sexta-feira, 28 de abril de 2017

MEMÓRIA ORAL (209)


EIS ALGO DA GREVE GERAL E SUA REPERCUSSÃO EM BAURU – 5 MIL PESSOAS NAS RUAS
“Sensacional ideia! - Para quem vai comprar seus presentes do dias da mães , vai aqui uma sugestão: comprem os presentes de pequenas empresas. Da vizinha que vende por catálogo, das mulheres e mães empreendedoras, de artesãos , #ficadica! :) ), das lojas do bairro, da doceira que faz doces artesanais, do rapaz que tem uma banquinha ... Façamos o dinheiro chegar às pessoas comuns e não somente às multinacionais... Assim haverá mais gente para comemorar dias da mães . Apoiemos a nossa gente! Se acha que é uma boa proposta, copie e cole no seu mural.”, Valquíria Correa.

“Talvez, a greve não deva ser um direito. A essência da greve é causar, mesmo. Apavorar. Questionar com a ausência, com os braços cruzados. Quando ela vira um direito, fatalmente, ganha regulamentações, perdendo de fato, sua essência. (Leia novamente, por favor, antes de se precipitar em modo emotivo)”, Daniel Daiben

"Vagabundo” não é quem faz greve. É quem se nega a estudar História", Fellype Borges

“Greve é pra incomodar mesmo. Se fosse pra fazer graça, a gente se vestia de verde-amarelo , batia panela e dançava em volta de pato gigante”, Janaina Oliveira (informado por Luiz Carlos Azenha).

“Vamos fortalecendo nossas organizações e a nossa consciência de classe. não são mais possíveis reformas dentro do sistema, e a política de colaboração com a burguesia fracassou. porém, uma outra sociedade, mais do que possível, é uma necessidade”, Tauan Mateus.

“Esse governo atolado na lama da corrupção não tem moral e credibilidade para fazer qualquer reforma! Seja ela na previdência, nas leis do trabalho ou no quartinho dos empregados do Palácio do Planalto!”, Lucius de Mello

“Hoje aprendi algo: que lutarmos pelo que acreditamos torna-nos vagabundos”, Emílio Figueira

“Os manifestantes estão tirando meu direito de ir e vir, ouço. Respondo: amigo, o poder econômico tira o seu direito de ir e vir todo o dia com uma catraca dentro do ônibus, na entrada das estações de trem e metrô, com o sucateamento do transportes públicos e você não reclama”, Luis Felipe

“Vários são os derrotados de hoje. Mas a taça vai para João Doria, que pensou em matar no peito e chamou a greve para si, ao desafiar o movimento social. Não é político e nem gestor (esses em geral são mais espertos). É apenas um bobo alegre”, Gilberto Maringoni

“Ele apoiou e participou de manifestações contra Dilma e seu governo legítimo e democrático. O governo do Estado permitiu catraca livre no metrô para que as pessoas participassem e atendessem as convocações feitas pelos partidos de oposição (PSDB, DEM e outros) e pelas grandes emissoras de televisão para derrubarem o governo da presidenta e tomarem seu lugar. Até proteção policial aqueles manifestantes tiveram. Diferente da manifestações contra o golpe que foram ostensivamente reprimidas pelos governos tucanos.”, Heloisa Alves Ferreira Leal.
“Mais de 10 mil pessoas no ato de hoje A classe trabalhadora e a juventude ganharam as rua de Bauru. Várias categorias respondendo à convocação de seus Sindicatos, em com conjunto com os movimentos sociais e populares paralisaram suas atividades. Foi uma das maiores passeatas seguida de ato realizada nos últimos anos. Muita motivação, muito ânimo e vontade de lutar foi o que vimos , para derrotar Temer, o congresso Nacional e todas as reformas propostas por estas quadrilhas.”, Roque Ferreira

“Se a greve te atrapalha de alguma forma, isso apenas demonstra que estamos numa relação interpessoal, onde seus atos imbecís, como criticar a greve, ou chamar seus manifestantes de vagabundos, também atrapalham a tentativa de manutenção dos direitos sociais. E se te atrapalha, é porque está dando certo a manifestação.”, Luiz Gustavo Branco

