sexta-feira, 24 de março de 2017

COMENDO PELAS BEIRADAS (37)


DO QUE OUVI SOBRE FISCALIZAÇÃO DE ALIMENTOS: DEIXEM CONTINUAR SABOREANDO O QUEIJO CASEIRO DA LOIRA
Tenho diletos amigos e considerados atuando nas hostes da Prefeitura Municipal de Bauru. Não vejo problema nenhum em profissionais de diferentes quilates atuarem ali. Eu mesmo já o fiz no único período onde atuei dentro do serviço público, de 2005 a 2008, segunda administração de Tuga Angerami. Deste período, guardo boas lembranças e gente da qual admiro e sempre que os revejo, produtivos e saborosas conversas.

Ouço hoje pelas ondas da rádio Unesp FM, no seu noticiário da hora do almoço, entre 11h30 e meio dia, uma entrevista do Pedro Norberto com o médico veterinário, Mário Ramos, hoje no cargo de Diretor do Departamento de Saúde Coletiva dentro da Secretaria Municipal de Saúde (Clicando no link, a entrevista completa: http://www.radio.unesp.br/noticia/1215) e um dessses considerados. Uma bela entrevista, esclarecedora em muitos aspectos, ainda mais depois dessa questão da carne com papelão e afins. Boa por um lado, ruim por outro. Contextualizo o que escrevo. Momento oportuno para tirar dúvidas, esclarecer outras e promover a boa discussão em cima do tema da saúde alimentar.

Vamos ao fatos. Dos esclarecimentos nada a contextualizar. Só de algumas coisinhas reafirmadas pelo Mário como as mais acertadas para o momento vivido e diante de uma neura bem atual, a de que tudo o que é feito artesanalmente, em pequena quantidade nos cafundós e entranhas do país não deve ser consumido e o melhor é ficar com a pulga atrás da orelha e a população só consumir o que tiver carimbo de órgão com competências para tanto ou firma legalmente estabelecida. Mas quem tem mesmo? Estariam todos habilitadíssimos para tanto? Discutível.

Extraio uma fala do Mario e amplio a discussão. No exemplo do queijo caseiro, muitas vezes revendido em diversos lugares e feitos por pequenos sitiantes, alguém com vaquinhas em sua pequena propriedade e coisa e tal. Mario afirma categoricamente que se deve evitar tal consumo, pois onde existe um carimbo de órgão fiscalizador e regulador a cobrança pode ser feita e, do contrário, não. Ouso discordar. Compro um maravilhoso queijo de uma loira maravilhosa, verdureira e a atender mercados variados na cidade e junto das verduras, queijos divinais feitos por ela, verdadeira iguaria e manjar dos deuses.

Segundo o Mário, consumindo produtos como os feitos pela loira verdureira e queijeira, estaria aumentando o risco de consumir bactérias e contrair doenças, de difícil identificação e, dessa forma, seremos todos consumidos pouco a pouco e se adoentando antes do tempo. Primeiro, se passar a viver com a neura tomando conta de mim, não como mais nada, depois não irei abdicar do queijinho divinal só para consumir um desses carimbado por frigoríficos com inspeção duvidosa (quem fiscaliza quem neste país?).

Continuo dando crédito para a loira e seu queijo mais que especial. Depois, confesso, gosto de uma carninha de porco, galinha criada nos arrebaldes de Bauru e região, além de um peixinho pescado in natura e sem carimbação de nenhuma espécie. Correr riscos faz parte da vida moderna, principalmente no seio capitalista onde vivemos, império do tudo pode. Daí, não levo tão a sério esse negócio, até porque, ao terminar a entrevista com o Mário, mudo de estação e vou ouvir o noticiário da Auri-Verde e lá sou avisado que a própria Prefeitura Municipal de Bauru, onde Mário é também fiscalizador, ocorrem irregularidades. Ouço isso: “O prefeito Clodoaldo Gazzetta determinou a abertura de uma Rigorosa Sindicância para apurar a denúncia de distribuição de bolo com validade vencida em uma unidade escolar da Rede Pública. A denúncia ocorreu nesta quarta-feira dia 22, nas redes sociais, e a medida adotada pelo prefeito se deve ao fato da merenda escolar ser gerida pelo município.”.

