quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

INTERVENÇÕES DO SUPER-HERÓI BAURUENSE (99)


QUE NOME SE PODE DAR À ISENÇÃO DOS VEREADORES EM VOTAR?
“Sandro Bussola é hoje o presidente da Câmara de Vereadores de Bauru. Seu segundo mandato no cargo, ou seja, macaco velho na função. Sabe muito bem o que faz e como faz. Começou sua vida política dentro das comunidades de base do PT, cria dos bairros bauruenses, conhece muito bem a periferia da cidade e tempos atrás, foi ser pastor evangélico na vida e mais que isso, abandonou as hostes de onde se criou e foi se bandear para o PDT. Entenda-se existirem vários PDTs, assim como PTs. Ele escolheu não um vinculado a ala brizolista, progressista, mas a ala paulista dos que apunhalam o ideal brizolista. Está aí instalado e foi eleito já dentro desse novo meio, com apoio dos de sua igreja”, assim Guardião, o super-herói bauruense traça um breve perfil desse personagem hoje retratado a se balançar em cima do muro.

O motivo do perfil está também traçado num carta enviada recentemente para publicação na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade por Cláudia de Cássia Coelho: "SANDRO BUSSOLA QUER ABSTENÇÃO NA CÂMARA - Olhem o Bla, bla, bla... Assim como os eleitores, os vereadores de Bauru tem o "direito" de não ter que dizer sim ou não aos projetos apreciados pelo Poder Legislativo. Façam-nos o favor senhores vereadores, vocês foram votados para representar os munícipes bauruenses, com lisura e transparência e querem ter o "direito" de não expor suas atitudes (votos)? Vocês são bem pagos para agirem "por debaixo dos lencóis"?. Ou aquela historinha jocosa: “Você gosta mais do papai ou da mamãe? Eu gosto dos dois”. Só pra ficar bonitinho na foto e não se indispor com ninguém? Já que estão aí, votem com dignidade, transparência e obrigatoriedade. Assumam a responsabilidade para a qual foram designados, porque o empenho de vocês é o mínimo que merecemos. Fico aliviada por não ter votado em nenhum desses vereadores que aí estão e, ao mesmo tempo apreensiva, por ver que, no inicio dos "trabalhos" se propõem à obscuridade. Não podemos aceitar tal atitude e nos calar. Estamos Atentos!”.

Corajosa, altaneira e muito boa observadora. Guardião lhe dá todo apoio e complementa o que escreve. “Muita cara de pau. A justificativa é pífia: a de que está na pauta e precisa ser discutido. O fato é que, já começa tentando se equilibrar em cima desse muro, bem ao estilo da forma como estão a praticar política hoje em dia. Daí lhe faço a pergunta: que nome se pode dar à isenção dos vereadores em votar? Medo, cagaço, falta de coragem, sabujice, etc e etc. Escolham essas ou outras alternativas. O que não se pode aceitar nessa altura do campeonato são políticos omissos, pagos para fiscalizar e se dizendo isentos de o fazê-lo. Inaceitável isso, ainda mais vindo de quem já esteve do outro lado, frequentou os caminhos periféricos da cidade, conhece seus anseios, ambições, necessidades e age, depois de ter se bandeado para o outro lado, exatamente na contramão de tudo o que aprendeu”, ressalta Guardião.

Nada mais a ser dito por mim, um simples escriba. Somente receio de que o tombo desse muro possa lhe causar algumas escoriações graves e permanentes, daí muito qualificado o dito pelo Guardião quando o pegou caminhando em cima de um deles: “Desça daí, pois com certeza, vai se machucar”. Quem avisa, amigo é...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (95)


DAS DIFICULDADES DE CADA UM... – AS DOÍDAS HISTÓRIAS DESSES DIAS
Não existe algo mais perturbador do que ir constatando como se precarizaram as relações pessoais dos mais empobrecidos na sociedade brasileira. Quem ainda possui um emprego fixo, sente a crise, mas recebendo seu salário em dia, um alento. Esses são penalizados pelos demais à sua volta, esses no aperto e, dessa forma, sendo escorados nos ainda com rendimentos. Bem latente isso. Dói ir tomando conhecimento dessas histórias, uma atrás de outra.