“ Houve manifestações democráticas em minha cidade natal Jaú(SP). Para mim foi uma surpresa emocionante, me pegou de surpresa. A cidade é extremamente conservadora, reacionária. Fiquei muito feliz.”, Carlos Norberto Olisieri
“Chega de hipocrisia e manipulação ou lutamos pelos nossos direitos e seremos explorados por aqueles que nunca tiveram escrúpulos e nem compromisso com o Brasil !!”, Marcelo Cavinato
“Bauru.... Sem limites para lutar. Trabalhadores em defesa dos direitos e conquistas. Só a luta muda a vida.”, Tatiana Calmon


"O tempo enorme que está sendo despendido por instâncias de governo e noticiários de tv, para dizer que a Greve Geral foi um fracasso é um dos principais indícios de que o movimento foi forte em todo o País. Os golpistas sentiram a pancada recebida, sabem que há uma tendência de crescimento da luta contra o Golpe e, por isso, usam a manjada tática da desinformação. A hora é de partir para cima dessa direita entreguista, parasita e venal.", Geraldo Bergamo. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (39)


EXTRA EXTRA EXTRA, GOLPE POSSIBILITA ABERTURA DE NOVA FÁBRICA NA CIDADE 

UMA NOVA FÁBRICA FLORESCE EM BAURU E AMANHÃ SUA PRODUÇÃO ESTARÁ NAS RUAS, PRAÇAS, BECOS, VIELAS E NA BOCA DO POVO - VAGABAS EM AÇÃO
Ela está em plena ascensão e com, cada vez mais pessoas querendo dela participar. Trata-se do mutirão de cartazistas para engrandecer ainda mais o ato de GREVE GERAL ocorrendo amanhã no país todo e com grande movimentação em Bauru. Munidos de pincéis, guache, pilots, tintas e papéis múltiplos e variados, com "uma ideia na cabeça e uma câmera na mão", cada um cumpre o que lhe vai por dentro, a vontade de contribuir, dar o seu quinhão para retransformar esse país e, pelo menos fazer o que estiver ao seu alcance para devolver o mesmo num caminho dentro da normalidade. Como primeira etapa, extirpar, eliminar, dar cabo desses cruéis e insanos golpistas, predadores dos bens nacionais. Amanhã é o dia, hoje a etapa final da preparação.

Colo aqui algo criado pela verve do cantante e encantante João Biano (hoje já quase um carioca) e que, acabei completando com um algo mais, muito propício para o momento vivido, onde todos estamos sendo chamados de vagabundos. Seria vagabundagem lutar pelo restabelecimento da normalidade? Daí, seu escrito cai como uma luva para o conflitante momento, quando uns se mostram indecisos, outros com medo, tem que se esconda embaixo da cama e tem quem ainda defenda o indefensável, mas existem os que botam o bloco na rua e colocam a cara para bater, considerados vagabas por uns bestiais:

✔️Indígena: vagabundo;
✔️Sindicalista: vagabundo;
✔️Esquerdista: vagabundo;
✔️Artista: vagabundo;
✔️Grevista: vagabundo;
✔️Movimento Social: vagabundo;
✔️Feminista: vagabunda;
✔️Professor: vagabundo.
👉🏾Deixa de ser mente xerocada e venha ser vagabundo também. Prometo o seu futuro de volta!

DIA 28 FAÇA GREVE E VENHA PARA A RUA PARTICIPAR DOS ATOS CONTRA OS ATAQUES DO GOVERNO TEMER E SUA QUADRILHA.

