terça-feira, 15 de agosto de 2017

PERGUNTAR NÃO OFENDE ou QUE SAUDADE DE ERNESTO VARELA (126)


O NEOLIBERALISMO É PERIGOSO E CRIMINOSO - OS EXEMPLOS DA ARGENTINA E DO BRASIL
Traço a seguir uma linha de pensamento de simples entendimento. Vejam se não tenho razão. Lula e Dilma podem ser acusados de “quase” tudo e uma das coisas pelas quais ninguém pode lhes levantar a mão ou se pronunciar contra é por não serem democráticos, na boa acepção do que esse termo ainda possui. O são é até demais da conta. Os exemplos pululam por aí e é impossível alguém conseguir concatenar algo substancial desdizendo não terem em seus governos atuado dentro de todas as premissas ditas como democráticas. Sempre o fizeram e os maiores fiscais são todos os que lhe fazem oposição. E se existisse um mero deslize, a pauleira sempre foi enorme, tanto da oposição, como dessa vergonhosa mídia brasileira, vesga por natureza, pois só enxerga os males dos adversários e nunca os dos que defendem.

Dito isso vou aos exemplos de hoje. Todos desdizendo do que venha a ser DEMOCRACIA (palavrinha quase em desuso dentro do neoliberalismo). Percebam o outro lado da moeda e para tanto cito os exemplos de Brasil e Argentina. Aqui, tudo aquilo que foi motivo da cassação de Dilma, as tais pedaladas e tudo o mais, que levaram em consideração para seu impedimento do poder, hoje ocorrem em uma profusão infinitamente maior e nem a imprensa diz quase nada, como o mundo político existente hoje dentro do Congresso Nacional e Senado Federal fazem vista grossa e é como se todas as barbaridades de hoje não representassem nada. Dois pesos e duas medidas, ou seja, criminosa situação. Poderia citar fatos e mais fatos comprovando tudo o que explicito, mas fico no geral para não ocupar muito espaço. Deixo só a pergunta que não quer calar: Por que antes valia tudo e hoje não vale nada? Eis aqui uma demonstração da crueldade, enfermidade e bandidagem do regime atual, capitalista e neoliberal. Isso para mim é falta de vergonha na cara de tudo, todas e todos.

Agora vejam a situação da Argentina. O mesmo que aconteceu com Lula e Dilma ocorreu com Cristina Kirchner quando essa no poder. Implacável perseguição da mídia e do mundo político para qualquer deslize e hoje, diante de um basura (lixo) Maurício Macri no poder, esse produz barbaridades diárias e a mesma mídia, antes implacável, hoje aprovando o que faz o insano mandante. Aconteceu domingo em todo o país uma eleição preliminar para definir os que irão disputar o pleito definitivo em outubro. Num certo momento, isso em Buenos Aires, quando a oposição (representando o peronismo e o kirchnerismo) venceria o pleito, eis que as luzes se apagam e a energia é cortada. E não volta. E Macri e e os seus fazem a festa de um resultado parcial e comprovadamente mentiroso e fraudado. Ou seja, uma vergonha, algo criminoso. Se Cristina fizesse algo assim seria expulsa do poder, mas com Macri a imprensa hegemônica nada faz, nem investiga e ainda lhe adula.

Escrevo isso e junto os dois momentos, o brasileiro e o argentino, com a única conclusão possível: o capitalismo e o neoliberalismo são criminosos e um verdadeiro atentado para a democracia, pois são descarados, mentirosos e perigosos. Com gente com esses que temos hoje no poder nesses dois países, a mentira sempre reinará acima de tudo e de todos. Detesto esses que fazem tudo e mais um pouco para continuarem no poder, são os mais perigosos. Assim agem Temer e os golpistas e Macri e seus asseclas. Ou exterminamos esses da política ou afundarão ambos os países.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

ALGO DA INTERNET (131)


A DESOBEDIÊNCIA CIVIL É TUDO – DONA DIVA, OTTO, MINO CARTA E THIAGO ROCHA
Dona Diva falou na Flip de Paraty
Tem coisas quer a gente só percebe depois de certo tempo do ocorrido. Ótimo quando ainda se damos conta de algo bom que havia passado despercebido e agora vem à baila. Daí, porque não corroboro isso de “águas passadas não movem moinho”. Nesse caso que vou contar, move e muito e pode mover muito mais.