Conto algumas. Identifico somente uma, Amadja, a cuidadora que tão bem esteve ao lado de meu pai até o fim. Cuidou dele com um esmero inesquecível. Registrada como doméstica, se desdobrou e lhe foi pago um salário acima da média, dentro do que se podia. Foi o mínimo que pude fazer. Desde o falecimento de meu pai padece em busca de um emprego fixo. Entrou num, foi explorada, saiu e depois outros, nenhum fixo, muito menos com registro. Dia após dia a vejo entregando currículos, aqui e ali e sem perder a esperança. O marido trabalha com carteira assinada, mas vive um dilema. Ambos me contaram do medo de não conseguirem se aposentar. Hoje, quando a vejo procurando emprego, penso cá com meus botões em outra hipótese, bem plausível: terão eles empregos registrados e condições de pagar a Previdência até chegar o dia da aposentadoria? Perdendo hoje o que possui como contribuir, se nem ao menos encontram um novo?

História dois. Uma baita amiga sempre me aciona aqui pelo pelas redes sociais sobre seus apertos financeiros. Possui uma renda advinda da Bolsa Família, pouco mais de R$ 200 mês. Vive numa casa alugada, quase sendo despejada, ela, filha, filhos dessa e mais seu outro filho, desempregado. A outra renda é da filha, só dela, funcionária pública. O dinheiro não dá nem para o cheiro das despesas. Ela, sessentona, doente, debilitada, quer trabalhar, mas não trem como e me questiona: “Fazer o que nas condições em que me encontro?”. Forte como um touro, não entrega os pontos, resiste e vai tentando de tudo. Propõe uma conversa para ver se a ajudo de alguma forma. Aceito sempre, pois conversar ainda é uma forma de ajudar. Ouvir, dialogar, entender e tentar buscar soluções conjuntas. Junto a tudo isso existe as desavenças provenientes da situação. Todos sabemos que, quando falta o básico, tem início algo da impertinência natural. A situação se torna em alguns momentos insustentável, outros melhora, mas sempre o clima é tenso, pois não estão conseguindo enxergar a tal da luz no fim do túnel.

História três. Uma pessoa que conheci pelas redes sociais e de tanto me dizer de sua situação, acabei indo visita-la, conhecer in loco o lugar onde vive. Mora com dois filhos e vive com a renda advinda de faxinas. Mora numa antiga casa de madeira e vive tentando convencer pessoas pelas redes sociais de sua precária situação. Tenta a todo custo fazer uma reforma na casa, busca ajuda aqui e ali, mas não consegue juntar nada, pois o pouco que ganha usa para alimentação. Seu filho faz bico em pizzarias e ajuda como pode nas despesas. Hoje se apresenta inconsolável, pois suas faxinas rarearam. Quem fazia uma por semana não faz mais e os espaços estão mais dilatados. Muitos fazem uma só vez por mês, quando não cancelam de vez. Nessa semana, desesperada, clama por ajuda, pois está sem nada em sua dispensa e a única faxina marcada para a semana, quinta, foi cancelada. E ainda me diz pensar em receber um ou outro que lhe propôs ajuda para que sua casa não caia de vez. Um eletricista esteve por lá, outro hidráulico e dessa forma, vai tentando sobreviver dignamente.

Encerro com outra. Outra amiga, essa uma lutadora (como todas as demais), me diz em particular de suas dificuldades. Seu filho se formou numa profissão sempre com colocações no mercado de trabalho, mas hoje nada aparece, portas se fecham e cansado, busca ao menos um emprego, para ajudar a mãe nas despesas da casa. Aceita qualquer coisa e não está encontrando nada. Junto tudo isso e saio pela manhã para espairecer, eu também diante dos meus problemas e o que encontro pela frente? Outros problemas, mais e mais. Ouvi mais dois relatos doídos, sentidos, tristes e ao voltar para casa, sento e tudo o que tenho para fazer pela frente, deixo de lado e desabafo nesse escrito. Como ajudar a resolver essas questões todas? Sei que nada se resolverá de forma isolada, sei também da existência de muitos grupos organizados na cidade já atuando junto a esses, mas sei também que muito mais precisa e deve ser feito. Estou cá impotente, prostrado no sofá e a pensar por onde começar. Até a fome diabética é amenizada diante de tudo isso. É meu desabafo para hoje. Pronto, falei.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

ALGO DA INTERNET (124)


