também). A cobiça sempre existiu. Se bobear e permitido fosse, muito daquilo já estaria rodando pela aí com promessa de pagamento futuro e até juras de joelhos dee pagar em dia.

Por sorte não são os nobres vereadores quem dão a palavra final no uso da grana, pois movidos por interesses variados e múltiplos, creio os servidores teriam muito mais dor de cabeça do que com a atual situação. Mas não foi por isso que divago sobre o assunto. Eles estão na foto a fiscalizar o bom uso da coisa, ou pelo menos é para isso que foram eleitos. Vereadores de um lado e servidor/diretor da Funprev de outro. Olho para a foto e penso cá com os meus botões: o que estaria passando na cabeça de cada um deles ali diante das explicações sobre repasses, caixas, uso mensal, com direito a juros, lucros e perdas? Trata-se de uma foto enigmática e difícil decifrar todo o seu potencial, tudo o que nela está contido.

Diante deste momento brasileiro, tudo perdido e pela hora da morte, bancarrota assumida, golpistas destruindo o que nos resta de nação, confesso que essa foto me tocou mais do que devia no dia de hoje. Eu dobrei o jornal, a deixei em primeiro plano e a carrego comigo durante o dia. Parava o carro no sinal e olhava em sua direção, a imaginação ia longe e voltava tão logo o sinal abria. Almocei com ela do meu lado, dava uma garfada e tentava me colocar na mente dos verereadores e da assistência. Fui fazer as necessidades e no momento de fazer aquela excessiva força também pensei muito (e com força) em como seria bom se pudessemos desvendar a mente humana.

Por fim, no final deste dia compartilho a foto com todos e afirmo, escrevo isso tudo não por desconfiança dos vereadores, longe disso. Eles estão ali cumprindo o que lhes cabe. A foto me caiu às mãos logo cedo, justamente quando pensava sobre o desdobramento da mente humana em relação ao dinheiro e achei pertinente um estudo alucinativo sobre o tema. A alusão feita aqui entre as situações e possibilidades são só para simples exercício mental, pois vivendo num mundo movido por dinheiro, esse assume exagerada importância, tudo girando em seu entorno e contexto e daí, a gente pensa e repensa, tanta coisa na mente, Me pus a imaginar o que estaria na mente de cada um ali naquele momento. Isso me fez passar o tempo e esquecer das dívidas. E por fim, que faria um simples mortal como eu se tivesse a senha do cofre do Tio Patinhas?

quinta-feira, 19 de abril de 2018

UMA MÚSICA (159)


VENDO A BANDA PASSAR E SEM NADA FAZER – A INDIFERENÇA/TRISTEZA NOS RODEANDO
Somos mesmo cagões. Mino Carta, meu jornalista sempre de plantão repete a todo instante: “Falta sangue na História do Brasil”. Uns podem dizer que o povo resiste. Sim, vejo a resistência, sou parte dela, mas a imensa maioria segue bovinamente. Ando pela rua e ontem no Calçadão da Batista sento num banco e me ponho a olhar para a fisionomia das pessoas. O momento atual é ruim para todos, mas não vejo nenhuma expressão de revolta na face das pessoas, tipo querendo virar a mesa. As explicações para essa apatia são muitas, algumas me contentam, outras não. Quem resiste e coloca a cara para bater contra esse estado de coisa, esse ilegítimo desGoverno golpista a nos apunhalar são poucos, muito poucos. Poucos se expõem. O mesmo Mino citado lá no alto voltou a dizer dias atrás: “Estive num evento grandioso antes da prisão de Lula e fiquei observando para os lados. Cheguei a triste constatação, não vai haver resistência, alguns falam, mas poucos estão de fato dispostos a sangrar pela devolução do país como o tínhamos. A maioria dos que que resistem não saem das palavras, nada mais”. Sei disto.