Essa linda história, a da professora negra Diva Guimarães na Festa Literária de Paraty é dessas de fazer chorar. Primeiro leia o trecho da matéria de Carta Capital, de 09/08, na matéria “Desafinando o Coro – Uma nova onda de contestação leva artistas e cidadãos a romper diques de opinião conformada e opressão secular. A matéria completa está aqui, bastando o clicar para sua abertura: https://www.cartacapital.com.br/…/diva-guimaraes-otto-johnn…
Otto falou na direitista Jovem Pan


O trecho que quero citar é exatamente este: “Na semana passada, uma senhora negra de 77 anos, Diva Guimarães, do Paraná, rompeu mais uma comporta desse bloqueio: ela pediu a palavra em um debate na Festa Literária de Paraty (Flip) e deu uma traulitada mortal no racismo velado brasileiro. Diva falou durante 13 minutos na mesa A Pele Que Habito, depois do ator Lázaro Ramos e da jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques. Quando concluiu, dezenas estavam às lágrimas. Sua fala foi gravada na íntegra pela organização da Flip e viralizou na internet. O discurso de Diva Guimarães alastrou-se como fogo no mato seco por conta da verdade límpida do relato, que escancarou a segregação dentro da Igreja Católica. Vinda de família pobre, sem condições de subsistência, foi levada aos 7 anos para ser criada em uma instituição de freiras. Ali, ela descobriu que as crianças negras só trabalhavam e a discriminação era regra. “Existia um rio – aquele maldito rio abençoado por Jesus –, diziam as freiras, em que os brancos se banhavam primeiro e os negros, por serem preguiçosos, entravam por último e só colocavam as palmas das mãos e dos pés. Era isso o que as freiras contavam para a gente, para explicar a diferença da cor da pele entre brancos e negros”, disse a professora dona Diva. A contundência de Diva alcançou ainda maior impacto por conta da simplicidade de suas descrições do racismo que sofreu e vem sofrendo desde que se conhece por gente. “Você entra em uma loja e escuta ‘posso lhe servir?’, mas isso não é para servir você, é para ficar andando atrás de você para ver se vai roubar”, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo”.

Aqui o vídeo na íntegra com sua fala de 13 minutos: https://www.youtube.com/watch?v=HjuH1NJMjTg
Mino Carta desanca A TV Globo a todo instante

E agora o que quero juntar com a fala de dona Diva e essas MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS DE DESOBEDIÊNCIA CIVIL. Temos todos que nos aproveitar de todas as brechas e mesmo em eventos para dignificar e glorificar algo oriundo das elites, pegar os tais microfones e tascar o pau em tudo, todas e todos. Oportunidades não se repetem. Dona Diva soube aproveitar magnificamente o microfone a ela concedido na Festa de Paraty e o que falou viralizou mundo afora. O cantor e compositor Otto, quando diante daqueles merdas direitistas lá na rádio Jovem Pan, pegou o microfone e não se rebaixou, resistiu e enfrentou tudo sozinho e deu o seu recado. Confiram o link com um click: https://www.youtube.com/watch?v=XDKrhziAUBg. Ele e dona Diva são os tais produtores dessas ações espontâneas de desobediência civil. Atos como esses desafiam o racismo, o golpismo de merda hoje vigente neste país também de merda, pois não está sabendo enfrentar esses corruptos que se aboletaram no poder e destroem o país sem que nada façamos.
Ela ouviu o 1º "Primeiramente, Fora Temer".


A minha mensagem diante de tudo é para sabermos aproveitar as oportunidades e tascar nossa mensagem, seja ela qual for. Um dia eu ajudei a trazer o jornalista Mino Carta para uma palestra em Bauru e quase ele deu entrevista naquela oportunidade para a Rede Globo. Corria o ano de 2007 e ele me disse naquela oportunidade: “Henrique, eles não vão me chamar, porque sabem que se eu pegar aquele microfone eu vou desancar eles ao vivo. Não perco uma oportunidade dessas por nada nesse mundo”. Ele não foi chamado para a entrevista e aquilo nunca mais me saiu da cabeça. Encerro com a lembrança do jovem, o estudante de História da UFRJ, que foi chamado para uma entrevista na mesma Rede Globo em aio de 2016 e antes de falar do assunto a que foi chamado tascou algo que muitos se utilizam até hoje quando diante das câmeras da TV Globo: “Primeiramente, Fora Temer”. Revejam a belezura da cena e façamos o mesmo sempre que oportunidades surgirem, não só na TV Globo, mas por tudo quanto é canto: https://www.youtube.com/watch?v=Z_dVSrKVZsM

domingo, 13 de agosto de 2017

BEIRA DE ESTRADA (81)