“EU, DANIEL BLAKE”, O PETARDO DE LOACH – PROCURAR EMPREGOS QUE NÃO EXISTEM - Texto de Juremir Machado, recebido via email de Pasqual Macariello, Rio RJ*
* Hoje, desculpem, não estou em condições de escrever nada. No máximo, copio esse texto e aqui reproduzo. Um filme inglês retratando a socialização da invisibilidade, essa doença gravíssima que acomete a todos hoje em dia vivendo em países capitalistas, com aprofundamento neoliberal. Numa resenha que havia lido em Carta Capital, algo mais sobre sair chorando da sala de exibição desse filme: “Impossível não chorar assistindo esse novo filme de Kean Loach. A questão é: você chora por você mesmo, chora por causa do seu humanismo incontrolável ou chora porque sabe que tentar deter os planos de extermínio dos mais vulneráveis é como enxugar gelo em Ipanema”. Cliquem a seguir e assistam o triller: https://www.youtube.com/watch?v=ob_uqy1aouk.Comentários de quem assistiu: https://www.youtube.com/watch?v=7nsrc-bM-1Y. No youtube já existem versões completas em espanhol, tente e se conseguir alguma em português me avise, porquer de uma coisa tenho absoluta certeza: esse não vai passar nos cinemas de Bauru. Leiam o texto recebido:

Em 1995, participei de uma entrevista coletiva, na Europa, com o cineasta inglês Ken Loach.
Achei que ele exagerava no melodrama naturalista, requentando Zola e outros escritores do século XIX.
Passados mais de 30 anos, só posso dizer que Loach estava mais do que certo.
Fui ver “Eu, Daniel Blake”, seu último filme.
A gente sai do cinema destruído, arrasado, em lágrimas, indignado.
Dá vontade de dizer uma única coisa: que droga de vida!
A palavra é outra, mas o espaço aqui é familiar.
É a história de um operário que sofre um ataque cardíaco e precisa recorrer à seguridade social.
A perícia, no entanto, foi terceirizada e não tem interesse em que ele receba o benefício.

A burocracia captura Daniel e o reduz à miséria.
Resta-lhe, embora proibido pelo médico de trabalhar, recorrer ao seguro-desemprego, mas para isso ele precisa provar que procura emprego, mesmo sem poder aceitar. Nessa luta, ele encontra uma jovem, com dois filhos, que mergulha no desespero tentando vencer a mesma burocracia, a fome, o sistema, a insensibilidade e a brutalidade do capitalismo.
Resta-lhe a prostituição.
Sei que estou praticando um spoiler brutal.
Ver o filme é outra coisa. Devastador.
É assim: para recorrer da negativa de benefício, Daniel precisa antes receber um telefonema do perito, que não acontece. Um homem que sabe fazer tudo, menos mexer em computadores e navegar na internet, afunda na insegurança.
Até a morte.
Tudo isso acontece para preservar as contas do sistema.

No caso brasileiro, precariza-se a vida do trabalhador para preservar os incentivos fiscais milionários a empresas necessitadas como Gerdau, Philip Morris, Eucatex, Videolar e tantas outras beneficiárias da guerra fiscal.

Ao final da exibição, aplausos, emoção e gritos:

– Fora, Temer!
Por que será?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

DICAS (156)


O QUE AINDA ME MOVE DIARIAMENTE – ENTRE LEITURAS E AUDIÇÕES

Sempre gostei muito de rádio e jornal. Ambos os segmentos estão hoje contaminados e exercendo em sua maioria um triste papel. A mentira predomina e o jornalismo foi jogado na lata do lixo. Uma das críticas duras que faço a Lula e Dilma é pelo fato de não terem conseguido firmar nenhuma rádio ou jornal a nível nacional, onde a população consiga sair do trivial da mentira. Não existe uma sequer. Isso é por demais entristecedor, pois estamos acéfalos de boas leituras. Mais que isso, as leituras honestas deixaram de existir e as que resistem, vivem mal das pernas, aos trancos e barrancos.