No sinal de trânsito, paro o carro e vejo um senhor cambaleante se aproximar, bem vestido, roupas simples, limpo, mas muito empobrecido e fazendo algo que até então nunca o tinha visto, esmolando nos sinais. Mora no Gasparini, o via varrendo sua calçada, sempre sorridente, cumprimentado a todos. Com a diminuta aposentadoria, diante do desolador quadro atual foi parar nos sinais. Me reconhece, dou o que tenho nos bolsos e sem saber como reagir, ofereço carona. Recusa, agradece e diz precisar de mais para pagar suas contas em atraso, dispensa vazia e permanecerá mais algumas horas por ali. Já era perto das 18h, saio quase em pratos e no jornal o economista à serviço da crueldade diz que tudo está se encaminhando a contento, que o país está sendo reparado. E nós o deixamos mentir descaradamente diante dos fatos comprovados na rua, dia após dia. Nem reagir o fazemos a contento.

A amiga liga, cabelereira conhecida, diz não poder mais gastar, investir em algo sem retorno. Os salões a chamam para trabalhar, mas tem que gastar para ir e voltar, comer no serviço e esperar que os clientes apareçam. E eles não surgem, permanece lá esperando e gastando o que não tem. Diz não querer mais trabalhar neste ramo e na ligação desaba, diz que conheço muita gente e se souber de alguém necessitando de faxineira, que a acione, faz qualquer negócio. Reafirma antes de desligar: “A situação piorou demais, nem os clientes que vinham em casa, esses sumiram de vez. O que aparecem são os querendo fiado, mas não posso mais trabalhar assim, pois alguns me prometeram pagar e hoje, passados meses, ficam bravos quando cobrados”. E na TV, vejo o ilegítimo presidente dizendo fora do país que o país hoje está melhor, tudo encaminhado, situação promissora. E nada fazemos para dizer nas ruas das mentiras repetidas todos os dias como gozação na nossa cara. Calados continuamos. Ruim era o barbudo que um dia fez algo de bom para todos, bons são os que hoje arruinaram o país.

As injustiças dessa vida todas se sucedendo e se repetindo a todo instante. Um quase vizinho chora copiosamente conversando comigo na esquina. Como consigo ser feliz, com ele numa situação desesperadora. Num sentido desabafo diz passar fome e em todos que vai buscar uma palavra amiga, quando o vem no desespero se afastam. “Dizem que nada existe à minha altura, mas a minha altura hoje é minha fome, eu tenho necessidade de comida. Eu nunca antes passei pelos bares da Rodrigues, nas vitrines aqueles salgadinhos e sempre tive dinheiro para compra-los, hoje tenho desejo de um simples salgado, o estômago, a cabeça e tudo em mim dói e nem para isso tenho algum”. Na outra esquina, parece brincadeira, o outro ficou doente e tirou licença, ao voltar, foi comunicado pelo enquadramento da nova legislação trabalhista vigente que estava dispensado e sem muitos direitos. Seu lamento dói fundo: "Onde irei arrumar outra coisa para fazer na vida na minha idade e com portas e mais portas se fechando?".

Como posso querer ir fazer algo com alegria diante de cenas iguais a essa se repetindo a cada virada de esquina. Tem muita gente no total desespero e os que ainda não chegaram neste ponto não estão se dando conta da situação estar só piorando, mais e mais. Como ajudar esses e todos os que clamam pelas ruas se a coisa pega também pro meu lado e se bobear logo mais posso estar na mesma situação? Como reagir e enfrentar o baú de maldades despejado sob nós e o povão com a cabeça a mil, completo parafuso?

Ligo a vitrolinha num velho LP do Chico Buarque de Hollanda, “A BANDA” e ao ouvir pela terceira, quarta vez entendo cada vez mais o que ele queria dizer com aquela banda passando e a gente só assistindo ,abatendo palma, mas ela passa e tudo continua. Entendo e choro. Não tenho vergonha de chorar, choro por todos que não posso estender a mão e ajudar. Choro pela reação que gostaria de ter neste momento contra nossos algozes, mas ainda não tive, aliás, eu também, vendo a banda passar:

“Estava à toa na vida/ O meu amor me chamou/ Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de amor./ A minha gente sofrida/ Despediu-se da dor/ Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de amor./ O homem sério que contava dinheiro parou/ O faroleiro que contava vantagem parou/ A namorada que contava as estrelas/ Parou para ver, ouvir e dar passagem./ A moça triste que vivia calada sorriu/ A rosa triste que vivia fechada se abriu/ E a meninada toda se assanhou/ Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de amor./ Estava à toa na vida/ O meu amor me chamou/ Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de amor./ A minha gente sofrida/ Despediu-se da dor/ Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de amor./ O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou/ Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou/ A moça feia debruçou na janela/ Pensando que a banda tocava pra ela/ A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu/ A lua cheia que vivia escondida surgiu./ Minha cidade toda se enfeitou/ Pra ver a banda passar cantando coisas de amor/ Mas para meu desencanto/ O que era doce acabou/ Tudo tomou seu lugar/ Depois que a banda passou/ E cada qual no seu canto/ Em cada canto uma dor/ Depois da banda passar/ Cantando coisas de amor/ Depois da banda passar/ Cantando coisas de amor”. Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=OBDfWikT34M.

Se possível, não façam como esse contumaz chorão, louco para reagir, mas inerte, prostrado em sua poltrona e vendo a banda passar.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (110)


O FIM DA UNESP SE APROXIMA E COM ELE, MAIS UM PASSO DOS GOLPISTAS PARA DECRETAR FIM DA UNIVERSIDADE PÚBLICA – UM LACÔNICO COMUNICADO, UMA HISTÓRIA BAURUENSE E MUITOS VENDO A BANDA PASSAR*

* Este texto não serve somente para a situação da Unesp e sim para tudo o mais. Querendo enxergar, abrir os olhos, basta ver o que se passa diante dos olhos. Está tudo tão claro, nítido, transparente...

Primeiro conto a história ouvida semana passada num dos corredores da ainda pública universidade. O magnânimo reitor está para visitar o campus de Bauru e os professores reunidos preparam a recepção para tão importante personagem da vida acadêmica. Versam sobre os salamaleques de praxe para ocasiões como essas, ou seja, tapete vermelho estendido, tudo maquiado e ele vendo algo que na verdade não mais existe, mas os maquiadores de plantão insistem em montar e fingir, enganar, disfarçar, escamotear, tripudiar, regatear... Eis que um professor se alevanta e diz algo mais ou menos assim: “Pera lá, nós aqui estamos comendo o pão que o diabo amassou, eles lá na direção continuam com todas as mordomias, diárias e o escambau, carros com tanque cheio, mas nós sem verba pra mais nada e até o almoxarifado com o básico está vazio e vamos maquiar algo para o chefe. Não acho justo. Temos que recebê-lo sem varrer o chão, servir o café sem açúcar, luzes apagadas, papel reaproveitado para rascunhar o encontro, numa sala sem ar-condicionado e sem nenhum conforto, dizer que se quiser ir almoçar terá que pagar do próprio bolso a sua comida, o transporte será dividido entre todos, inclusive ele e assim por diante. Maquiando ele achará que tudo anda bem. Ele precisa enxergar o que já sabe, mas ver com os próprios olhos e fazer algo lá nas instâncias superiores para reverter o que se passa aqui embaixo, pois do contrário não nos representa condignamente”. E ponto final. Maquiem e se danem (danados todos estarão mesmo), ou corajosamente enfrentem o touro a unha. Assim como tudo neste desgoverno tucano e também golpista, os dos degraus de cima continuam nadando em privilégios e os de baixo estão se lascando. Lido isto, copio algo que vejo sendo espalhado pelos muitos campus da Unesp e acho pertinente se juntar a este meu escrito. Denunciar não produz mais resultados. Daqui por diante sem ação prática, nada mudará e o fim está decretado, selado e ocorrerá mais breve do que possamos imaginar. E em todos os setores públicos.