Na sequência, o locutor Rafael Antonio, diz até da possibilidade da interdição da cozinha responsável pela Merenda Escolar de todas as escolas municipais de Bauru. Minha modesta conclusão: Como posso abdicar de continuar comendo o queijo me vendido pela loira, tão branquinho e saboroso, se até a merenda da própria Prefeitura, debaixo de rigorosa fiscalização passa por deslizes mais do que danosos? Resumo da ópera: O Mauro é muito gente boa, mas precisa contemporizar com o que se produz nos arredores de Bauru e também, precisamos todos fazer o que sempre fizemos até então, ou seja, continuar comendo a carninha lá do açougue do Gaspa, o queijo da loira, o rabicó abatido em Tibiriçá, a batatinha plantada lá no horto de Aimorés, a galinha da sítio do Zé Balaustra do Rasi e os ovos do Moisés nas feiras diárias. Quero viver sem neuras, por favor,, deixem-me envenenar sem a influências dos carimbos malucos.

quinta-feira, 23 de março de 2017

DIÁRIO DE CUBA (84)


MEUS AMIGOS (AS), O FUTEBOL ME INEBRIA...
Thiago Navarro, HPA, Roque Ferreira e Gilberto Truijo.

Ontem estive mais uma vez no estádio de nossa aldeia, o Alfredo de Castilho e lá, algo alvissareiro e peripatético, uma vitória noroestina, desta feita contra o Nacional da capital, um tradicional time ali das imediações dos trilhos urbanos paulistanos (por isso só, gosto muito deles e do estádio deles). Estive torcendo desbragadamente pelo sucesso da maquininha vermelha e, assim como muitos, credito a vitória ao pé quente do Reynaldo Grillo, que saiu lá de New Jersey só para vir propiciar o momento da reviravolta noroestina. Um luxo só!

Do Esporte Clube Noroeste, batendo na madeira, torcendo mais do que nunca e acreditando ser mais do que possível a volta por cima. Temos ainda seis jogos e todos envolvidos naquela aura bem conhecida: verdadeiras decisões de campeonato a cada partida. Nada de novo. Domingo, novamente por lá. Saliento algo bem simples: como é gostoso torcer pelo time de sua aldeia. Vou para lá, como já disse em repetidas vezes por aqui, claro, pelo time, pelo amor a camisa vermelha, tradição adquirida desde áureos tempos, meu avô envergou este manto e tudo o mais.

Não me peçam para ir presenciar jogos do Amador bauruense, pois não irei e os motivos são mais do que explícitos, nem necessitando de Declaração Pública. Gosto de futebol, cada vez mais dessas divisões inferiores, campos subalternos. Fujo dessas Arenas todas. Ontem estive por lá junto de diletos amigos, como os da foto ao lado, Thiago Navarro, Roque Ferreira e Gilberto Truijo. Outros tantos papearam conosco o tempo todo e os 3 x 0 foi mesmo para lavar a alma.

Escrevo sobre isso do gosto que tenho pelo futebol menor. Sou corintiano, mas sem nenhum fanatismo. Sabe que trocaria sem nenhum tipo de problema um jogo do meu time para ir presenciar um clássico como o que estará ocorrendo hoje à tarde, 15h, na rua Javari, capital paulistana, entre o glorioso JUVENTUS x PORTUGUESA DE DESPORTOS. Ir na rua Javari, por si só já é um acontecimento. Ver os velhinhos juventinos chegando vestindo suas roupinhas, camisas de gola e indo a uma sala só para eles e ali vestindo a camiseta grená do Juventus não tem preço, deixando a outra pendurada num varal.

Se pudesse largaria tudo hoje para presenciar a contenda, verdadeiro clássico do futebol paulista e num estádio cheio de marcas históricas, inclusive algumas envolvendo Bauru. Adoro, cada vez mais, lugares assim, com esse envolvimento mais simplificado e dando vazão a algo que gosto demais da conta, o futebol nostálgico, cada vez mais difícil de ser encontrado nos campos pela aí nos dias de hoje.

Opa! Hoje tem Brasil x Uruguai pela TV em algo que também muito me alegra. Primeiro, vejo com Tite algo novo pairando no ar. Tudo de bom, mas o que ressalto neste texto é o fato do horário da contenda, 19h. Sei de todos os esforços da TV Globo e afiliadas para transferir o horário para o indefectível 22h, mas os uruguaios, provando mais uma vez serem ponta firmes, não arredaram pé e teremos uma mudança na grade de programação da TV Bobo. Isso, por si só é alvissareiro, assim como os jogos do campeonato paranaense sendo já transmitidos via internet. E o clássico da tarde, Juventus x Portuguesa, vai passar em algum canal? Me avisem, pois paro tudo e ficaria a babar diante da TV.