Todos sabem que dentre as minhas preferidas está a semanal Carta Capital. Dentre esse segmento, o das semanais, não existe outra. É única e padece muito, pois se Dilma e Lula praticavam a tal isonomia distribuindo verba publicitária para todas, os golpistas não gastam um tostão com quem pratica bom jornalismo, ou seja, quem não mente a favor deles. Na edição desta semana, tem uma missiva de minha lavra e responsabilidade. Ei-la:

“RUMO A 2017 - Em sombrios tempos como os que se avizinham (mas já não sobrevoam nossas cabeças e mentes?), a existência de algumas poucas publicações no ainda livre exercício de esclarecer e escarafunchar o baú de maldades despejado sob os costados dos pobres mortais é algo mais do que alvissareiro. Diria, necessário, salutar e oxigenante. Mesmo para os bestiais que cegamente a criticam, agora até dispostos a envolvê-la na vala comum dos desmandos, ela é hoje algo como uma tábua de salvação diante da iniquidade de uma mídia cada vez mais adesista. Esta revista faz o que pode diante da enxurrada, verdadeiro tsunami de forças contrárias. Navega num mar tempestuoso e, dessa forma, resiste e insiste. Seus leitores reconhecem o esforço e não os abandonarão por nada.”.

Encerro esse curto texto sobre os programas de rádio. Como gostava de ficar mudando de dial e sintonizando uma pá delas. Hoje, quando me deparo com o discurso único, a imensa maioria na linha neoliberal, um desalento total e absoluto. Ainda tento ouvir pela manhã os noticiários das FMs bauruenses, a 94 e a 96, mas decaíram muito. A Auri-Verde se transformou, primeiro em golpista declarada e hoje, em porta voz de um jornalismo rasteiro, caolho, favorecendo esses que hoje estão no poder. Pouca coisa se salva. Nem o esporte, antes cheio de emoção, hoje ficou insonso, inodoro e insípido. Sabe o que faço? Caio fora. Ouço a Unesp FM quase o dia todo quando quero ouvir boa música e no mais, tenho duas preferências pela manhã, quando trabalho com o alto falante ligado. Começo o dia tentando ouvir o Ricardo Boechat na FM Band News RJ (http://playersradios.band.uol.com.br/?r=rb_bandnewsfm_rio), entre 8 e 10h. às 10h em ponto, não se espantem, ouço diariamente um programa argentino, o La Manana (http://radioam750.com.ar/), com o jornalista uruguaio atuando naquele país, Victor Hugo Morales. A princípio, Macri tentou calar sua voz e foi despedido de outra rádio, a Continental, mas conseguiu espaço numa livre, opinativa e praticante de um jornalismo tão em falta nesse nosso Cone Sul que, fico sintonizado em sua fala das 10 às 12h.

Desta forma me informo... e me decepciono pouco.

domingo, 15 de janeiro de 2017

MEMÓRIA ORAL (206)


PAULINHO VIVE DA FORÇA DA POMADA MILAGROSA E POR CAUSA DELA VIAJA O PAÍS – UM DOS CAIXEIROS VIAJANTES DO SÉCULO XXI

Ele é oriundo do interior do Pará, mas ganhou o Brasil quando descobriu anos atrás algo pelo qual poderia fazer a América. Cansado de pequenos ganhos e empregos que o amarravam a um mesmo local, quando surgiu diante de si as tais pomadas milagrosas, seus olhos brilharam e, em pouco tempo, Belém já era pequena para ele, o Pará idem e hoje conhece o país praticamente inteiro. Caixeiro viajante das tais pomadas, carrega para onde vai duas malas, uma com suas roupas e outra com as tais pomadas, dessas que curam desde unha encravada até levantar a moral dos que necessitam de uma ajuda para terem seus membros sexuais em ponto de bala.

Aliás, confesso, o conheci por causa da tal “Pomada Japonesa”, o carro chefe de sua banca montada nas mais variadas feiras e ruas brasileiras. Seu nome, simplesmente Paulinho, como se identifica quando perguntado. Sujeito simples, falante, audaz e versátil, pronto para novas aventuras, todas relacionadas ao seu ganha pão, as tais pomadas. Está em Bauru, interior de São Paulo, um dos pontos onde tem uma espécie de parada obrigatória em seus vários roteiros. “Tenho uma filha residindo aqui e volto sempre mais por causa dela. Já não me relaciono com a mãe dela, mas vir vê-la é algo pelo qual não abro mão”, diz.