COMUNICADO
Conforme amplamente divulgado no nosso grupo a situação da UNESP está cada vez mais caótica. Tal fato comprova-se com a insistência na aprovação pela administração da UNESP da PEC denominada “sustentabilidade”, mas, que na verdade é a aceleração da decretação da extinção da UNESP, sem o aval da comunidade. Não podemos aceitar em hipótese alguma a aprovação da referida PEC, sob pena de sermos responsáveis pela falência da UNESP. Lembramos que a UNESP foi construída com muito empenho nosso, muitos de nós perdemos nossa juventude lutando por essa Instituição e agora não podemos nos calar e ficarmos de braços cruzados. Além desse nosso sacrifício que hoje esta sendo “em vão”, devemos salientar que a Universidade é um patrimônio que pertence à população paulista, pois, colaborou e colabora até hoje, pagando seus impostos com sacrifício. É o fim de muitos jovens que hoje são alunos que de um dia para outro ficarão sem a sua Universidade, havendo grande ruptura na relação educação, escola, governo e sociedade. A decantada, mas, real extinção da UNESP nos deixa sem qualquer perspectiva de futuro, pois, hoje é incerto. Gostaríamos de contar com o apoio de todos, divulgando esse comunicado ao maior número de pessoas possíveis, alunos, professores, servidores técnico administrativos, estatutários ou celetistas, e até para sociedade, para que todos se unam contra o término de nossa Instituição. Não podemos ficar imaginando que haverá uma solução positiva se não nos mobilizarmos (greve geral, participação nas assembléias do sindicato em massa, e irmos às ruas, num movimento organizado, ordeiro e dentro de uma cidadania exemplar e invejável, sem vandalismos, sem agressões, só dizendo NÃO à PEC e NÃO a extinção da UNESP. A UNESP é nossa e devemos defendê-la com unhas e dentes.

ANA MARIA GRAVINA ELEONOR A. NARVAS E MARISA ABRANTES

OBS.: Esse lamento pelo que vejo ocorrer com o fim da escola pública serve para todas as demais atividades geridas pelo poder público. Se a situação já era deficitária nos governos de Lula e Dilma, impossível não enxergar que, com o advento da chegada do ilegítimo golpe tudo se precipitou, piorou e o fim se acelerou, está logo ali na curva da esquina. Encontraram o campo que tanto queriam e o serviço sujo está sendo feito em todas as áreas, repito novamente, todas as áreas. Perdição total e vamos permanecer calados, quietos e vendo a banda passar?



E UMA OUTRA VERSÃO POSSÍVEL DIANTE DAS MALDADES DESTE MUNDO...
CUBA, UM DOS PARAÍSOS TERRESTRES DANDO PROSSEGUIMENTO À SUA VIDA E LONGE DO CAPITALISMO PREDATÓRIO E INSANO
https://www.pagina12.com.ar/108889-cambia-el-presidente-no-el-rumbo


Diante deste mundo cada vez mais doente, tornando a vida das pessoas algo instransponível, doloroso, corpos e mentes doentes, necessitamos de um lugar arejado, saudável, onde avida possa rolar tranquila, sem luxo, mas com dignidade, serenidade para prosseguir a caminhada. Olho à volta e vejo Cuba como um dos paraísos terrestres, lugar onde se pode viver dignamente, uma pobreza salutar e com tudo o que o ser humano necessita para viver s em sobressaltos. Cuba é hoje um desses lugares odiados pelos que defendem e só enxergam dinheiro em tudo e qualquer relação, já completamente doentes e domados pelos malefícios das leis do mercado sob suas mentes. Cuba segue sua vida, seus líderes, os que possibilitaram a transformação daquele poaís no paraíso hoje (na comparação com tudo o mais), envelheceram, Fidel Castro morreu, agora Raúl Castro está prestes a deixar o poder, mas o país prossegue na trilha de que não existe outro caminho a seguir. Os exemplos que me vem de lá são mais que salutares. Diante da guerra na Síria, EUA e Europa mancomunados e enviado bombas para lá, apoio para o massacre de boa parte do mundo (o Governo do ilegítimo golpista Temer apóia a ação predatória norte-americana), eis que Cuba, a pequena e pobre ilha do Caribe envia sem cobrar nada, sem pedir nada, sem nenhuma exisgência 2000 (dois mil) médicos para atender a população. O que posso achar de Cuba? Diante de toda imperfeição do mundo hoje, na comparação com tudo o mais, eles são o alvo para quem deseja viver, viver, viver.... A gente quer viver, viver bem e nisso Cuba é mais que um exemplo. Na matéria que leio hoje no melhor jornal da América Latina, o argentino Página 12, algo sobre o momento atual cubano. Sabe para onde gostaria de viajar neste momento e passar uns dias para arejar a cabeça, tronco e membros? Respondam por mim...