Viva o Noroeste, o Juventus e a Portuguesa algo ainda a me mover via futebol nos tempos atuais. Que vontade me dá de largar tudo e ir presenciar esporte in natura em lugares como CUBA, onde a perdição ainda não domina tudo, inclusive os esportes todos.

quarta-feira, 22 de março de 2017

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (140)


EXISTEM PRESOS POLÍTICOS NO PAÍS? – O CASO DO TRABALHADOR RURAL DIEGO CUMPRINDO PENA EM BAURU*
*Esboço de um texto sendo pensando para publicação em algo de âmbito nacional, necessitando de mais dados e fundamentação.

A criminalização dos movimentos sociais no Brasil não é balela, muito menos conversa para boi dormir. Guilherme Boulos, militante do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) está aí para não nos deixar mentir e só não o enjaularam por causa da repercussão do caso envolvendo sua arbitrária prisão. O blogueiro Eduardo Guimarães, do blog O Cafezinho foi encaminhado por condução coercitiva para que abrisse sua fonte, em mais uma decisão arbitrária do juiz Sergio Moro. Aqui e ali se sucedem prisões, processos e mortes de sindicalistas e gente ligada na defesa dos movimentos sociais.

Se em plena maior cidade brasileira acontece uma arbitrariedade sem fim, imaginem o que se passa nos cafundós do país. Histórias infindáveis de destratos com militantes fazem parte do dia-a-dia de quem está envolvido com as questões da terra e estão aumentando gradativamente após o golpe levando Michel Temer ao poder. A história aqui relatada a seguir não é a primeira e muito menos, infelizmente, deverá ser a última. Mais uma. Escabrosa como todas.

Ainda no imaginário da nação o ocorrido sete anos atrás na pequena cidade de Borebi, interior de São Paulo (30 km de Bauru, 330 de São Paulo), quando tratores derrubaram pés de laranja numa propriedade grilada pela Cutrale, uma das grandes no quesito suco de laranja no país. O trabalhador levou a pior, ou seja, a culpa, mesmo com toda informação sobre o assunto sendo disponibilizada ao longo do tempo. Isto se deve a ação da mídia que, mente descaradamente e oferece ao público consumidor de informação algo distorcido da realidade dos fatos.

Carta Capital publicou na época, escrito por mim, dentre outros, um texto em sua edição virtual, certificando o que vinha a ser a tal de Borebi no contexto dos movimentos sociais organizados e com relatos de um fato ocorrido na festa da eleição que naquele ano, 2010, a que levou Dilma Rousseff para seu primeiro mandato presidencial. Eis o link para reler a matéria: http://mafuadohpa.blogspot.com.br/search….

Quando foi divulgada a notícia da vitória de Dilma, muitos dos componentes do Assentamento Noiva da Colina (lembrando o causo de uma noiva a desfilar no alto de um descampado) vieram comemorar na cidade mais próxima, no caso Borebi. O fato seria corriqueiro se no meio do caminho não estivesse o próprio prefeito da cidade, Antônio Carlos Vaca (hoje em mais um mandato à frente do pequeno município, com pouco mais de três mil habitantes). Saiu de sua casa e de pijama foi discutir com quem fazia festa. Do confronto entre os que se encontravam ao seu lado e os assentados, leva um tapa na cara. Foi o que bastou para se hospitalizar e se dizer agredido de forma violenta.

A agressão virou processo e após longo período de tramitação gerou uma discutível condenação no Fórum de Lençóis Paulista, distante pouco mais de 20km do incidente. Lorana Harumi Sato Prado, advogou para o até bem pouco tempo para o réu, hoje condenado e me informa da pena: quatro anos e oito meses de detenção, iniciada no CDP – Centro de detenção Provisória e hoje já no regime semiaberto, antigo IPA, ambos em Bauru.

Jeferson Diego Gonçalves, o nome desse assentado, mas conhecido por todos simplesmente como DIEGO, trinta e poucos anos, oriundo do Ponta do Paranapanema e desde sempre na luta pela posse de um pedaço de terra. Sua prisão de deu no domingo de Carnaval, 26/3, sendo então encaminhado ao CDP – Centro Detenção Provisória em Bauru, onde foram dificultadas as visitas e contatos. Hoje, já transferido para o regime semiaberto, começa a cumprir sua pena. “Eu vivencio muito bem como se dá atualmente a situação dos assentados em Borebi. Qualquer vestígio de roupa ou o famoso boné vermelho na cabeça é sinal para atenção redobrada. Tudo foi insuflado ao longo dos anos e de algo amistoso, hoje não mais. Dá a entender a existência de um movimento orquestrado, para dificultar a relação com os habitantes da cidade. A gente percebe, pouco a pouco, um por um, todos os que estiveram lá quando da ação dos tais pés de laranja, estão caindo e sendo presos. Existe claramente para com os do movimento, um jeito de não escaparem e os agressores do lado do prefeito, nem sequer foram intimados e ouvidos”, relata uma militante da Ação junto ao MST.