VISITA DO DEPUTADO ESTADUAL ZÉ AMÉRICO EM BAURU
Foi ontem, sábado, 12/08. Agendada por Marcelo Cavinato, da república da Barra Bonita, aquele recanto encrustado ali nas barrancas do rio Tietê, com eclusa e tudo,, cidade onde o deputado José Américo esteve visitando na tarde e noite de sexta. De lá, sábado veio para a cidade, também conhecida como "sem limites" (fazem horrores em nome disso nos seus costados). Numa agenda previamente marcada foi visitar e conhecer os assentamentos da Morada da Lula e Kannã, dois dentre a quase dezena deles em Bauru, esses numerosos e com um problema a ser superado nos próximos dias: o Morada da Lula está com data para desocupação. Recebidos por um dos dirigentes do loca, Márcio Oliveira, primeiro foi feito um apanhado geral do que está en curso na cidade e depois um passeio pelos dois acampamentos.

Depois de tudo, agrupados num local central, nos dois acampamentos uma fala de ambos, Márcio e o deputado Zé Américo. Em ambos, o compromisso de se ser mais atuante na defesa do que necessitarem para a continuidade da justa luta pela posse de um lote de terra urbana para residirem e constituírem um lar fixo. O deputado deixou claro e referendado por Márcio que tudo tem que ocorrer com um tríplice conquista: "O Prefeitura dá a terra ou o recuso para aquisição da terra, além de algumas condições básicas, o estado entra com outra parte e a federação, o Estado Brasileiro, o Governo federal com outra". Quando nenhum desses elos se quebra, tudo segue seu curso natural, do contrário, com a interrupção, dificuldades pela frente.

Essa a maneira mais cordial, o que não impede de acirramentos de posições em caso de descumprimento por algumas das partes. Márcio salienta: "Não queremos terra de graça. Não é essa nossa intenção. Cada família pode pagar pela posse de cada lote, uma mensalidade justa e dentro das possibilidades do trabalhador brasileiros". Reivindicações são lidas e retransmitidas ao deputado e esse reafirma seu compromisso de estar vigilante e ser mais um elo de auxílio, facilitador e de cobrança para que obtenham sucesso.

Toma conhecimento de que na próxima semana todos os moradores do Morada da Lua estarão se mudando para o Kannã e ali permanecendo por dois anos, até conseguirem a posse definitiva dos lotes. "O mandato de um deputado comprometido com os interesses do povo é exatamente esse, o de servir, o de estar ao lado, o de acompanhar e defender esses interesses, os populares. Estarei atento e me comprometo a voltar aqui em breve para uma detalhada visita a cada acampamento, todos os sete hoje existentes na cidade", diz o deputado.

Antes da saída uma conversa com alguns dos moradores em questionamentos de quem está interessado em ter resolvido seu problema e busca ali, numa "autoridade" presente, um auxílio facilitador e que possa tornar mais rápido a solução destes. Antes da saída, Márcio pede licença se despede dos visitantes durante o ato e diz que, irá continuar numa espécie de Assembléia com os moradores para ir dirimindo dúvidas do que está prestes a ocorrer no local. Resume sua fala em algo de forte impacto: "Até o presente momento não posso falar nada do prefeito Gazzetta, pois tem cumprido a palavra conosco. Adiou no que pode a reintegração do Morada e agora, sei que compra briga interna na Prefeitura para nos manter no Kannã, ou seja, tem se mostrado interessado na vida dos moradores desses dos locais, uma rara sensibilidade e estamos dando-lhe um voto de confiança".