Domingo de sol quente, ele tem sua banca montada na movimentada Feira do Rolo, junto à feira dominical mais famosa da cidade. Sou apresentado a ele por outro feirante, Carioca, o livreiro do local, que lhe cede um espaço junto à sua banca e não só isso, faz questão de ir apresentando aos seus clientes e amigos, como o fez comigo e com o professor universitário, José Laranjeira na manhã do dia 15/01. Ao nos ver batendo um animado papo sobre personagens do local, se achega e diz: “Precisam conhecer uma pessoa”. E assim somos apresentados.

Diante de sua banca aquela infinidade de produtos, a maioria embalados em latinhas de metal e com rótulos sem nenhuma informação grandiosa do que conteúdo, mas o suficiente para saber do que se trata. Tem para todos os gostos e preferências, desde a famosa arnica, remédios para hemorroidas, dores diversas, como intestinais e contusões, para gases, fricções variadas e quetais. Um colorido bonito de ser visto, de chamar a atenção. Somos tocados e lhe fazemos várias perguntas. Paulinho não se esquiva de nenhuma delas. Sabe na ponta da língua da boa resolutividade do que vende. Só abandona a conversa conosco para atender clientes ou gente passando e olhando de soslaio para os produtos expostos.

Algo mais nos interessa. Ele é paraense, seus pais moram em Sobral (“Meu pai tem 80 anos e faz uso da Pomada Japonesa. Nunca reclamou e continua dando muito bem conta do recado”, diz) e no meio da conversa vai contando dos lugares por onde já passou. Conhece tudo, o país inteiro, sem tirar nem por. As perguntas pipocam de acordo com a nossa curiosidade. Uma delas é como viaja e onde se hospeda. “Perto de casa vou de carro, mas para o resto do país, de ônibus, numa boa e fico em pequenos hotéis, preços baratos e casas de conhecidos, pois onde vou tem gente que já me conhece”.

Paulinho estabeleceu uma rede de fraternos e confiáveis amigos por onde circule. Carioca, o da banca bauruense um deles e dessa forma, hoje em dia, pleno século XXI, continua a exercer de forma primorosa o ofício de caixeiro viajante, algo que para muitos estava em plena extinção. Algo mais no instiga a saber, muito mais do que o efeito dos produtos vendidos, se tudo aquilo é mais do que suficiente para viver. Rindo responde da forma mais tranquila possível. “Vendo bem, sempre vendi. Trago coisas boas, com bons resultados e trabalho muito, de segunda a segunda. Não dou o endereço de meu fornecedor, pois quero todos comprando de mim e não tenho gente reclamando do que comprou de mim. Tudo produto natural, artesanal, tirado da natureza, coisa boa”.

Conta mais. “De uns tempos para cá estou querendo muito ir vender em terras argentinas. Outro dia no sul do país me deparei com turistas desse pais e vendi quase tudo que carregava para eles. Ficaram encantados e me disseram que venderia muito lá. Quero ir, vou me aproximando, vendo se não terei problemas na fronteira. Quero conhecer não só a Argentina, mas outros países”, continua. Algo a nos fazer a conversa ir se prolongando, cada hora tomando rumos diferentes, mas nada de comprar algo. A conversa flui e já estávamos ambos íntimos do ambulante, papos pessoais, relatando sobre detalhes de cada lugar, como seus roteiros de viagem. Boa parte do tempo passado na feira foi passado ali diante dele.

Ele também deve ter gostado, pois antes da despedida insiste em que aceitemos a tal pomada japonesa. Constrangidos queríamos recusar, mas a boa educação nos fez aceitar, não sem antes ouvir como se faz a aplicação da mesma e dos seus efeitos. Abrindo uma das latinhas, passando um dos seus dedo sob a pasta diz: “É simples, passe o dedo dessa forma, junte e aplique primeiro na ponta do danado e depois num segundo lugar, levante ele e passe na base, na raiz, entre o final do caule e o tronco principal. O faça alguns minutos antes de consumar o ato e continue o mesmo sem chamar muito a atenção. Não falha, o danado vai latejar, funcionar que é uma beleza”. Saímos de lá, ambos com uma latinha nos bolsos e maravilhados com essa forma ousada de tocar a vida. De uma coisa, ambos tivemos certeza, Paulinho conhece o país muito mais que nós dois. Talvez até juntando nossas viagens todas, não teremos o roteiro já percorrido pelo mesmo, um estradeiro e com uma invejável quilometragem rodada em seu velocímetro pessoal.