EM BAURU: ATO UNIFICADO ÀS 9 HORAS CONCENTRAÇÃO EM FRENTE À CÂMARA MUNICIPAL!
Quer aderir à greve do dia 28 mas tem receio em ser punido no trabalho? Vá doar sangue, a lei trabalhista ainda garante o dia de folga para aqueles que realizarem essa boa ação. Colabore com a construção da #GreveGeral. #28deAbril #28A #GreveNoBrasil

E o aluno não saiu para estudar, pois sabia o professor também não tava lá

E os fiéis não saíram pra rezar, pois sabiam que o padre também não tava lá

"Como explicar a uma pessoa que vive do trabalho que não adianta ela se aliar ao discurso dos donos dos meios de produção e comunicação para se tornar um capitalista ?
Você vive no capitalismo mas não é capitalista.
Você não tem fábricas, Capital investido, não é latifundiário.
Se você faz viagem pelo CVC, tem tres carros financiados, casa com piscina comprada pela Caixa. Mesmo que se ache rico, não é rico.
Ricos são aqueles caras que você não vê
Se você defende um sistema do qual você é excluído, é apenas outro inocente útil."
, Silvio Selva

"Greve não é para gostar, é para nego ficar puto, é para dar prejuízo, parar tudo, para os caras pensarem antes de tirar os direitos !", jornalista Rodrigo Ferrari
Sem mais nada a ser dito, amanhã GREVE GERAL.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CARTAS (173)


PIRES NA MÃO E BICO CALADO*

Texto de minha lavra e responsabilidade publicados hoje, um aqui outro ali, na Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade - Bauru SP e como 2º texto na nova edição virtual d'O Alfinete, da vizinha Pirajuí SP:

A maioria dos prefeitos de agora perdeu a liberdade de, ao menos em alguns momentos, se posicionarem contrários ao poder de mando vindo lá do Palácio dos Bandeirantes, emanado por Geraldo Alckmin, e do Palácio do Planalto, emanado pelo ilegítimo e golpista Michel Temer. Existia até bem pouco tempo algo natural dentro da política, o fato de um prefeito ser de um partido político e o governador de outro, sem que isso causasse problemas além da divergência partidária e ideológica. Mesmo com rusgas, a coisa pública prevalecia sobre as demais. Foi-se o tempo.

Vigora hoje nas hostes paulistas, ampliada com o advento da chegada do (des)governo de Temer, a institucionalização de nova modalidade transacional entre as partes. Para um prefeito conseguir algo, necessita ir de pires na mão, tanto para São Paulo quanto para Brasília, mesmo sendo da mesma linhagem política e partidária. A condição hoje é só uma: implorar para conseguir algo e, mesmo diante de urgência urgentíssima, nunca ousar demonstrar algo contrário do prescrito na cartilha do mandatário superior.

Gazzetta, o prefeito bauruense, esteve essa semana em Brasília e deve ter sentido na pele o que isso tem de mais cruel. Não existe mais cordialidade nas relações; elas, além de embrutecidas, são muito práticas, a cara dos novos tempos. "Ou você me apoia ou nem lhe atendo ou, se lhe atender, é mera questão protocolar. Tire seu cavalinho da chuva se espera receber algum tipo de ajuda para a necessidade de seu rincão se ousar discordar ou agir diferente do que lhe imponho", eis a regra primeira.

Veja como se dão as relações de Temer com os governadores. Para conseguir uma grana extra, mesmo as mais que básicas, se faz necessário entregar de bandeja lucrativas empresas estatais para privatização. Sem ela, nem conversa existe. Na bacia das almas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já entregaram a alma ao diabo, no caso, aos vis interesses dos atuais integrantes planaltinos.

Não pensem diferir o "modus operandis" de Geraldo Alckmin. A negociação se dá nesse nível. Você aceita fechar uma escola, assumir seu passivo e, daí, penso no que posso fazer. Quanto tempo mais, por exemplo, nosso DAE resistirá? Cito caso bem recente ocorrido em Bauru. A falta de medicamentos nos postos de saúde da cidade está pela hora da morte e o menos culpado por isso é o município. Os programas são estadual e federal, porém, os prefeitos preferem engolir em seco, assumem para si culpa e tocam o barco com o que tem, pois se reclamarem e explicitarem a culpa a quem de direito, correm o imenso risco de perder o pouco ainda recebido e, daí sim, o caldo entornará. Nem dialogar podem mais, quanto mais denunciar.