Esses parágrafos iniciais estão ainda sendo formatados para se transformar em mais uma denúncia sobre como se acelerou de uns tempos para cá o processo de CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. O caso não é sui generis. Mostra como um mero tapa, num confronto de rua, se dado por um dos lados pode ser o gerador de uma ação judicial, sendo que do contrário, pode ficar por isso mesmo. Estou ouvindo as partes, construindo o texto e juntando as partes para dar prosseguimento a uma história começada mais precisamente em 2010 em Borebi e tendo um provável desenlace em Bauru, neste fatídico ano de 2017.

Mais teremos sobre este tema nos próximos dias, mas começar já a desvendar essas histórias, algo mais do que necessário, principalmente para se entender como estão se processando essas cada vez mais difíceis relações entre os vários Brasis existentes dentro desse território continental e prestes a explodir como barril de pólvora em muito pouco tempo. A partir daí, outra boa discussão: quantos declarados presos políticos temos hoje no país?

terça-feira, 21 de março de 2017

O QUE FAZER EM BAURU E NAS REDONDEZAS (87)


SANDUÍCHE BAURU – AGORA O BAR DA ROSA TAMBÉM FAZ O ORIGINAL

Uma coisa leva a outra. Gilberto Truijo acabou indo atender uma ocorrência policial a necessitar de um advogado e quem o leva até o local do imbróglio é nada menos que Cleber Roberto Delapais, o proprietário do famoso Bar da Rosa, ali na curva de entrada na Nações Unidas. Ocorrência resolvida, nada melhor do regar as palavras com um bom vinho e degustar um queijo mineiro. Conversa vai, conversa vem, eis que ele confessa ter colocado no cardápio do seu bar três tipo de sanduíches, o Seu Odil, o dona Rosa e agora o famoso sanduíche bauru, com receita original.

Odil e Rosa, como é do conhecimento público são os idealizados do famoso bar, hoje reduto de estudantes e boêmios. Esses encerraram as atividades barzísticas, tentaram se bandear de Bauru, mas voltaram e vez ou outra aparecem no bar, agora como clientes e eternos convidados. Foram devidamente homenageados e por fim, após Cleber experimentar o bauru em diversos lugares, desde os tempos do Bauru Chic, de saudosa memória, ali atrás do shopping, até o bar Aeroporto e Skinão, resolveu fazer o seu. Seguiu a risca a receita e até anteontem estava servindo ainda em caráter experimental, a partir de ontem não mais. Oficialmente colocado no cardápio, ele já começa a ser difundido entre os clientes do local.

Ao saber disso, o trio, eu, Ana Bia e Truijo, o intrépido advogado, pau para toda obra, nos dirigimos ao local para conferir in loco se o dito cujo estava dentro dos padrões ditos como originais e logo no primeiro dia oficialmente já testado, provado e lançado à prova dos comensais de Bauru e região. Cleber é cuidadoso no que faz e diz aceitar críticas e sugestões. Fala com tanto esmero do pão escolhido, pois acredita ser esse um dos ingredientes fundamentais para o sanduíche chegar no ponto para ser degustado. Diz ter descoberto uma padaria lá no jardim Araruna e faz questão de ir buscar o pão naquela distância. Quando ouço algo assim já começo a gostar do cara, pois também sou desses de atravessar a cidade em busca de um bom pão.

O Bar da Rosa já faz parte do itinerário Lado B de Bauru, ou um dos points alternativos da cidade. Sempre foi assim, desde os tempos do casal Odil e Rosa. Hoje a cara é outra, deram uma modernidade na casa e com peças todas em madeira reaproveitada. Até um palco já está pronto e só não é mais usado, pois está cada dia mais difícil de conseguir alvará para música ao vivo na cidade. Mesmo para uma segunda, 23h, o bar permanecia com boa clientela. Um clima de boa conversa no ar, sem aquilo de bar de moda ou de gerações que vão e vem. O negócio por ali é outro. Enfim, um bar que tem como advogado o mesmo do bloco dos Tomateiros, o dr Truijo, só pode mesmo ser de um astral mais do que interessante. Só não vende fiado, infelizmente.