terça-feira, 17 de abril de 2018

COMENTÁRIO QUALQUER (174)


JOVEM PAN BAURU, EX-AURI-VERDE – O DESSERVIÇO DE UMA RÁDIO QUE NOS QUER COMO ROBÔS - DESILUSÃO TOTAL COM A MÍDIA MASSIVA

Havia jurado pra mim mesmo não mais ouvir a bestialidade desta rádio, agora transmitindo quase 100% de algo produzido nos seus estúdios paulistanos. Confesso, ainda ouço futebol pela Pan, mas só o Noroeste, nada mais e o fazia pela deficiência da comunitária 87FM em não dar um jeito no que ocorre no seu dial. No restante da programação hoje, pelo menos no que ouvi hoje pela manhã, uma aberração jornalística. A rádio prega de forma intermitente e ininterrupta falas contundentes contra o ex-presidente Lula e em nenhum momento possibilitam outra visão do que ocorre hoje ao país, do que sendo ele o culpado de tudo e sua prisão ser mais do que justificável. Sim, Lula errou e feio ao não promover, quando tinha condições numa reformulação no formato dos meios de comunicação do país. Hoje não temos uma só rádio liberta e fora dos padrões da defesa do neoliberalismo, ou seja, o pensamento único dominante. Pelos meios massivos de comunicação não existe nenhuma a nos contar a verdade dos fatos com isenção. Todas, neste pérfido trabalho de tornar o povo meros robôs, seguidores passivos e aceitando tudo o que ocorre como a normalidade possível.

A Jovem Pan é o que de pior existe hoje no quesito informação confiável. Tudo o que ali é feito tem a concepção de destruição dos interesses populares e atacar os que os defendem. São pérfidos, cruéis, insensíveis, danosos e em muitos casos, verdadeiros criminosos em relação à informação. Constato nas conversas pelas ruas de Bauru o total desânimo da população com o novo formato da rádio. Primeiro porque Bauru foi deixado de lado, com pífia programação oriunda daqui, somente com dois jornalistas e praticamente lendo notícias publicadas no Jornal da cidade ou notas policiais recolhidas nos plantões da cidade. Nada mais. Se a Auri-Verde era muito ruim, a Jovem Pan é muito pior e isso já é consenso. Não seria o momento de algo ser feito para revitalizar a Band AM com algo mais palatável do que a ladainha evangélica religiosa por lá existente? Ou mesmo voltar a incentivar algo mais ousado na 87FM?


Sei que isso é difícil, até por saber quem são seus proprietários (sim, a comunitária de Bauru possui donos), mas vejo esses perdendo uma imensa oportunidade de ocupar o espaço perdido pelo fim da Auri Verde. A Auri Verde, como até as pedras do reino mineral sabem acabou e em seu lugar uma rádio panfletária de direita, a direita mais raivosa e mentirosa que se tem notícia hoje no jornalismo brasileiros. Estamos acéfalos de rádios com informações confiáveis e nem a Unesp FM, que ouço frequentemente para escutar boa música, ainda possível por lá, nos traz informações confiáveis, pois o que se pode esperar de algo bancado pelo Governo estadual, capitaneado há mais de 25 anos por tucanos?

Desligo a partir de hoje definitivamente no dial dos meus rádios a bestialidade e o farei sem tréguas, pois impossível ouvir as falácias todas e se manter indiferente, calado, sem reação. Hoje, infelizmente, se quero ouvir algo palatável ligo em alguma rádio estrangeira, como faço neste exato momento, plugado na 750AM de Buenos Aires, ouvindo Victor Hugo Morales no seu imperdível La Mañana, de segunda a sexta das 9 às 12h, com algo que devia ser seguido por todos, bem simples, sem enrolação, simplesmente a verdade dos fatos sem distorção. Eis algo não mais possível nos meios de comunicação massivos deste país, uma informação confiável. Eu sei que muitos vão me dizer: "Mas você ainda tem alguma esperança de algo vindo desses? Estão aí para fazer exatamente o que fazem e deles não se pode esperar nada além disso".