Não existe mais periodicidade para nada, certeza então, nem pensar. Cortes são rotineiros e que se virem, levantando as mãos para o céu pelo ainda recebido. Contam com o acaso e com o quesito da boa vontade. Os tempos são outros e isso é só a ponta do iceberg do estado de exceção adentrando as quatro linhas do campo e jogando cada vez mais um bolão. Hip hip hurra, não era isso que queriam? Não queriam mudança? Ei-la, sem tirar nem pôr.

terça-feira, 25 de abril de 2017

OS QUE FAZEM FALTA e OS QUE SOBRARAM (98)


BRASILEIROS RICOS SE MUDAM PARA LISBOA
Portugal se tornou a “meca para um mundo em crise”. É o que afirma a manchete e o texto de matéria publicada no Jornal da Cidade (www.jcnet.com.br), edição de ontem, segunda, 24/04/2017. Aparentemente, tudo parece lindo e os abastados brasileiros indo para lá de mala e cuia, mais por causas das tais facilidades, principalmente as da língua e da estabilidade existente naquele país. Hoje, segundo o que leio, já seriam 85 mil brasileiros com residência regular naquele país.

Só que nem tudo são flores nessa debandada. No caso brasileiro, as flores murcharam de vez com o advento do golpe institucional, quando assume o poder o ilegítimo presidente Michel Temer, também assumido golpista. A partir esse novo cenário, o país deixou de ter um Governo realmente autônomo, independente e, principalmente, perdeu sua soberania. O enfraquecimento foi sentido de cara no cenário internacional e no interno, a catástrofe é sentida a cada no ato promovido pelo já denominado (des)Governo. Não existe mais como contemporizar com esses, pois a destruição do país se faz presente em todos seus atos, um após o outro, no sentido de passar a borracha em algo consolidado ao longo de décadas. A economia está em frangalhos e as relações institucionais só pioram. Até o Judiciário, um dos últimos bastiões de credibilidade, perdeu de vez a sua e isso é sentido no desanimo com que a população os encara. O menor índice de aceitação de um Governo nas últimas décadas é o do atual. Pior impossível.

E como reage a população? Cada um ao seu jeito. A matéria não esclarece o principal motivo dessa debandada dos ricos brasileiros do país. Rico, em primeiro lugar, nunca foi bobo. A maioria explora o pobre, mas gosta de viver num lugar saudável, edificante e coisa e tal. Ajudaram a dar o golpe, mas hoje, com a ficha caindo pela besteira feita, muitos continuam usufruindo das benesses, mas preferem bater em retirada e tocar suas vidas em outras paragens. Quem pode faz isso? O rico faz descaradamente. Mas existem outros indo pelo mesmo caminho. Cito uma história de um casal, longe de ser considerados ricos e acabam de fazer o mesmo caminho, o de ir morar em Portugal.

Um casal de amigos carioca, ela aposentada do Governo do Estado e ele em vias de se aposentar de função no Governo Federal, acabam de se casar em Portugal na semana passada e fizeram por motivos outros. Ele, perseguido em seu local de trabalho por se opor aos golpistas, sofre perseguição e está tendo que antecipar sua aposentadoria, mas como possui cidadania portuguesa, moram juntos há anos, foram se casar na terra dos seus patrícios. Ela vai buscar a cidadania na convivência e moradia por lá. E por que escolheram Portugal? Sempre foram muito atuantes na política daqui, mas se desencantaram com o atual rumo das coisas e, reunindo forças partiram para um lugar mais palatável. Pensam que o povo brasileiro em sua imensa maioria está feliz diante do que vê ocorrendo à sua volta? Evidente que não, mas como não tem outra saída, resistem ao seu modo e jeito.

Conheço outro, um ferroviário aposentado que, cansado das bestialidades reinantes por aqui, conheceu o Uruguai, viu como podia transferir sua aposentadoria e receber seu soldo por lá, via Banco do Brasil, vendeu sua casa aqui e foi-se enquanto ainda lhe resta um tempo de vida saudável. Não é o fato em sair, de desistir do país, mas de não suportar novamente um regime perverso para com o povo. Quem enfrentou resistindo ao Golpe Militar de 64 sabe disso muito bem e, alguns desses, até pela idade, perderam a disposição de ter que enfrentar novamente algo similar. Tudo começa com essa onda de moralismo e fascismo já dobrando a esquina e atingindo a tudo e todos.