sábado, 14 de janeiro de 2017

CHARGE ESCOLHIDA A DEDO (116)


A NETFLIX, BANDA LARGA E COMO ELA VERGOU (POR ENQUANTO) GOLPISTAS BRASILEIROS – SE BORRANDO TODOS VOLTARAM ATRÁS
A britânica NETFLIX protagonizou semana passada um dos embates mais interessantes no cenário político nacional. O golpista (des)Governo de Temer através de seu ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab lançou no ar a informação de que, favoreceria aos interesses das TV de canal aberto e canais pagos, começando a cobrar pela tal Banda Larga. A intenção era somente uma: atingir a Netflix, um sistema de transmissão de filmes variados via internet e a preços baratos, abaixo dos praticados pelo mercado. O que essa empresa faz é lançar em todos os países onde presta serviço, a adaptação de séries, filmes, documentários com legendas e traduzidos para vários idiomas. A pessoa escolhe como quer assistir e na hora a opção surge na tela, enquanto os serviços de TV por assinatura, tipo NET e GVT, por exemplo, te obrigam a comprar pacotes com a maioria dos canais, pelos quais a pessoa nunca assiste nada. Ou seja, paga caro por um sistema de pacote e nunca assiste o que se quer ver de verdade. E dificultam alternativas e quando existem, encarecem mais seus custos mensais.

Na Netflix a mensalidade básica gira em torno de meros R$ 25,90 com acesso a todo um incomensurável acervo. Ali se encontra de tudo. O que está acontecendo? As pessoas simplesmente comparam e deixam de continuar pagando TV por assinatura, pois deixa de ser viável e caem de boca na Netflix. O serviço oferecido é muito melhor. A juventude num todo já aderiu e nem pensa em voltar atrás. Quando perguntados sobre algo ainda não encontrado na Netflix a resposta está na ponta da língua, como a dada a mim por meu filho: “Notícia e informação tem de monte na internet e em lugares muito mais confiáveis do que na televisão normal”. Vou dizer o que? Nada. Acabo indo na dele.

A historinha mal contada da semana é a seguinte, sem tirar nem por: Kassab queria acabar com a banda larga e devolver a lucratividade para as TVs pagas e também a aberta, que perde dia a dia audiência, consequentemente anunciantes. A intenção era prejudicar a Netflix. Muito claro isso, pois quem faz uso da internet precisa da Banda Larga para receber o sinal da Netflix. Sem ele impossível assistir os filmes, séries e tudo o mais. A revolta nasceu logo após o ministro ter tentado esboçar como seria a coisa daqui por diante. Numa hashtag imediata viralizada pela internet estava lá um desafio: “Abaixo o limite da internet”. Em 24h foi a hashtag mais compartilhada na internet. Não deu outra, Kassab voltou atrás e rapidinho. Medo, ou melhor, cagaço. “Não se atrevam”, foi uma ameaça posta pelo Anonymous, simplesmente supondo que na tentativa de acabar com a Banda Larga invadiriam todos os sites governamentais e já anteciparam divulgando algo muito pessoal da vida do ministro. Os golpistas no poder provaram mais uma vez terem medo de ameaças e se borram todo. Com os cueiros ainda sujos, cederam vergonhosamente aos intentos.

Volto a ouvir algo vindo de meu filho: “A maioria dos jovens que eu conheço, pai, não mais assistem televisão por causa da Netiflix. Nela se assiste coisas do mundo todo e eles financiam filmes por todos os lugares, muitos não comerciais. Um cardápio dos mais interessantes. Não volto mais para a cara TV por assinatura”. Concordo com quase tudo. Sim, dá para assistir coisas do mundo todo, mas uma pergunta ainda paira no ar, mais do que necessária nesse momento: “O cardápio é mesmo dos mais interessantes, mas o que esses andam assistindo está dentro desse algo mais do que interessante?”. Mesmo sem saber a resposta, gosto muito de ver as grandes corporações irem se rendendo em ações como essa, mesmo que não durem muito. Vergar poderosos é algo prazeroso. A Netflix proporciona isso, mesmo já sendo ela uma grandona no mercado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (32)