De lá, o deputado, seus assessores, dois representantes da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores e Cavinato, partem para uma segunda parte da agenda e almoço, para por volta das 14h30 marcarem presença no Mafuá do HPA e ali, serem os astros principais de uma ampliada reunião de cunho político. Não necessariamente petista, mas com vários outros segmentos políticos e sociais da cidade envolvidos , primeiro no real entendimento do que está em curso e na busca de uma solução, devolvendo ao povo o que lhe foi retirado pelos golpistas de plantão.

Com uma ampla e diversificada reunião de ideias, todos os que lá estiveram ouviram a fala do deputado e depois expuseram suas ideias, num debate acalorado e cheia de boas nuances. Foi algo a se estender até por volta das 17h50. Algo mais do necessário, não só para buscar uma união de forças nesse momento tão crucial, verdadeira encruzilhada política nacional, como para se certificar de que, quando o povo de fato perceber todo o baú de maldades que foi e continua sendo feito contra seus constados, um levante irá acontecer e devolver esse país ao um corso mais palatável, saudável e justo.

Na saída uma só constatação. Debates como esse são mais do que necessários, pois juntam no mesmo local, variado leque de gente interessada e na luta pela retomada dos direitos perdidos, numa reconquista coletiva. Pela foto aqui publicada de cada um dos participantes, nota-se claramente o leque de possibilidades, com vários segmentos bauruenses ali representados. Por fim, a constatação de que, nem sempre as ideias podem ser convergentes, mas quando necessário, mesmo com algum conflito se faz necessário uma união coletiva, pois do contrário, a certeza do jogo estar perdido. Cada um saiu dali com uma nova semente na cabeça e pronto para colocá-la em pratica, germinar a luta onde estiver inserido e se isso de fato ocorrer, reuniões como essa terão seu objetivo plenamente alcançado.

Por fim, pouco antes do encerramento um necessário esclarecimento sobre algo interno do PT, aproveitando da presença de dois membros da Executiva Estadual do partido. Foi ótimo, com uma troca de opiniões e confrontos sempre necessários, mas abertos, sinceros, feitos sem ser necessário clima de contenda, mas de diálogo, buscando soluções. Tanto que, ao final de tudo, mesmo após um certo acalorado debate, pose de alguns para fotos sorridentes. Pois bem, Zé Américo esteve aqui, conheceu algo mais da realidade bauruense, conheceu personagens que dignificam a luta nesta cidade e sai daqui, com certeza, querendo mais. Elos foram realizados e podem ser amadurecidos nos próximos contatos.

sábado, 12 de agosto de 2017

RETRATOS DE BAURU (204)


MÁRCIO OLIVEIRA E A SAPIÊNCIA DE SABER COMANDAR LUTA DOS TRABALHADORES
Ontem conheci um pouco mais de dois assentamentos urbanos de Bauru, o Morada da Lula e o Canãa, lá pros lados de cima da rodovia Bauru/Jaú, altura do Tropical Inn e o La Kasa Eventos. Em ambos os locais mais de 100 famílias e a responsabilidade de tudo isso recaindo sob o comando de uns poucos, dos mais preparados nos tempos atuais. Vivemos um tempo onde o povo tem dado inequívocas amostragens da incapacidade de reagir, inclinado como sempre à resignação diante de um cruel e insano golpe a lhe deixar com as víceras de fora, expostas e sangrando. Uns poucos conseguem se sobressair e comandam os agrupamentos de verdadeira resistência neste momento e o fazem com muito tato, experiência adquirida ao longo dos anos, traquejo conquistado na lida, na luta e na raça. Conto a história de um desses personagens, talvez um dos mais importantes, sem que muitos tenham se dado conta, na história recente de Bauru.