Tenhamos todos um bom dia, sem nem pensar em ouvir essa tal de Jovem Pan.

A CADA NOVO PROJETO DO PREFEITO ENVIADO PRA CÂMARA, LOGO A SEGUIR ELE CORRE PRA LÁ TENTANDO APAGAR INCÊNDIO
Isso que vejo ocorrer mais uma vez na tarde de ontem está se transformando numa triste e calamitosa rotina. Primeiro o projeto é feito de um jeito que não contempla o leque de alianças que compõe os tais que o elegeram. Favorece uns e esgoela outros. Uns se contentam e outros esperneiam. Quando bate lá embaixo, naquela casa que um dia já foi considerada como Casa das Leis, o furdunço de estabelece e sem acordo plausível, o incêndio toma conta de tudo e as labaredas se aproximam do Palácio das Cerejeiras. Não existe Líder do Prefeito na Câmara que consiga consertar o estrago. Daí, diante da não solução, imagine o que ocorre? Simples, o próprio prefeito desce lá do terceiro andar e vai sentar naquela sala oval da Câmara, ladeado por todos aqueles que um dia foram eleitos pelos votos do bauruenses para defender seus interesses. Ir na Câmara e conversar com os vereadores, algo normal, mas isso se repetir a cada novo projeto e até o convescote ser estendido para um churrasco no Bauru Tênis Clube e lá, ser obrigado a assitir pela TV jogos de basquete e de futebol, deve ser de dar azia. Mas Gazzetta cumpre o papel, pois sabe que seus projetos não são lá aquela maravilha e daí no vai e vem, demonstra em primeiro lugar fraqueza. Ou não faz bem a coisa ou faz, mas não tendo coragem de sustentar o que fez, desce e se redime perante os que o colocaram na parede. E volta atrás. Não tem como fazer a defesa se já vai e volta atrás assim de bate pronto. Então nem desça e já diga que estará pronto para tudo o que for decidido pelos nobres edis. Eis a Bauru e como se dá a aprovação das leis mais recentes. Um intenso e constante sobre e desce ladeira.
Podia ser diferente, mas não é. Ontem foi só mais um capítulo desta novela e nem vale a pena citar aqui qual foi o projeto que ontem fez o alcaide se submeter ao interrogatório da vez, pois semana passada fez a mesma coisa e na próxima deverá estar presente novamente naquela sala onde o ar, dizem, é rarefeito e recomendável levar balão de gás para não sair de lá carregado e direto para uma UTI.

QUERO LULA LIVRE e O BRASIL LIBERTO DOS GOLPISTAS (01)

Comecei dias atrás a série por aqui, a "Tô vendo ele por tudo quanto é lado", quando a imagem do ex-presidente Lula estava pairando sob tudo o mais, como a nos inpirar para tudo o mais que virá pela frente. A idéia é mais que boa e pode fluir com a colaboração expontânea de muita gente, como uma que recebo hoje, comparando o personagem dos quadrinhos Wolverine com ele. Foram exatas sete publicações, dia após dias, mas a partir de hoje ela terá novo formato. Quero ir publicando a foto deste pessoal que não ter medo de declarar a arbitrariedade do momento atual e a insanidade de manter Lula preso, após uma condenação mais do que ilegal. Dia após dia a carinha dos diletos e corajosos brasileiros dispostos a tirar uma foto com a cara do Lula e dizer o que pensa do momento. Começo com a minha e a partir de amanhã, andando com a máscara no enbornal, tiro a foto de quem quiser participar e assim iremos multiplicando a legião dos descontentes e clamando pela devolução de nossa soberania. Resistir é mais do que preciso, diria, necessário, como uma obrigação. A luta principal da resistência não se dá pelas redes sociais, sei disso, e sim nas "ruas e nas lutas", mas algo também pode e deve ser feito por aqui. Eu faço a minha parte.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