Pois bem, degustamos o tal sanduíche. Eu e Truijo adoramos, sem tirar nem por. Aceitamos até as batatas fritas, que não são servidas junto do pão e sim do lado, à parte. Algo opcional. O rosbife, amaciado ali na casa estava no ponto. Ana tem algumas dicas a mais, todas mais do que interessantes e que só auxiliarão para que acerte ainda mais. O interessante disto tudo é ver um tradicional bar criando e apostando em tradições que não podem cair no esquecimento. E, desta forma, estamos diante de mais um local na cidade oferecendo o tradicional sanduíche bauru na cidade. E com algo mais favorável, o preço é dos mais convidativos.

segunda-feira, 20 de março de 2017

FRASES (153)


ESCRITOS SEGUNDINOS PARA DAR O PONTAPÉ INICIAL NA SEMANA

PARA NOS SALVAR DAS AGRURAS DO DIA A DIA...
Tenho comigo e tem dado muito certo. Quando as agruras ameaçam tomar conta do que ando fazendo (aprontando, diria alguns), com uma clara ameaça de começar a engripar, travar, endurecer as paradas, daí, dou aquela funda respirada e me bandeio para os lados da Feira do Rolo. Neste domingo, tudo se sucedeu exatamente desta forma e jeito. A "carne fraca", a lista do Janot afogando Brasília, mas com golpistas virando-lhe as costas, leio que o rio Bauru está despoluído, mas as bostas continuam nele flutuando, os 100 dias para se chegar aos píncaros da glória bauruense quase ali na virada da esquina e tudo o mais, calor, gripe, bolsos furados, crise golpista no seu auge, bestialidade juramentada espalhada como praga, mal chego na dita cuja feira dominical e ali diante dos meus olhos a solução para meus problemas. Carioca, o proprietário da banca de livros mais liberta e comunizante deste nosso mundo, está com uma oferenda no pescoço e me oferece a módico preço. Reluto. Saio de lá com quatro livros, desde Nietzsche a Tolstói e, segundo ele, o efeito é o mesmo do amuleto pendurado. Acredito e saio de sacola cheia. Ao sair me dá a dica: "Ou carrega o amuleto ou lê bons livros, eis a solução para escapar de mandingas mil, nem necessitando de complexos descarregos a mexer nos bolsos e economias". Estava com a mente cheia, pipocando pensamentos desanuviosos e ao deixar o local, carregava um peso extra, mas tudo o mais leve como pluma. Já posso até continuar comendo carne, sem susto. Só não dá para continuar deixando de tascar pau nesses malditos golpistas que resolveram fazer a festa em cima de nossas cabeças e estão a destruir o país. Desses, acho que vou ter de fazer uso de uma forcinha extra com o amuleto do Carioca. Se os tais não caírem todos até o próximo sábado, arremato a tal e cruzarei ela no ar com todas as forças. Vamos pro pau... estamos demorando demais para enfrentar esses vendilhões.

A QUEM DISPOSTO ESTIVER
Uma elucidativa entrevista. Vale a pena, longa, mas objetiva, lúcida e, do início ao fim, saborosa: http://www.valor.com.br/cult…/4902470/segunda-torre-de-dilma

UM PROGRAMA DE RÁDIO QUE OUÇO TODOS OS DIAS DAQUI DE BAURU, SP, BRASIL
"LA MAÑANA", de vernes a lunes (segunda a sexta) na rádio 750 AM, direto de Buenos Aires, apresentação de Víctor Hugo Morales e mais quatro jornalistas, em algo a dissecar o país hermano e algo a mais da América Latina. Ouço, por encontrar uma lacuna nas rádios brasileiras. Adoro debates pelas ondas do rádio e algo sério, consistente, feito com isenção, dentro da verdade factual dos fatos. Viajo ouvindo os hermanos do sul e com certa tristeza, vejo que, pouca, mas muito pouca coisa mesmo ainda temos com o mesmo brio, valor e personalidade. Daí, fico com o dial do meu computador sintonizado em algo lá do sul. Cliquem aqui e ouçam a rádio neste exato momento: www.radioam750.com.ar e acionem a janela AIRE. Por favor, me indiquem onde posso ouvir um jornalismo isento, um debate de alto nível na rádio brasileira e passo também a ouvir com todo carinho e atenção? Depois conversamos...