MÁRCIO OLIVEIRA nasceu na luta pela conquista de uma reforma agrária justa e digna neste país. Nascido no Pontal do Paranapanema, mais precisamente em Avanhandava, esse jovem e idealista personagem da vida bauruense é hoje figura central na luta e disputa travada na cidade em torno de sua questão fundiária. É um dos mais importantes dirigentes do MSLT – Movimento Social de Luta dos Trabalhadores – Campo e Cidade no município, num momento quando só na área compreendendo Bauru temos no momento sete assentamentos e pleno funcionamento. Uma luta contínua que esse jovem militante social, casado, pai de três filhos (dois meninos e uma menina) não foge da raia, pois foi forjado com a têmpora dos que, tomaram conhecimento das injustiças muito cedo e na convivência com outros tantos enfrentando o touro á unha, soube ir se educando e se preparando para fazer a defesa dos seus, os oprimidos deste país. Preparado para tanto, atua junto aos movimentos sociais de resistência, os hoje podendo ser denominados de verdadeiros esquerdistas. Atua com a mesma desenvoltura quando falando aos seus, nos muitos acampamentos e assentamentos onde circula diariamente ou mesmo no gabinetes de São Paulo e Brasília. Diante da enorme e crescente população hoje assentada, Márcio sabe trafegar em todos os ambientes e é hoje uma das lideranças mais promissoras e atuantes no quesito movimento social, dessas que precisam ser preservadas, tratadas com o maior respeito e consideração, pois sua luta é uma das mais dignas na história recente deste país. Sabe fazer jus à toda responsabilidade sob seus ombros.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (117)


ENCONTRO COM UM EX-VERDE-AMARELO NO ELEVADOR

Encontro um vizinho no elevador, velho conhecido, ele com escritório montado na cidade, profissional liberal e a me olhar com certo desdenho e distanciamento desde quando me via com camisetas e bottons contra o golpe e o país todo inflamado a favor de uma tal de mudança, vestindo verde-amarelo. Lembro bem de outro encontro, esse antes da deposição de Dilma e ele, junto de sua esposa, no mesmo elevador, quase me virando o rosto, como a me dizer: “Não sei como consegue estar ao lado disso tudo”. O tempo passou e ontem ele novamente no mesmo elevador. Uma mudança considerável, pois não consegue me olhar nos olhos, cabeça baixa, faz um cumprimento meio que envergonhado. Eu continuo com os mesmos bottons na lapela, ele sempre querendo se mostrar indiferente, impecável vinco nas roupas, perfume caro, olha assim de soslaio e como para se justificar me diz::

- Que coisa, hem! O que fizeram de nosso país!
Lembram-se de Lacerda?

- Estava tudo tão claro, os que deram o golpe hoje são os mesmos de sempre. Não sei como vocês se deixaram levar, como foram embarcar naquela ladainha da TV? Nem dava para conversar com vocês, pois pareciam hipnotizados, papagaios de pirata.

- Eu lutava e luto contra a corrupção, tinha que me posicionar contra o que via acontecendo.

Tive que interrompê-lo, pois já não aguento mais os que ainda tentam se justificar com esses pífios argumentos:

- Sim, saiu de verde-amarelo, desfilou pela Getúlio Vargas naquelas marchas, todos gritando em alto e bom som, não contra a corrupção, mas contra o PT. Se estivessem bradando contra a corrupção, estariam hoje novamente na mesma avenida, mas se calam e justamente quando a corrupção atinge níveis nunca vistos. Por que agora estão calados? Não percebe terem sido marionetes de uma máfia televisiva, uma mídia criminosa e um Judiciário tendencioso a defender algo para si e não para o povo? Sinto em lhe dizer, mas foi gente como tu que propiciou ao país estar hoje nessa situação calamitosa.

- Pera lá, eu não tenho culpa de nada. Foi gente como você que votou em Temer.

- Eu não votei em Temer, votei em Dilma e tanto ontem como hoje, não existe possibilidade de ninguém se eleger e governar o país sozinho, quando não se tem maioria dentro do Congresso Nacional. Dentro do atual sistema acordos se fazem necessários. Temer estava contido até dar o golpe, traiu os interesses pelos quais foi eleito e insuflado por esses todos que tu apoiou. Ele é um traidor, estava contido nos governos de Lula e Dilma e hoje explicita seu baú de maldades, junto dos piores da nação. E se ontem você vestiu verde-amarelo e foi pra rua, hoje esconde sua camiseta. Cadê sua camiseta? Cadê sua insatisfação? Não adianta vir me dizer que o país está ruim, pois tem culpa dele ter chegado ao fim do poço. Vivemos um tempo onde ainda não se tem uma completa dimensão de tudo o que se passa, de tudo o que vem sendo feito contra a população. Eu continuo nas ruas, como dantes, e tu onde está neste momento? Já vi que não está contente. Ao menos já fez seu mea culpa?