Eu mesmo, só não vou agora mesmo para Pasargada, por tres motivos. Primeiro, por não conhecer o caminho, depois por não ser amigo do rei e depois, pois ainda acreditar que algo ainda precisa ser tentado a mais nos próximos passos por essas plagas. Tenho um filho terminando a universidade (e o que será dele diante desse país tão bestificado?), uma esposa com anos de labuta antes da tão sonhada aposentadoria e eu, mesmo com 56 anos, ainda não conseguindo ter vencido na vida. Do contrário, ah, do contrário, flanaria primeiro pelo que ainda resta de América Latina livre e depois encontraria um cantinho bem distante da bestialidade e do medo coletivo que vejo reinar no meu país.

Portugal é só um dos lugares palatáveis pela aí...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (102)


PRIVILÉGIOS – AEROCLUBE E PANELA DE PRESSÃO
O mundo capitalista, até as pedras do reino mineral o sabem, é dos e para os espertos. E neste sistema econômico vigente hoje no Brasil e em boa parte do mundo, ser esperto faz parte do negócio. Não me canso de repetir ser o mundo de hoje o paraíso de uns poucos tirando proveitos nos costados da imensa maioria. Como pode dar certo isto? Não dá, mas é assim que se dão as coisas. Cito abaixo dois casos de privilégios em plena vigência na terra “sem limites” bauruense:

PRIVILÉGIO 1 – O Aeroclube de Bauru é uma área pública, das mais valorizadas para o mercado imobiliário local, hoje tombada pelo CODEPAC (este hoje adormecido em berço esplêndido, sob patrocínio do poder público municipal) e ali um bucólico aeroporto, nos moldes dos de antigamente. Virou o paraíso dos proprietários de pequenas aeronaves na cidade e região. A edificação é pública, mas administração é privada e daí cobrar aluguel dos hangares é algo natural. Fazem por lá uso e uma espécie de usucapião. Assim como também é algo mais do que natural encher todo o muro lateral da avenida Getúlio Vargas, ladeando a pista, com anúncios variados e múltiplos. Faz-se de tudo por aquelas bandas sem prestar nenhum tipo de conta para o dono da porcada. Hoje, o grande problema a revoltar todos os que lucram com o edificante negócio (da China, diria!) é a propositura de ocorrer uma licitação para, por exemplo, compra de combustível. Pelo que sei, o coronel a comandar a EMDURB, o Eclair ameaça mexer neste vespeiro. Não encontra só resistências, mas um declarado “motim”. Não entendem como alguém com seu currículo, pode querer fazer algo tão injusto para um negócio tão bem ajustado. “Pra que mexer em time que está ganhando? Para que revolver problemas do passado, enfim, águas passadas não movem moinhos? Está tudo correndo tão bem e agora vem esse cara cutucar quem está quieto”, eis como lhe cobram. Deixar como está ou comprar uma briga com alguns das “forças vivas” desta cidade? Eis a sina do coronel presidente da EMDURB.

PRIVILÉGIO 2 – A Panela de Pressão é um ginásio patrimônio noroestino e alugado para a Prefeitura Municipal por R$ 28 mil mês, tudo para favorecer duas equipes de grande rendimento no esporte nacional, com empresários bauruenses por detrás de cada uma e aqui mandando seus jogos, os de basquete e vôlei. Ambas disputam os mais importantes torneios nacionais em suas categorias e por detrás de cada uma, empresas, auferindo lucros com o auspicioso negócio. A cidade ganha com os jogos, os times formaram torcidas, os empresários lucram e a Prefeitura entra com o que pode fazer dentro de suas limitações. Tudo certo, até o exato momento em que, malditas goteiras interrompem uma partida de basquete transmitida ao vivo pela TV e para todo o país. O Noroeste, como se sabe, é o primo pobre neste imbróglio e dele não conseguirão a necessária reforma do teto. Simples, faça-se pressão sob quem já paga o aluguel, para que esse providencie a reforma e a toque de caixa, pois na próxima sexta já teremos mais um jogão aqui na cidade. Veladas ameaças são desferidas: “Oferecemos o melhor para cidade e em troca recebemos um ginásio meia boca”. Simplifico tudo. Eu monto o meu auspicioso negócio e conto com a ajuda externa, neste caso, do poder público, do contrário, irei à busca de quem assim o faça. A pergunta que não quer calar: tenho um time lucrativo, disputo torneios de ponta, não possuo ginásio para as partidas, ganho um praticamente de presente e reclamo por não estar nos trinques, do contrário, ameaço arredar pé. Promover, os dois times, em franca união de interesses, a tal reforma, nem pensar, né? Adoro explícitas demonstrações do “venha a nós, nunca ao vosso reino”.