O PROBLEMA NÃO É A CARNE DE PAPELÃO, O PROBLEMA É O CAPITALISMO, QUE NOS ENGANA EM TUDO...
Esses de hoje são só a bola da vez, amanhã tem outro, depois outro, mais outro e depois a triste conclusão: todos aprontam pra cima dos pobres mortais. Conhece algum a não aprontar pra cima da gente? Citem ao menos um, por favor. Golpistas, de vergonha em vergonha, está na hora de puxarmos a descarga... Vejam esse link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10202749114965930&set=a.1535985816532.46997.1741466153&type=3&theater

domingo, 19 de março de 2017

CENA BAURUENSE (158)


UM “ESTOPÔ BALAIO” PARA A SITUAÇÃO DOS RIOS E DAS ENCHENTES EM BAURU – DEU NA CAPA DO JC DE HOJE


No JC de hoje uma matéria com o título principal na sua primeira página sobre a despoluição dos rios que cortam Bauru, em especial o rio Bauru: “Fins do esgoto em rios de Bauru – A partir de julho, com todos os interceptores instalados, os rios, córregos e ribeirões da zona urbana da cidade deixarão de receber esgotos”. Pulei de alegria, mas logo voltei a me sentar e pensar no assunto. Quando olho para trás e vejo o quando já vivi aqui do lado do rio Bauru e por quantas enchentes passei, quantas vezes adentrei o rio na minha fase de moleque, tudo para pegar bolas caindo nas águas bostentas e até hoje tudo do mesmo jeito, chego a pensar em propaganda enganosa. Olho para a transposição do rio São Francisco, algo acalentado pelo povo nordestino desde os anos de 1800 e só agora sendo possível, começo a me arrepiar. Penso nas promessas de campanha e no que o atual prefeito disse quando em campanha, que em cem dias tudo estaria bem encaminhado e a cidade às mil maravilhas, começo a tremer, pois vejo que quase nada mudou e o jornal aposta sua credibilidade numa manchete que ainda pode dar muito o que falar.

Quero ainda ter a certeza, vendo com meus próprios olhos, constatar que aquela imensidão de esgotos que descia lá do Bela Vista e os canos todos despejando aquela água de cor escura, grossa e mal cheirosa já não mais existe. Quero crer, mas continuo com o pé atrás. Dou risadas sozinho. Leio a matéria de cabo a rabo e posto a seguir o link para quem se dispuser a ler a boa nova: http://www.jcnet.com.br/…/fim-do-esgoto-em-rios-de-bauru-a-….

São 93 km de interceptores e na foto da primeira página vejo algo que até então, só nos tempos de moleque: peixes vivendo nessas águas. Ali leio que, aqui perto, nas proximidades com o Fórum, pouco mais de quinhentos metros de onde moro, a água já é transparente. Amanhã vou lá pisar nessa área e contatar in loco. Depois conto dos resultados. Nada como fazer o Teste São Tomé, o ver para crer. Quero crer e até amanhã cedo, quando faço a inspeção por minha conta e risco, crendo que a transposição do rio Bauru é algo mais do que concreto. Aconteceu com o São Francisco e agora acontece na aldeia onde moro, Bauru.

Rindo a toa e nem se importando mais com a questão da carne estragada, junto essa melodramática história bauruense, que nem meu pai e mãe tiveram o prazer de ver em vida se tornar realidade e penso em algo que acabo de ler, a de algo também nesse sentido na zona leste paulistana.
Por lá, a euforia foi tamanha e tudo acabou se transformando num filme. Sim, da incontida alegria, um documentário contando uma doída e sentida história, dessas com final nem sempre certo e feliz. Lá, um bairro como aqui, dominado pela enchente, várzea do rio Tietê, jardim Romano e uma película, a “ESTOPÔ BALAIO”, direção de Cristiano Burlan, com histórias mais que vivas, diria, pulsantes e empolgantes. Inicialmente pareciam de ficção científica, não fosse a realidade ter se transformado em algo benéfico. Uma comunidade basicamente de migrantes nordestinos e da felicidade, permeada com tanto sofrimento ao longo de décadas, pelo novo momento. Explicam que o título, “estopô balaio” nada mais é do que “uma prosódia nordestina, um grito parado na garganta, aquele que não dá mais para sufocar”. Também quero dar o eu e nas barrancas do rio.