Percebo que ele ficar vermelho, irado, o elevador chega ao estacionamento e sua mulher, calada até então, o puxa e diz:

- Vamos bem, estamos atrasados, depois vemos isso.

Ele abaixa a cabeça e se vai. Fico ali parado na saída do elevador e olhando o casal indo ao encontro de seu carro. Percebo que quando entra no carro dá uma última olhada para trás, ainda me vê olhando em sua direção, abaixa a cabeça entra no carro e sai. Eu me vou e cá estou com meu botton na lapela, minhas mesmas camisetas no peito e clamando pelas mesmas coisas de antes. Cego nunca fui. Meu antigo conhecido deve estar passando, como todos os usados e hoje descartados, as maiores dificuldades para pagar aluguel de seu apartamento e manter em dia as prestações do financiamento do seu automóvel nas condições atuais e já não sabe mais o que fazer. Agora sei, eles já sabem, mas ainda não deram publicamente o braço a torcer da grande “cagada” feita no ano passado quando apoiaram essa “merda” toda onde estamos atolados. Cruzo com eles aos magotes, poucos ainda me encaram para uma conversa e nem sei se voltarão a fazê-lo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (102)


HENRICÃO SE FOI: A SAÍDA É SE EMBRENHAR NAS QUEBRADAS DO PAÍS – DESORIENTADO...
Na abertura de seu facebook
Henricão, o engenheiro que não se conformou em virar suco (vide o título do filme, “O Homem que virou Suco”) descobriu tempos atrás que o grande negócio era escapulir país adentro e cair nas entranhas do que ainda resta de saudável neste país. Fechou seu bar, o “Coisas da Roça”, que tanta gente aglutinava e mineiramente foi mais pra dentro do mundo. Henricão descobriu a falência das cidades médias e grandes e nelas não quis mais viver. Fugiu pra mais longe, pra um lugar onde pudesse de fato, estar com um pé no mato e outro na civilização, uma pequena cidade, Pirajuí, enfim, todos precisam continuar sobrevivendo e ganhando alguns caraminguás para sobreviver. Ele foi sobreviver nas beiradas do Mato Dentro. Hoje, um golpe foi enfiado goela abaixo deste país e muita gente quer fazer o mesmo, mas a maioria continua onde está por falta de oportunidades, de lugar para onde ir, daí continuamos nesse mundão de fazer doido. Os que puderam e souberam se safar já se foram há muito tempo. Henricão um deles. Escapuliu dessa inquietude de viver entre uma dita gente que se diz normal, mas estão todos doentes, dos pés à cabeça. Vivia assinando pequenos projetos, rindo muito e sem grandes envolvimentos políticos. Cansou. Morreu sem sofrer, rápido, tipo vapt-vupt. Vejam o que amigos (as) disseram dessa macanudo, baita sujeito, desses que deixa saudade e me faz pensar sobre dos motivos de ainda querer continuar morando numa média cidade e não me enfurno pro meio desse mundão:

"Luly Zonta está se sentindo muito, muito triste. Conheci nos tempos da faculdade em Bauru um mineiro gente boa de Juiz de Fora, chamado Henrique José Hargreaves Carvalho... Ele era o engenheiro de hidrelétrica, que virou dono de bar, aquele simples recanto com cachaça, prosa e comida mineira boa e em quantidades fartas. O Coisas da Roça fez história! E quantas histórias temos para contar da gente e do bar?! O Henrique era parte da nossa família e inda agora chega a notícia de que o coração do "cumpadi" parou de bater, lá no sítio em Pirajuí... o pranto tá solto e o coração tá apertado demais.", jornalista Luly Zonta.