domingo, 23 de abril de 2017

UM LUGAR POR AÍ (94)


ATO PELA REABERTURA DA ESCOLA ESTADUAL FRANCISCO ALVES BRIZOLA!!!
A RESISTÊNCIA É FEITA NAS RUAS!!!!
Um abraço no Brizola e repúdio a ação do Governo Estadual, com repetidas ações de desmonte da estrutura educacional paulista. Mais do que perceptível isso, o descaso e uma clara tentativa de ir desmontando toda uma estrutura educacional.

Foi hoje, às 10h, lá defronte a Escola Estadual Francisco Alves Brizola, no Geisel. Sou convidado pela antiga aluna e professora, ex-moradora da região (hoje dá aulas e reside em Pederneiras), a Silvia Carlos Lopes e repassei convite e todos os interessados nos destinos da Educação quando capitaneada pelo atual Governo Estadual, sob as ordens do desmobilizador Geraldo Alckmin.

No facebook da mesma algo mais do convite:
"Hoje é dia de luta para aqueles que ainda acreditam num mundo melhor. Minha imagem de bom dia é a bandeira da E. E. Francisco Alves Brizola, a escola em que eu estudei e vivi os melhores dias da minha vida e que fez a diferença na vida de muitos. Hoje ela encontra-se fechada, largada, humilhada, mas nós, "seus frutos" vamos deixa-la em pé novamente e que ela volte a ser o Brizolão, a que marca/ou a vida de muitos. Bom dia, mas bom dia mesmo! Silvia Carla".

No JC algo mais do evento:
http://m.jcnet.com.br/…/em-protesto-exalunos-promovem-abrac…

Abaixo depoimento de uma ex-professora:
Mainini, ex-diretor
“Amo esta escola, dei aula ali e fui muito feliz. Tinha uma equipe de professores nota 1000, e quem não conheci podia até falar mal, mas quando entrava ali as coisas eram diferente. Tinha problemas como toda a escola tem, mas o que faltava nos alunos era amor e quando conseguimos transmitir isso para eles , era tudo de bom. Fico muito triste e com o coração partido, sempre dizia , que foi o lugar que aprendi a ser professora,. Trabalhei com SR Aparecido e o Marcelo ,e toda a equipe é uma pena mesmo.”, Renata Santin

No final do dia, a boa repercussão: Foram mais de 200 pessoas dando o abraço na escola e numa das fotos, o primeiro diretor, professor Mainini, também presente. Os próximos passos subsequentes serão fazer um BO e dar entrada num processo no Ministério Público. Isso tudo fundamentado por ex-alunos hoje advogados.

Uma luta sendo iniciado junto de tantas outras na mesma situação no estado dito como o mais rico e importante da Federação.

Nas fotos algo mais...

sábado, 22 de abril de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (141)


FRAGMENTAÇÃO DA VIDA SOCIAL – A RELIGIÃO INVADINDO SUA PRIVACIDADE

Li dias atrás um belo conceito dessa fragmentação social dos tempos atuais na revista Caros Amigos, entrevista com o sociólogo Sergio Adorno. Era mais ou menos isso. O mundo do trabalho como até então conhecíamos e era praticado, isso já se escafedeu e daqui por diante, prevalece o “deus nos acuda”, ou seja, um “salve-se quem puder”. A precarização foi oficializada e o mundo do trabalho se esvai. Com ele, a insegurança e tudo o mais. Junto dessa insegurança toda, começam a pipocar aqui e ali os salvadores do mundo. Os que enxergando tudo sob a sua visão, querem moldar todos os demais segundo a sua linha de pensamento.