Impossível não associar o que vi no filme com o que vivencio aqui morando ao lado do rio Bauru. Leiam essa crítica: “Até que ponto a arte é capaz de agir como elemento de mudança em momentos tão intensos de trauma social e íntimo? O enredo serve como alento a uma realidade tão dura que, infelizmente, é uma triste rotina para milhões de brasileiros das classes menos abastadas, moradores nas maiores cidades do país. A abertura do longa-metragem, de imediato, despeja tamanha dificuldade. Cenas caseiras retratam a invasão das águas durante uma enchente no rio Tietê, percorrendo corredores e vielas sem qualquer controle. O relato da moradora não apenas ressalta a gravidade da situação, como também revela uma certo reconhecimento do ocorrido. A consequente informação de que a grande enchente ocorrida em 2009 se repete, ainda em 2015, aponta o crônico problema da ausência do poder público, no sentido de melhorar a vida daquelas pessoas.
É como se elas ali estivessem abandonadas, à própria sorte. Ao massacre diário da falta de assistência se juntam os inevitáveis problemas pessoais, por vezes intrinsecamente relacionados. Com habilidade, o diretor dedica a primeira metade do documentário a revelar o próprio Jardim Romano: não apenas seus problemas e localização, mas também quem são as pessoas que lá residem e como é a vida que levam. Há momentos cativantes, como a entrevista com as crianças, tão familiarizadas com as enchentes, e a visita à casa das duas senhoras, veteranas da situação e extremamente simpáticas. Pouco a pouco, momentos em que o coletivo atua são inseridos na narrativa, de forma a retratar o quanto influenciam na dinâmica local.”.


Chorei aqui, eu, meu cão e meu computador todo melecado de lágrimas. Será possível? De dentro de mim, algo me diz para não se empolgar. Pegar leve, tirar o pé do acelerador. Trata-se, no caso bauruense do fim do esgoto e não das enchentes. Comecemos por ela, depois brigamos com o Gazzeta pelo resto. Já penso em fomentar um filme para sensibilizar esse pessoal do poder público, pois agora que as chuvas se foram e enchente mesmo só ano que vem, nem da reunião de moradores com as autoridades falamos mais. Sugiro vermos todos o filme e nos prepararmos para as discussões que, certamente, virão pela frente. Eis o link do trailer: http://www.adorocinema.com/f…/filme-249044/trailer-19553527/ .

Quando se dará o "estopô balaio" bauruense? Será mesmo em julho, como diz o JC? Só acredito vendo

OBS.: As duas fotos e o gráfico dos rios é do pessoal do JC.

sábado, 18 de março de 2017

DOCUMENTOS DO FUNDO DO BAÚ (101)


FRIBOI, A BOLA DA VEZ - AS SACANAGENS CONTRA OS SACANAS QUE NOS SACANEARAM E AGORA SÃO SACANEADOS PELOS SACANEADORES DE SEMPRE

E se algum indignado consumidor de carnes Friboi me abordasse nos corredores do supermercado, como poderia ser o diálogo entre as partes?


- “Henrique, você come Friboi?”.

- “Claro e muito. Como gosto de carne, daí, já devo ter comido muito, com ou sem plástico a envolvê-la. Não me venha se dizer isento ou que escapou de degustar a tal carne peluda que o Toni Ramos oferecia via TV. Todos já o fizeram e não só carne, como o sorvete da marca K, a salsicha marca S, o detergente marca B, a maionese marca H, o café marca P, o adoçante marca Z, o sabão em pó marca O e tudo o mais. Somos todos sugestionáveis e daí, tento até comprar outras marcas, mas vez ou outras consumimos as mais faladas. Inevitável.”

- “E não fica com receio?”

- “Se for pensar assim não como mais nada, aliás não faço mais nada. Vivemos em tempos de perdição generalizada e dentro do vale tudo a que estamos submetidos, isso da carne não ser a mais recomendável não me espanta nem um pouco. Não deve ser só a carne, pois a competição a que a capitalismo impõe a todos no seu meio, faz com que nada seja entregue como de fato deveria o ser. Tudo vem pela metade, com linda apresentação embalativa e de resultado duvidoso por dentro. O capitalismo tem um lema, o do por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Mastigo tudo assim mesmo, sem remorsos e sem ter que ficar fazendo o sinal da cruz a cada degustação. Se tiver neuras, pior, pois ficaria com complexo de culpa. Contaminados somos a cada instante e a carne é só um detalhe, ou você se imagina num mundo diferente, onde tudo o que se apresenta para ser consumido está nos trinques?”

- “Então, você não se assusta com essa denúncia, não a acha muito grave?”