UM DESABAFO COM UM CORONEL NO PODER – NEM MENÇÃO DOS SEUS TEMPOS DE REPRESSÃO
Não consigo me manter no estado normal diante de uma entrevista que assisto assim sem querer na TV. Ela me provoca calafrios. Foi na TV Preve e nela o entrevistador de sempre, dono da tal TV, chapa branca quando o assunto são a defesa dos interesses neoliberais e cravar a faca no peito do povo trabalhador, Duda Trevisani. O que faz esse senhor, até as pedras do reino mineral sabem não é jornalismo. Ali um imenso balcão de amplas negociações, ele mesmo um dono de uma escola e nos microfones a defesa de seu patrimônio, dos seus e apoiando esse cruel golpe cravando uma estaca no peito do povo desde o primeiro ato temerista. Duda paparica quem concorda com seus argumentos. Quem ameaça se contrapor ao que cuspe no microfone, ele se altera. Lembro até hoje de uma entrevista com Tidei de Lima e ao constatar ser ele contra o golpe, pronto, só faltou pular em seu pescoço. Mas quando bate a empatia, uma troca de acarinhamentos sem fim. Algo vergonhoso a me fazer vomitar no chão da sala.

Escrevo disso aqui: http://www.tvpreve.com.br/base.asp…. Trata-se de uma entrevista dele, o Trump local, Duda com um coronel, hoje presidente da EMDURB, ELIZEU ECLAIR. A carreira toda desse senhor foi dentro da Polícia Militar. Nada contra ninguém seguir carreira dentro dessa corporação. Trabalhou com Serra, Pedro Tobias, Kassab e Alckmin. Querem mais? Abomino isso dessa subserviência dos jornalistas, não demonstrarem educação, mas uma espécie de medo, receio ao tratá-lo de CORONEL ECLAIR. Ninguém chama ninguém de Professor Henrique ou mesmo, Pedreiro João. Para alguém com hierarquia militar existe essa abominação. Sim, o que abomino é ter sido o algoz de muitas lutas populares, ter autorizado a descer a ripa nos costados do povo paulista, principalmente o trabalhador, o homem do campo, o a defender os movimentos sociais e populares e agora, todo pimpão e sorridente, 62 anos nos costados, assume um posto importante no serviço público bauruense e esquece, passa um apagador em cima de tudo o que fez.

Queria ver uma entrevista dele comentando sobre as decisões palacianas entre ele e Serra, a de brindar tucanos e desdizer do trabalhador. Lindo ver a forma superficial como trata a catástrofe ocorrida com a cidade. A entrevista é bem explícita nesse sentido. Um horror tentar imaginar a forma nada sensível como tratou com os clamores do povo mais simples, o que confrontava com os ditames do governo tucano paulista. Eu adoro ver essas pessoas falando, como tem resposta para tudo, como solucionam tão facilmente tudo á sua volta, como o fazem maravilhosamente excluindo os anseios populares. Inesquecível a lembrança que tenho desse mesmo senhor confirmando que o governador Alckmin teve sim conversas conciliatórias com o comando do PCC. Fizeram ou não um acordo? A Polícia Militar foi acusada sob seu comando de exagerar nos confrontos contra os criminosos e matar pessoas inocentes. Mais de 100 pessoas foram mortas em poucos dias e a ocasião foi comparada ao massacre do Carandiru. Ninguém lhe pergunta nada mais disso.

Transparência é não esquecer jamais tudo aquilo. Assisto a entrevista e me encolho no sofá. Tento me esconder detrás de uma almofada. Me cago com esses de fala empoada, alegres e comunicativos quando diante das câmeras e um perigo quando longe delas. Temo pelo que teremos. Torço para que, não se repita na autarquia bauruense o que ele diz ter sido uma espécie de missão implantada na corporação paulista. Bauru não é uma corporação, a EMDURB não é um pelotão a cumprir ordens sem contestação e os munícipes não merecem ser tratados com a borduna na mão. Eu não consigo deixar de ficar com um pé atrás com o Eclair. 2004, 2005 e 2006 são ainda para mim inesquecíveis. Veremos o que teremos pela frente a partir deste 2017. O acinte eu percebo e a entrevista reforça isso, vale só para os adversários, nunca para os que estão do seu lado. Enfim, rir do PT sendo do PSDB, para mim é pura hipocrisia.