"Última prosa com o Mineiro - Caro Henrique: Mesmo distante e tantos anos sem te ver, posso ouvir com uma nostálgica perfeição, que hoje tá doendo pra caralho, o “r” do “Marcinho” que você carinhosamente e mineiramente me atribuía nas deliciosas noitadas do “Coisas da Roça”, ali na Araújo Leite, primeiro lá embaixo e depois mais pra cima, quase em frente à Telesp! Sim, havia a Telesp! E o Diário de Bauru, na Antonio Alves, a uma quadra do bar, restaurante, nossa casa por algumas horas, claro que você se lembra, que bobo eu sou, ficar aqui explicando uma coisa dessas logo a quem! A gente saía do jornal e ia pra lá. Tomava uma no balcão contigo antes de ir pra mesa. Mais tarde, era o inverso: você é que ia pra nossa mesa. Sabe o que é mais engraçado? Que quase todo dia a gente estava no seu bar depois do trabalho. Aí, aos sábados, o pessoal marcava de sair. Um ligava pro outro de suas casas. E adivinha pra onde íamos? Hehehe... Verdade, coisas de loucos. Você certamente também se lembra de como éramos tão jovens naquelas noites! E ficávamos ainda mais vigorosos ali, discutindo política, futebol, jornalismo e outras bobagens da vida. No fundo, o legal era “conversar sobre isso e aquilo” (Adoniran) sem medo de ser feliz, porque a gente ainda acreditava pra valer, né? Acreditava pelos poros, por assim dizer. Mas em quê? Pois é, aí é que está, meu velho. Em Coisas. Coisas de futuro. Coisas de jornal. Coisas de bar. Coisas de amor. Coisas de jovens. Coisas da Roça. Por que você acha que a certa altura da noite, depois de ir e vir muitas vezes entre o balcão e a nossa mesa, você se levantava decidido e fechava a porta, e a prosa continuava a toda? Por isso mesmo! Porque, sem acreditar, ninguém fecha a porta por dentro para se guardar com os amigos. Até que não tinha mais jeito e era preciso tirar o talão de cheques do bolso. Sim, a gente ainda usava cheques! Coisas do passado. Se algum ficou sem fundos, perdoa, tá? Palco de risos e lágrimas. Sim, a gente também chorava ali naquelas mesas. Coisas que a amizade engendra por baixo da toalha. Henrique, seu bar prova a tese (alguém já deve ter escrito sobre isso) de que são os lugares que passam pela gente, e não o inverso. São os lugares que ficam na gente, e não o inverso. Quem viveu “Coisas da Roça” vai carregar as cadeiras, as mesas, os copos e também toda a estrutura física que nos protegia da chuva, do vento e do frio. Vamos carregar pra sempre. Não importa quantos outros bares tenhamos que carregar, vamos carregar o “Coisas” com você dentro, entende? É isso aí, Mineiro. Boa viagem pra ti. Por aqui, a prosa ficou mais curta. E a roça, mais triste. Coisas da vida, meu caro. Novamente com a licença do Adoniran, “Coisas que nóis não entende nada”, jornalista Márcio Abecê.

“Proprietário de um dos bares mais tradicionais de Bauru na década de 1990, o Coisas da Roça, Henrique José Hargreaves Carvalho, 64 anos, foi encontrado morto em casa, na manhã desta terça-feira (8), em Pirajuí. Engenheiro por formação, ele era presidente da Associação Pirajuiense dos Arquitetos, Agrônomos, Engenheiros, Técnicos e Tecnólogos e prestava serviços para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade. Segundo amigos, Henrique sofreu um infarto, mas não foi possível precisar o horário de sua morte. A última postagem dele em uma rede social foi feita às 23h de domingo e, devido à falta de notícias durante toda a segunda-feira, amigos foram até sua residência e o encontraram em um cômodo que funcionava como escritório, já sem vida, por volta das 10h30 de desta terça-feira. Mineiro de Juiz de Fora, Henrique é descrito pelos amigos como um homem que gostava das coisas simples da vida e da tranquilidade trazida pelas cidades do Interior. Em Bauru, manteve o Coisas da Roça nas ruas Antônio Alves e Araújo Leite. O bar ficou conhecido pelo ambiente descontraído, pelo cardápio mineiro, pela música boa e pelas famosas cachaças. Há mais de uma década, Henrique havia se mudado para Pirajuí, onde voltou a trabalhar como engenheiro. Ele deixa três filhas. O corpo será velado e sepultado em Juiz de Fora, cidade onde sua família reside”, texto do Jornal da Cidade – Bauru, 08/08/2017.
Henricão chamava tudo assim: "DESORIENTADO".

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

CENA BAURUENSE (163)


ENFIM, O QUE PENSAM OS REPRESENTANTES DAS “FORÇAS VIVAS” DE BAURU SOBRE A SITUAÇÃO ATUAL DO PAÍS?