- “No Brasil de uns tempos para cá, nada mais é tão grave do que estarmos vivendo no estado do salve-se quem puder, do tente de safar o máximo e faça o que tem que ser feito, pois do lado de lá, com os mandatários que temos, principalmente agora sob esse regime golpista, estamos no Estado no Deus nos Acuda. Como, pelo que sei, deus não acode ninguém, cada um se safa como pode. O que é essa denúncia diante de tantas outras? Uma gota d’água no oceano. Ela está tão impregnada de segundas intenções como tudo o mais. Você confia desconfiando. Se deu na TV Globo e com estardalhaço, já boto a cuca para funcionar: deve ter gato nessa tuba. E tem. A tal da Friboi não é nenhuma santa, aliás sei ser do pau bem oco, mas não é a única. Existiria hoje a ilibada empresa a fornecer o produto isento e 100% dentro das recomendáveis normas? Não. Isso não existe. Pior é o que existe nos bastidores da denúncia no país. Primeiro se quebra uma empresa que exporta produtos para boa parte do mundo, dá empregos nesse bestial mundo atual e depois, pouco a pouco, quando não existe mais possibilidade de recuperação do estrago feito, a história vai sendo contada de forma diferente, capítulo por capítulo e chega-se a conclusão de que tudo não era de fato tão escabroso. Tudo faz parte de um jogo, mas daí a empresa já foi pro tacho e quem assume o seu lugar é uma outra gigante, mas de fora, pertencente provavelmente às bênçãos do Grande Irmão do Norte, o que tudo pode, tudo faz e nunca erra. Que tem gato nessa tuba, não tenho a menor dúvida, só não sei ainda ao certo como, onde e porque.”.

- “Então, você acha que conspiram contra a gente, o pobre consumidor brasileiro?”

- “O que não entendemos é que o grande negociador do mundo capitalista, ele não quer nossa empresa vendendo carne para ele e sim, a nossa carne, nada mais. Dane-se a empresa brasileira. Agora eles irão comprar nossa carne na bacia das almas e vão ganhar os tubos com tudo isso. Bem ou mal, cruel ou não, coxinha ou não, a Friboi atingia picos e chegava a mercados lá deles e agora, deram um jeito de barrar isso. Com a ajuda de gente daqui de dentro, isso é feito e favorece mais uma vez ao grande lá de fora. Quem daqui faz isso? Ficou claro com o que fizeram para danar de vez com as grandes construtoras nacionais e agora com esse conglomerado de carnes. Tem gente graúda aqui fazendo o serviço sujo para favorecer interesses dos de fora. Está na cara isso, escancarado e só não enxerga quem não quer, se faz de bobo ou é muito bocó.”.

- “Pera lá, assim você me deixa confuso. Deixa eu pensar um pouco. Você está defendendo a Friboi e a Odebrecht? É isso?”.

- “Você vive onde, por acaso no mundo da lua? Eu vivo aqui e continuo com meus pés muito bem cravados nesse solo hoje dominado por interesses cada vez mais inconfessáveis. Evidente que a Friboi e a Odebrecht não são flor que se cheire, mas vivem, respiram, transpiram, comem e defecam dentro do atual sistema, todo ele corrompido. Fazem o jogo como lhes manda o figurino. Fizeram horrores para chegar onde chegaram, nada diferente de todas as outras no mesmo patamar. Não existe ingênuo no quesito grandes negócios, todos são obrigados a jogar com o existente baralho viciado. O que incautos não levam em consideração é que, eu mesmo me dizendo socialista, tento enxergar o algo a mais nisso tudo. E o que? Estão dando um jeito depois do golpe, de quebrar de vez as grandes empresas capitalistas brasileiras, tudo para favorecer as grandes empresas capitalistas de fora do país. Nossas construtoras dificilmente voltarão a ser o que eram e agora, essa Friboi, com o estrago feito, se danou para todo o sempre. Não existe mais nenhum tipo de sigilo nas denúncias, tudo é gravado e solto no ar quase imediatamente, não existe o interesse de salvar o que ainda resta de emprego para o pobre e cada vez mais danado do trabalhador brasileiro. Esse, cada vez mais fragilizado e atuando sob condições cada vez mais precárias. Outro dia o Moro, o juiz aí de segunda instância comandando tudo, disse bem claro que não sabia se alguma empresa brasileira se salvaria disso tudo. Ele sabe o que faz, para quem faz e como faz. Não preciso fazer a defesa de nenhum deles e nem sei como faria diante de tanta expertise de todos no que fazem. Fico só de olhos bem atentos do lado de cá, sacando cada movimento nesse tabuleiro e sem me espantar com mais nada. Existe em curso, a ordenada desconstrução do país como existia até então, cruel até a medula, insana como tudo no mundo dos negócios capitalista. Até bem pouco tempo existia a possibilidade de empresas brasileiras competirem no mercado mundial e essa etapa Friboi é só mais um passo dado para destruir isso tudo. A cada dia nova surpresa e as ainda empresas brasileiras padecendo cada vez mais. A Friboi já era, mas outras estão na fila para serem danadas. Tem quem dê muita risada nisso tudo, eu me preocupo.”