Quem mais atua nesse sentido são segmentos religiosos. Tem seita para tudo quanto é gosto e sabor. Prometem mundos e fundos, tudo no campo do imaginário, do se você seguir a risca os preceitos ditados por eles chegará lá. Verdadeira aberração. Crescem desmedidamente, pois até hoje não vi nenhum governo barrar a explícita sacanagem com os incautos. De incauto, denomino todos os inseguros neste momento, pois fragilizados, estão mais propensos a cair em armadilhas. O que se vê são portinhas se abrindo a cada esquina e com isso, um acirramento competitivo entre eles. Cada um prometendo mais que o outro, tudo para conseguir o cliente, ops, digo, fiel. Apelam e a cada dia aumentam a intensidade da aproximação.


O sociólogo Adorno conta uma história e ela merece ser aqui transcrita: “Eu moro em um prédio e um dia um vizinho que eu nem conheço me liga e me chamando para ler a Bíblia. Eu fiquei chocado, é um bairro classe média, não vou dizer alta, Perdizes. Então você começa a se perguntar: nós estamos vivendo em um mundo onde também se perdeu o respeito à liberdade do outro. Você tem que se salvar, tem que salvar o outro. Então, você tem um mundo no qual você tem missões e essas missões tem que ser concretizadas. É cruzada. E cruzada é fonte de fascismo. Quando você acha que os seus valores estão certos e os outros estão errados, você acha que tem que partir da ideias para a ação e, portanto, você tem que expandir o seu universo de adeptos. Nós estamos em uma sociedade com traços fascistas bastante acentuados”.

Concordo em gênero, numero e grau e conto algo aqui do lugar onde moro. Tempos atrás uma vizinha nova chegou por aqui. Logo de cara deu para saber que não seguia a religião dela, aliás, não sigo nenhuma. Eu sempre respeito o semelhante e ouvia sua cantilena todo dia. Vinha em casa e me pedia para imprimir seus estudos bíblicos e se insinuava para comigo: “Deu uma lida no que imprimiu? Não quer saber mais a respeito? Quer conversar sobre isso?”. Respeitosamente me esquivava, não queria ser deselegante. Tudo seguia com essa anormalidade mais do que instalada até o dia em que marcou uma reunião de seu grupo em meu quintal e sem ao menos me comunicar. Cheguei e a coisa estava se consumando. Pedi a palavra e educadamente disse algo bem simples: “Sou umbandista declarado. Se continuarem com isso, me acho no direito de todos baterem tambor comigo ao final. Será uma troca”. Ela arregalou os olhos e tentou desdizer, com aquilo a encher o saco de todos: “Mas isso é coisa do diabo”. Foi o bastante para melar tudo, perdi a compostura. Não passou nem um mês, ela se mudou. 
Foi pregar em outro terreiro.
Falta muito pouco para isso...


Já que o negócio é contar história religiosa, conto outra, essa amena. Tinha uma vizinha divinal por aqui, perto dos 90 anos (ainda viva e bem de saúde). Conversávamos sempre no portão e quando passava diante de sua casa. Sabia ser ela muito religiosa, católica praticante da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, conhecia meus pais, enfim, me conhecia desde criança. Certo dia, me vendo com essa barba branca, já meio arcado, andando lentamente, chegou perto e me fez um convite: “Faz tempo que quero lhe falar uma coisa. Você sabe, estou velha, cansada e atuo na igreja junto ao grupo de organização da Terceira Idade, com reuniões toda semana, grupo grande. Te vejo sempre escrevendo, fala bem e acho que seria a pessoa ideal para dar prosseguimento ao que faço. Não quer assumir a coordenação desse grupo?”. Educadamente recusei e no caso dela, houve compreensão mútua, nunca mais tocou no assunto. Já os demais, você renega e eles insistem, querem te salvar (do que, hem?) a qualquer custo e para tanto invadem sua privacidade.

Obs.: Aray e Anaí Nabuco, a Caros Amigos está ótima, como sempre, e com o novo formato, melhor ainda.