RETRATOS DE BAURU (212)


APARECIDA, VIÚVA, FAZ DE SUA VIDA LUTA POR UM PEDAÇO DE CHÃO SÓ SEU

Diante de tudo o que acontece no país hoje, escancaro cada vez mais minha profunda decepção com uns tais de verde-amarelo nas ruas, daqui de Bauru e país afora. A cada nova movimentação destes a mais absoluta certeza de não estarem nas ruas contra a corrupção, mas todos em sua imensa maioria tucanos e a defender os privilégios destes em nos sacanear profundamente. Com a repulsa elevada a picos inenarráveis, me coloco a serviço de resgatar histórias de quem está na lida, quem vive no seio popular e merece ter suas histórias contadas, passadas adiante, resgatadas e imortalizadas. Essa aqui uma brava guerreira desta terra branca.

APARECIDA BENEDITA INÁCIO DE MORAIS, 51 anos, viúva há pouco mais de seis meses, vive hoje da pensão deixada pelo marido e decidiu transformar sua vida numa batalha pela questão da terra, um pedaço de chão para chamar de seu pro resto da vida. Há exatos ano e oito meses está acampada no Assentamento Nova Cannã, perto da rodovia Bauru-Jaú. Nasceu em Domélia, viveu a infância em Agudos, algum tempo em Pederneiras e escolheu Bauru como ponto de chegada, de ancorar seu barco definitivamente. “Finquei a bandeira aqui e aqui quero ficar, junto da família MSLT. Não tem jeito de abandonar o movimento, nem o Márcio, seu coordenador, somos mais que uma família”, diz. Com cinco filhos, dois morando também no acampamento, ela hoje reside sozinha e não quer saber de outra vida. “Sou feliz pelo espaço conquistado, gosto demais do lugar. Tudo o que planto nasce. Já comi plantado por mim pimentão, melancia, batata doce, mandioca, quiabo, berinjela e tomate. Se sair dali vou pra onde? Casa de filho não tem jeito, cada um tem que ter a sua vida e eu tenho a minha aqui, lutando ao lado de gente como eu para ter um pedaço de terra. Escolhi ficar e lutar, pois tenho fé que ali vai ser o meu cantinho”, conclui. Aparecida é também coordenadora de um grupo no assentamento (a cada vinte pessoas uma coordena esse grupo) e tem seu dia tomado na luta constante por dias melhores, com suas plantações e cuidar de sua morada, além é claro, de sair pras manifestações em prol da moradia e ontem, feliz da vida, num em defesa da libertação do ex-presidente Lula. Seu sorriso envolta na bandeira do MSLT diz tudo, esbanja alegria e felicidade no que faz.


LIBERDADE DE LULA EXIGIDA NAS RUAS DE BAURU
Foi ontem, das 15 às 19h, na praça Rui Barbosa, centro de Bauru SP, um ato convocado pelo Núcleo de Base DNA Petista e o Movimento Hip Hop, mais a Casa de Capoeira e todos gritando em alto e bom som: LULA LIVRE. Povo nas ruas e reunidos em locais diferentes a cada semana. O começo foi na praça central da cidade e a movimentação deve se espalhar pelos bairros, semana após semana, inflando a movimentação dos que clamam pela liberdade de Lula e pela normalização do país, hoje judicializado com ações fora da Constiruição. Se na Zona Sul, quem sai às ruas são os batedores de panela, uns que não clamam contra o fim da corrupção, mas a continuidade dos privilégios para os seus, o povão mais simples, a periferia está querendo mostrar a que veio. Veja quem está a defender um país mais justo e sem a perpetuação das desigualdades, latente hoje com o governo do ilegítimo e golpista Michel Temer & sua thurma.

A luta está só começando. Num domingo à tarde, mais de duzentas pessoas sairam de suas casas e foram gritar e deixar bem claro que este país está mais do que avariado e necessitando de voltar a ser soberano. Com os golpistas e seus sórdidos interesses prevalescendo só pioraremos. Resistir é mais do preciso. Nas ruas, demonstrando força e unidade.