Essa pergunta me instiga a escrever esse curto texto. O golpe foi sacramentado e as transformações vieram despejadas com uma rapidez pouco crível. Montou-se um vale tudo com o dinheiro da sociedade, cuja regra é a falta de princípios, tanto que o ilegítimo presidente hoje é um dos mais impopulares da história. Na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, nas Assembleias Legislativas, nas Prefeituras e Câmaras de Vereadores, além de quase todas as instâncias do Judiciário, controle absoluto da nova mentalidade. Houve um mais que perceptível redirecionamento para uma renovação de ultra direita e impulsionada pelo dinheiro advindo das empresas brasileiras.

Não se conhece ainda com precisão o percentual da participação do empresariado e das instituições nacionais nessa mudança de patamar na condução do país. Estariam todos dispostos a fazer negócios com o atual Governo? Estariam todos aceitando tudo o que foi feito e concordando com todas as mudanças? Que comparação fazem esses do país que tínhamos, da legislação até então existente e essa pela qual os golpistas nos enfiaram? Concordariam todos com essa nova forma de opressão ao trabalhador, restringindo sua capacidade de se aposentar com vida e praticamente eliminando uma legislação em sua defesa?

Vejo as instituições patronais todas associadas e dando apoio irrestrito para tudo, com declarações onde avaliam como avanço, algo dentro de uma “necessária modernidade” (sic) pregada pela FIESP, Associações Comerciais e todas as demais patronais. Mas, a pergunta que ainda falta responder, o que pensa de fato o empresário brasileiro. Gostaria de ver uma resposta para esses questionamentos e não serei eu quem o conseguirei. Outros estão em condições de fazê-lo. A mídia massiva como a conhecemos, representada pelo jornal, TV e rádio estão aptas a fazer isso. Mas querem fazer isso? Estariam dispostas a expor o que pensam os empresários, enfim, elas também precisam se posicionar, deixar claro onde estariam situadas nos dias de hoje.

Entendo que aqui em Bauru, quando criaram o termo “Forças Vivas” o fizeram somente com o intuito de definir os representantes de uma elite endinheirada e dona do poder local. Como esses todos estão reagindo a tudo o que está acontecendo? Daí me ponho a citar nomes de quem gostaria de ver opinando sobre esse momento brasileiro, para deixar bem claro para, no caso bauruense, um posicionamento definitivo sobre o que e como pensa os endinheirados desta cidade.

Imagino uma ampla reportagem e nela a opinião de, por exemplo, quem está no comando dessas empresas e instituições: Unimed, Confiança, Tilibra, Expo Arco, Lume Light, Panelão, Unesp, ITE, Prefeitura Municipal, Burgo, Kuekão, Unidas, Plasutíl, Expresso de Prata, RIL, FIB, Preve, Pires, 94 e 96FM, Paschoalotto, Noroeste, Revista Atenção, COC, Alto Astral, Avallone, D’Incao, Jalovi, Tanger e isso podia ser estendido para as nossas construtoras, imobiliárias, escritórios de advocacia e tudo o mais. Será que todos, estão apoiando tudo como se deu e não enxergam nada de exagero no que já foi aprovado e no que virá pela frente? Será que pensam somente nos benefícios próprios, nos próprios anéis ou também no que está ocorrendo com o trabalhador, o aposentado, os menos favorecidos, enfim, a maioria da população?

Mino Carta, um jornalista das antigas é muito duro quando define a elite brasileira: “A palavra elite soa-me inadequada, por presumir, entre outras, qualidades intelectuais, primazia cultural, saber. No caso, aludo à conciliação das máfias que mandam neste país infeliz, cada vez mais insignificante e tragicamente ridículo, onde só pensam neles próprios e nada mais”. A elite bauruense se enquadraria exatamente dentro deste perfil ou ela possui algum tipo de linha de pensamento e ação desdizendo tudo o que já ocorreu com o Brasil após a saída de Dilma?
Como gostaria de saber a opinião desses todos. Qual o melhor caminho para conseguir obter esses dados? Alguém conhece o pensamento desses e poderíamos iniciar um amplo debate sobre o assunto? É a minha proposta para hoje.

OBS.: As fotos são meramente ilustrativas e representam alguns dos segmentos pelos quais seria de bom alvitre conhecer a linha de pensamento e ação nos tempos atuais.